por José Ronaldo Dias Campos (*)
Dia desses fui instado por minha cunhada, no final do expediente vespertino de trabalho, para auxiliá-la no pagamento de uma conta de energia elétrica na iminência de “corte”.
Fechado o escritório, por volta das 12h30min, achei mais prático ir ao caixa eletrônico e promover diretamente o pagamento, via cartão de crédito, para evitar contratempo.
Já no banco, por óbvio, posicionei-me no caixa com o menor número de pessoas (era o segundo na ordem de chegada), ficando ao meu lado, em filas paralelas (eu no meio), a dita cunhada e minha secretária, pois as deixaria em casa a seguir, por se tratar de intervalo para almoço.
Chegada a minha vez solicitei da aludida cunhada o talão de luz para pagamento. Era apenas esta operação bancária que realizaria. Nada de anormal até ali.
Mesmo assim, surpreendentemente, duas senhoras ou senhoritas, por incompreensão, equívoco ou desequilíbrio emocional, despejaram, imotivadamente, meia dúzia de grosserias. Confesso que nada entendi, pois só pretendia pagar a conta de energia, coadjuvado pelas acompanhantes, nada mais.
Não retruquei, embora injustiçado com manifesta indelicadeza, para não polemizar silenciei, preferi a submissão à reação, dada a infantilidade do incidente, apostando na força da parêmia que sentencia: “quando um não quer dois não brigam”. Retirei-me do banco sem concretizar meu intento, entristecido.
O incidente, contudo, fez-me pensar como as pessoas, no cotidiano, chegam a ser imprevisíveis, insensatas, amargas, intolerantes, passíveis de fomentar conflitos tão maléficos, mesmo em face de questões banais, insignificantes, como ocorrem comumente no trânsito, nos estádios, nas filas da vida, nos contatos do dia-a-dia. Hoje, rio ao lembrar do ocorrido.
Sejamos racionais, tolerantes, sensatos, fraternos, para evitarmos lides desnecessárias.
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* Santareno, é advogado e professor com título de mestre em Direito. Já presidiu a OAB/Santarém. Escreve regularmente neste blog.












9 Comentários Recebidos
11/6/2008 @4:23 pm
Zé Feliz !
José Ronaldo, foi um prazer conhecê-lo pessoalmente.
Abs
11/6/2008 @4:29 pm
Acontece em todo lugar! Veja estes recortes do reporter 70 de O liberal… O segundo eu gostaria até de ouvir o Dr. Océlio Morais. Cigana
Corre na Câmara dos Deputados projeto de lei que, por onde passa, cria alvoroço. Trata-se de uma proposta que transfere a capital federal, pelo período de dez dias, a cada ano, para um município da região Norte, na Amazônia. A autora da proposta já apelidada de ‘capital cigana’, a deputada Rose de Freitas, do PMDB do Espírito Santo, está tendo muita dificuldade para convencer os seus pares do Centro-Sul.
—–’Descarrego’
Um caso curioso de reclamação foi proposto na Justiça do Trabalho de Macapá. Trata-se de uma ação em que um pai-de-santo cobra de uma cliente a remuneração que entende ser devida pela prestação de um trabalho ‘espiritual’. O pai-de-santo alega que há oito anos a reclamada chegou a se consultar com ele e que, em outubro de 2007, contratou-o para fazer ‘trabalhos de descarrego’.
11/6/2008 @4:31 pm
Acontece em todo lugar! Veja estes recortes do reporter 70 de O liberal… O segundo eu gostaria até de ouvir o Dr. Océlio Morais. Cigana
Corre na Câmara dos Deputados projeto de lei que, por onde passa, cria alvoroço. Trata-se de uma proposta que transfere a capital federal, pelo período de dez dias, a cada ano, para um município da região Norte, na Amazônia. A autora da proposta já apelidada de ‘capital cigana’, a deputada Rose de Freitas, do PMDB do Espírito Santo, está tendo muita dificuldade para convencer os seus pares do Centro-Sul.
—–’Descarrego’
Um caso curioso de reclamação foi proposto na Justiça do Trabalho de Macapá. Trata-se de uma ação em que um pai-de-santo cobra de uma cliente a remuneração que entende ser devida pela prestação de um trabalho ‘espiritual’. O pai-de-santo alega que há oito anos a reclamada chegou a se consultar com ele e que, em outubro de 2007, contratou-o para fazer ‘trabalhos de descarrego’.
11/6/2008 @5:50 pm
Sua reflexão nos leva, também, a auto-anásile, quantas vezes somos insensíveis com o próximo, talvez a nossa visão de mundo, de sociedade e de pessoa esteja cada vez mais míope. Atualmente, valorizamos o ter em detrimento do ser, em consequência, desvalorizamos a essência humana. A insensatez em conjunto com a nossa arrogância estimulam a nossa cegueira espiritual. Estamos, cada vez mais carente do modelo ideal de ser humano.
11/6/2008 @7:11 pm
Que pena! O Sr. não pode concretizar uma caridade.
11/6/2008 @8:28 pm
Belo texto, Dr. Ronaldo. Estava um tempo sem visitar o blog do Jeso e sou brindado com seu relato que é uma fotografia destes tempos de intolerância e estupidez, presente numa singela fila de banco em Santarém ou no trânsito caótico das megacidades que acabam em tragédias e manchetes de jornal.
A vida, no entanto, flui nos pequenos filetes de tempo chamados instantes. É ali, precisamente que somos provocados a responder o repto do poeta Paulo Mendes Campos: “O ser humano é um gesto que se faz/ ou que não se faz”.
Abraços fraternos, mestre!
Samuca
12/6/2008 @7:34 am
Meu Caro Jeso, o fato narrado pelo Canela de Vidro ( Zé Ronaldo ) é comum vermos nas filas da vida como também nos coletivos, onde os lugares reservados para maiores de 60 anos, são ocupados por menores, estudantes e pessoas que não deviam ocupa-los, isso tudo com anuencia do trocador e motorista, não adianta reclamar que os mesmos não tomam nenhuma providencia, os primeiros fazem por inocencia e o segundo e terceiro, porque? falta de educação, quanto ao quarto, por total preguiça.
12/6/2008 @9:09 am
Caro amigo, Perdoar é bom, mas o melhor é esquecer, não sejamos muito exigentes, vamos devagar, mas vamos sempre e até amanhã no M.
12/6/2008 @10:15 am
Ao anônimo das 19:11:32
A conta de energia foi paga no supermercado CR, logo a seguir.
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