por José Ronaldo Dias Campos (*)
Não estou a exigir que o profissional de comunicação radiofônica seja exímio conhecedor da língua portuguesa, verdadeiro mestre na oratória. Não é bem assim. Entretanto, não posso conceber locutor/radialista semi-analfabeto, sem o menor conhecimento da língua pátria.
No dia da eleição, com o radinho de pilha ao lado, acompanhei o desenrolar da votação/apuração e pude constatar a existência de profissionais desse naipe, alguns já com calo na língua de tanto atrofiar o vernáculo. Chega a ser hilariante.
O professor Clauriberto Levy, em sua coluna “Levitando”, publicada na última edição do Jornal de Santarém, corroborando com a assertiva, registrou algumas pérolas ditas por profissionais de rádio, consoante colação a seguir:
“O pessoal já votaram na secção”; “O senhor já veio exercitar a sua democracia na eleição eleitoreira?”; “Se embalando em uma mangueira defrondosa, debaixo de uma rede, o eleitor espera a apuração dos votos”; “A polícia estão zelando pela ordem nas eleições. Vou entrevistar uma caba da PM”; “No Seminário Pio Xis, tudo está bem”; “Estamos dentro da Escola Século Dois Xis”; “As urnas eleitoreiras deram defeito”; “Os procedimentos já foram ocorridos”; “190.729 eleitores do colégio eleitoral de Santarém, todos os professores deste colégio estão votando”.
Quero deixar evidenciado que não pretendo, com este sintético comentário, desempregar ninguém, apenas incentivar profissionais que se enquadrem na hipótese a melhor conhecer o nosso idioma.
A crítica construtiva, é de bom alvitre destacar, endereça-se também, aos gestores das empresas de comunicação, que não se utilizam de critérios justos para admissão de pessoal, nem incentivam o aprimoramento dos que já compõe o seu quadro funcional, desrespeitando o público em geral.
Só estou querendo ajudar.
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* Santareno, é advogado e professor com título de mestre em Direito. Já presidiu a OAB/Santarém. Escreve regularmente neste blog.












9 Comentários Recebidos
17/10/2008 @9:08 am
Concordo que as empresas de comunicação deveriam investir na qualificação dos empregados. Já que contratou é porque deu valor ao profissional. Mas convenhamos que as pérolas destacadas marcam um desconhecimento básico da língua. Se eu fosse a “caba” da PM, nem conseguiria dar a entrevista, certamente iria ficar pasma ou rir muito.
17/10/2008 @9:16 am
Caro e nobre José Ronaldo, concordo em número, gênero e grau com o oportuno comentário que fez sobre o massacre com que alguns, com raríssimas excessões, membros da imprensa santarena fazem com a língua portuguesa todos os dias e todas as vezes que falam em programas no rádio ou na televisão mocoronga.
Isso já venho criticando há tempo, mas a princípio, a culpa não é tanto dos ‘repórteres’ que proferem essas aberrações na imprensa, são os diretores e/ou proprietários de emissoras que ouvem o português sendo atropelado todos os dias por seus funcionários e não adotam nenhum tipo de providência, porque a coisa vem continuando há anos…
Os diretores e/ou proprietários de emissoras não tomam providência quanto a esse péssimo exemplo porque pagam mal os funcionários e ñão podem cobrar um melhor trabalho.
Pergunto, quem é um bom profissional ‘repórter’ que estudou ou estuda todos os dias para fazer o melhor possível na impresa e vai se sujeitar a um mísero salário pago pelas empresas de imprensa local? Então vão se segurando com esses ‘repórteres’ de péssima qualidade.
Sabemos que muitos desses ‘repórteres’ não têm nem o ensino fundamental ou médio completo e não fazem outra coisa na vida a não ser pegar um microfone e falar o que bem quer e como quer para uma população que já aceitou esse tipo de transmissão de baixa qualidade linguística.
Olha só os exemplos de aberrações do português que todos os dias são divulgados na imprensa local: ‘O pessoal da PM foram chamados ao local…’; ‘tu visse o bandido…’; ‘As pessoas detidas chegou na Delegacia…’
Até aí, tudo bem, são pessoas menos instruídas que usam de um microfone para falar as besteiras e aberrações do português com o aval de seus diretores, mas quando se trata de autoridade policial, de Delegado de Polícia que fala seguidamente numa entrevista: ‘Nós vamo chamar os pessoal…’; ‘Chegamo agora da diligença com dois cidadão preso e vamo fazer os procedimento…’ Bom, aí é complicado demais…
Mas tudo isso é reflexo de um mal aprendizado obtido na escola, desde o ‘jardim da infância’ até a faculdade…
Uma sugestão crítica e de bom senso: Seria oportuno os diretores e/ou proprietários de emissoras promoverem curso da língua portuguesa aos seus funcionários, principalmente, aos que desempenham a função de ‘repórter’, pois são formadores de opinião e suas palavras mal pronunciadas ou termos mal empregados refletem negativamente na cabeça daquele que ouve ou assiste os programas locais de televisão. Me refiro aos programas locais devido estarem no nosso meio e todos os dias, queiramos ou não.
Com essa avalanche de erros da língua portuguesa, o túmulo de nossos mestre se tremem de vergonha e decepção, e quem sabem até não querem ressussitar ao 3º dia para dar uma ‘aula’ do básico e bom português.
Com esse comentário ao comentário do Dr. José Ronaldo, espero ter colocado a opinião de muitos santarenos que não têm a oportunidade de se manifestar.
17/10/2008 @10:06 am
Jeso, outro dia eu estava assistindo um certo canal e a diretora disse textualmente;”No “percorrer” do dia estaremos …..ect,ect,” e pasme no final disse “muito obrigado”. Nesse mesmo canal um reporter de Alenquer à época da cheia falou, referindo-se aos restos de madeira de uma ponte sobre o rio: “Os restos que sobraram…ect, ect..” gente isso “beira” ao absurdo, existe mecanismo para editar, rever o texto, enfim….Eu anoto e estou fazendo um verdadeiro compêndio de “como não falar o português” com anotações do dia, hora e quem falou.Será que eu publico?
17/10/2008 @1:09 pm
Ilustríssimo Professor/Mestre José Ronaldo Dias Campos ou, sem querer me exibir, querido amigo. Certamente, se esses profisionais forem confrontados dirão que a miserabilidade linguística que os devora deve-se à falta de incentivo ou carência financeira. Para não trazer o foco em minha direção, cito seu caso: originário de uma família sem grandes posses, construiu-se um cidadão intelectualmente riquíssimo. Construção da qual muito me orgulho e digo sem medo de errar, sentimento que não é monopólio meu, mas de toda lucidez intelectual santarena. Com o mesmo entusiasmo refiro-me ao histórico dos Drs.Rubens José Dourado da Fonseca, Aluisio Maciel, Gumercinco Rebelo, Bernardo Cardoso e tantos outros, cujo heroismo em materializar seus sonhos nunca foi ofuscado pelos obstáculos que encontraram na estrada da vida (e sei, não foram poucos). São expressões vivas de uma frase que guardo na memória: “Quando a luta é grande, os grandes homens lutam”. Quero também registrar meu entusiasmo, pois apesar de suas múltiplas ocupações, o caro amigo e celebrado colega ainda encontra tempo para preocupações tão básicas. Diria que o assassinato verbal que v.descreve não se deve à falta de oportunidades ou carência financeira, mas falta de amor próprio que é típíco daqueles que não têm sonhos ou daqueles que pensam que Deus é pai somente de alguns privilegiados. De minhas leituras habituais também abstraí uma frase que acredito, é o resumo de sua pertinente escrita:” Somos oleiros de nós mesmos”, logo… Finalizando, para ser lugar comum, “seria cômico se não fosse trágico”. Com carinho e o respeito de sempre,
17/10/2008 @1:26 pm
Aproveitando a deixa, eu também escutei uma pérola dessas: ” Já chegou muitas urnas, menas às de Belterra”, pense ????!!!!
17/10/2008 @3:34 pm
Falta aos profissionais da imprensa (com honrosas exceções) o que falta à boa parte da população brasileira: história de Língua portuguesa. Não se trata de qualquer tipo de limitação intelectual, mas de falta de leitura e, como conseqüência, de produção de texto (oral ou escrito).
Sem referências, atropelam a gramática e a lógica. Aliados do improviso, dizem coisas desconexas e esdrúxulas.
O mesmo se pode constatar nas entrevistas dadas por transeuntes em nossa programação jornalística local. Além da constrangedora e patética intervenção, o que se vê é o mais puro “nonsense”.
Triste.
17/10/2008 @3:53 pm
Jeso,
Mas o Professor José Ronaldo também está precisando de um revisor para seus texto. Destaco: “radinho de pilha”, “corroborando com a…”
Se minha observação for censurada, que ao menos se avise o articulista que seu vernáculo não é tão castiço assim como pensa.
17/10/2008 @3:59 pm
Louvável o Mestre, louvável o tema. É sempre oportuno o debate acerca da expressão da nossa língua.
Falta vontade de aprender. Falta vontade de ensinar. Os estudantes se permitem sair das escolas sem aprender direito a falar e a escrever. As escolas a isso se permitem. As faculdades se permitem a receber esses alunos semi-analfabetizados e estes se permitem a assim permanecer até suas “formaturas”.
Tem razão o Sr. Helvecio Santos. Essa situação não se deve à falta de oportunidades ou carência. Estão saindo muitos “formados” das faculdades privadas e públicas com serías dificuldades de comunicação e expressão. Daí eu mudo o foco do artigo do Mestre Zé Ronaldo dos “repórteres” para os bacharéis em Direito e advogados. Estes também - ouso afirmar que são a maioria porque, pelo meu ofício, disso sou testemunha diária - não estão dando a devida atenção ao nosso idioma, pelo qual deveriam ter mais estima, porque, afinal, seu ofício é pedir, portanto a oralidade e a escrita são seus instrumentos de trabalho. Os advogados recém lançados ao mercado de trabalho, e alguns já de cabelos brancos, não sabem pedir e com isso contribuem também com a morosidade da Justiça porque se perde valioso tempo tentando decifrar a causa de pedir.
Não vou citar “pérolas” dos causídicos, pero que las hay … las hay.
Deixo, no entanto, uma idéia que se pudesse servir de sugestão seria muito positiva. Todas, mas todas mesmo, as intituições de ensino, e em todos os níveis, deveriam cobrar do estudante o aprendizado do Português em todas as disciplinas ministradas. Não escreveu certo na prova de biologia? Desconta-se pontos. Na prova de matemática (nesta também), na de história, geografia etc. Menos ponto a cada incorreção. Isso no jardim de infância até no pós-doutorado. Tenho certeza que assim se aprenderia a língua portuguesa, que, aliás, não é muito fácil.
Uma última observação. Não existe concordância quanto ao grau, mas apenas quanto ao gênero e número (Ouvinte/Telespectador das 09:16)
18/10/2008 @7:49 am
Jeso.
Além da culpa dos patrões, temos também repórteres e locutores preguisosos, que não têem coragem nem de ler um livro sequer, mas estou mandando uma colaboração pra esses preguisosos:
Tautologia
A tautologia é um dos vícios de linguagem. Consiste em repetir uma idéia, com palavras diferentes.
Que tal observar a lista de preciosidades cultivadas ao longo de décadas? Se vir alguma conhecida, não titubeie: cumprimente-a e dê-lhe adeus.
1. Elo de ligação
2. Acabamento final
3. Certeza absoluta
4. Número exato
5. Quantia exata
6. Sugiro, conjecturalmente
7. Nos dias 8, 9 e 10 inclusive
8. Como prêmio extra
9. Juntamente com
10. Em caráter esporádico
11. Expressamente proibido
12. Terminantemente proibido
13. Em duas metades iguais
14. Destaque excepcional
15. Sintomas indicativos
16. Há anos atrás
17. Vereador da cidade
18. Relações bilaterais entre dois países
19. Outra alternativa
20. Detalhes minuciosos
21. A razão é porque
22. Interromper de uma vez
23. Anexo (a) junto a carta
24. De sua livre escolha
25. Superávit positivo
26. Vandalismo criminoso
27. Todos foram unânimes
28. A seu critério pessoal
29. Palavra de honra
30. Conviver junto
31. Exultar de alegria
32. Encarar de frente
33. Comprovadamente certo
34. Fato real
35. Multidão de pessoas
36. Amanhecer o dia
37. Criação nova
38. Retornar de novo
39. Freqüentar constantemente
40. Empréstimo temporário
41. Compartilhar conosco
42. Surpresa inesperada
43. Completamente vazio
44. Colocar algo em seu respectivo lugar
45. Escolha opcional
46. Continua a permanecer
47. Passatempo passageiro
48. Atrás da retaguarda
49. Planejar antecipadamente
50. Repetir outra vez
51. Sentido significativo
52. Voltar atrás
53. Abertura inaugural
54. Pode possivelmente ocorrer
55. A partir de agora
56. Última versão definitiva
57. Obra-prima principal
58. Gritar/ Bradar bem alto
59. Propriedade característica
60. Comparecer em pessoa
61. Colaborar com uma ajuda / auxílio
62. Matiz cambiante
63. Com absoluta correção/ exatidão
64. Demasiadamente excessivo
65. Individualidade inigualável
66. A nível de…
67. Abusar demais
68. Exceder em muito
69. Preconceito intolerante
70. Medidas extremas de último caso
71. Pessoalmente, eu acho…
72. Grande maioria
73. Best-seller mais vendido
74. Ambos os dois
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