por Paula Hoyos (*)
Há um surto de dengue no Rio de Janeiro. Ainda existem pessoas morrendo de tuberculose no Brasil, uma doença de vários séculos atrás. Chove direto em Santarém, então me digam: Bom dia, por quê?
A natureza se revolta quanto aos males que nós mesmos plantamos nela. O salário-mínimo sobe, juntamente com o preço dos itens que compõem a cesta básica. O governo teme um surto de consumismo causado por um outro surto de créditos pessoais fáceis que todas essas financeiras nos empurram a torto e à direita a aceitar esse dinheiro “fácil”. Tudo isso pode vir a causar um súbito acréscimo na inflação brasileira. E tudo certo. A gente acorda e tem que desejar um bom dia para todo mundo.
Não consigo entender isso. Passei anos da minha vida sendo criticada por ser arrogante porque não tinha o hábito de “dar bom dia” às pessoas. Veja bem o termo: DAR BOM DIA. Quem sou eu para dar um bom dia a alguém, meu amigo? Eu só posso dar o que é meu e se meu dia ainda nem começou, como posso dá-lo a alguém?
Hoje, posso considerar-me uma pessoa “educada”. Claro, claro. Estudei anos e anos em colégio particular caro, o qual tinha bolsa e suava às pencas para poder garanti-la. Fiz balé, estudei inglês e olhava para os dois lados quando atravessava a rua. Aprendi a ler e a escrever, e graças a Deus posso dizer que criei o hábito por fazer ambas as coisas com muito bom gosto e requinte. (…)
Mas só agora, prestem bem atenção, só agora que rio à toa, que acho graça das piadas sem graça das pessoas, que “dou bom dia” a quem eu nem conheço só pelo simples fato de cruzar com o mesmo em qualquer percurso banal, é que sou considerada uma pessoa educada.
Não sei se cuspo na cara dos outros agora ou se deixo para mais tarde, sabe? Não consigo entender, não entra na minha cabeça qual a dificuldade que encontram em ser simples, objetivo. Nunca deixei de desejar um bom dia aos que me cercam, e se ainda não tomei uma dose de cianureto no café da manhã é porque transbordo de esperança a cada amanhecer.
Não jogo lixo na rua. Boto maior fé no desenvolvimento sustentável, da mesma forma que levanto a bandeira de que a Amazônia é nossa. Não sou preconceituosa com raça cor ou credo. Acredito plenamente na energia que as pessoas transmitem, acredito em cosmos. Rezo antes de dormir, leio o Evangelho sempre que sinto um aperto no coração e isso me acalma. Estou perdendo ou resgatando princípios? Ainda não sei.
Eu acho que, na verdade, educar-me só serviu para me deixar assim, com gastrite, porque me deu uma compreensão tão grande sobre um monte de coisa que me deu mais vontade de saber mais um monte de coisa e me sinto assim, vazia ainda de um monte, monte-monte muito grande de muita coisa que eu sei que o mundão lá fora está a espera de quem quiser desfrutar.
Não sei se quero aprender a conviver em sociedade. Nem sei se o que faço hoje em dia é isso. Não sei se vivo ou sobrevivo. Não sei se caso, compro uma bicicleta ou se opto por tornar-me vegetariana. Não sei. E ainda sim sinto uma paz interior por não saber, porque ver o noticiário de manhã cedo me dá calafrios aí eu volto a me perguntar: ora porra, bom dia para quem, hein?
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* Santarena, é universitária. Escreve regualrmente neste blog.












3 Comentários Recebidos
2/5/2008 @12:19 pm
Da bom dia pro:
Lula
Lira Maia
Ana Julia
Antonio Rocha
Maria docarmo
Osmando figueiredo
Jade Barbalho
Priante
José Maria Taajós
Dulciomar
Renan Calheiros
Mão Santa
José Sarney
Nelson Vinente
Nivaldo Pereira
Antonio Junior
Garotinho
Cesar Maia
Paulo Roberto Matos
Roberto Lâvor
Roberto Branco
Tribuna do Tapajós
O Impacto
Radio Guarany
Tv Ponta negra
Diário do Tapajós
e outros…Acho que esse turma mereçe um bom dia
abraços.
2/5/2008 @7:47 pm
Vivemos em uma sociedade de tantas convenções que nos obrigam a acreditar em conceitos, que deixaram de ter validade nos dias atuais, porém, muitas vezes continuamos crendo nas verdades pré-estabelecidas para não deixarmos a chamada “boa educação”. Pois as pessoas “educadas” são obedientes a todo tipo de convenção, sem nenhum questionamento, preferem dar bom dia, mecanicamente, fazem vista grossa as disparidades sociais e defendem idéias ultrapassadas a respeito de tudo. Valorizo a educação da essência, em contraponto a formalidades.
Parabenizo a universitária, Paula Hoyos, pela reflexão.
5/5/2008 @8:25 pm
Paula,
Não conheço você, porém, lendo o que escreveu me senti impelido a te desejar um bom dia amanhã, e para todos dos dias depois de amanhã.
Simples assim…
Beijo no seu coração
Luiz
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