Josué Vieira (*)
tens o direito de permaneceres sem conceito em tua língua. Emudece teus ideais coloca-os na guilhotina e pede ao verdugo que testemunhe a favor da tua despersonalização. Encontre no fundo do que presenciastes a finitude do caráter. Para consolo de tudo perder, coma as mãos, sinta os dentes triturarem tuas cartas não escritas e as memórias engavetadas no arquivo da escrivaninha.
Antes que a única afirmação, negar, correr palavras a teu favor, proceda queimando teus mortos no escarninho do teu luxo, não deixem lista dos afortunados à fogueira, nem incentive a escritura de cartas, pois elas já foram remetidas ao endereço do esquecimento. Concorde com suas idéias e a elas faça de mandatário. Sejas o absurdo, não conduza a solução ao problema; sejas perdido, como esconde-esconde, ache-se para perder-se de novo, assim torne-se roda viva de viradas ausente, uma imagem dos ruídos da carcominha.
Desejar uma pausa é calar, por isso, deseje, tome, faça-a de muletas, arrume um chapéu e vá praça ou à paradas de ônibus, sente e espere, “por favor senhor um trocado”, toque todos a sua volta com esta expressão de lar-natureza, deixando a tranqüilidade dos teus olhos te levarem aos recantos incertos do outro dia repetir, simulando faces, trejeitos e maleabilidades vocais do pedir. E ao fazer conduza o problema ao absurdo, sê-lo, para ordenar, condenar, repetir e falar, ao final calar.
De fome não há nada que se recitar entre palavras de manejo, olhar, porque a barriga cheia a vomitar, e depois calar. Um ritmo de carta, rasgar, pelos de um era, “vá cagar”, para mais justificativa perder e calar, na ante-memoria trancafiar-se em ovo, “que fome”. Voltar a ser ovo. E calar.
Ande, melhor: corra. Os dias são rápidos e precisam de passos a mais em sua medida de 24 partes. Ao fim, cale. (…)
Faça amigos, melhor ainda: procure familiares. Relembre, deixe de escapatória uma lagrima justificar sua visita. Quando não lhe ocorrer mais nada de historia, desligue a luz das idéias, feche a taberna dos conceitos, e cale.
Procure um amor para intensificar a possessão raquítica dos teus instintos de estupros, sodomia, podolatria. Faça um filme, inaugure a criatividade macabra do teu salivar, sacie, sacie, sacie, rasgue, morda, quebre, coma, fôda, cague, cuspa. E cale…
Procure um prato em que o fundo não de no teu reflexo, seja opaco, sem cor, e sem a voz ecoante das comparações. Depois cale.
Não morra, não procure suicídio na esquina nem na faca, não há muro alto, nem forca para tua voz, o que nós queremos e que se cale, e que pense que calar vá lhe dar o que falta em teu elogios, em tuas partes de viver, naquilo que difundes, não queremos um morto herói, e sim um louco decadente. CALA-TE!!
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* Poeta e jovem escritor santareno. Escreve regularmente neste blog.













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