por Paula Hoyos (*)
Três garotos da Geórgia, EUA, foram presos por atacarem carros usando coquetel molotov. Quando pegos, disseram que a culpa era do jogo GTA Liberty City. Os três afirmaram que foi o jogo que ensinou a fazer isso.
Certo. Para constar, no GTA ninguém ensina a fazer coquetel molotov: esse tipo de explosivo é comprado nos becos da cidade. Segundo: todo mundo aprende a fazer coquetel molotov na escola. Oras, quÃmica básica e simples, não é uma bomba de hidrogênio é só uma garrafada de explosivos caseira. Se você prestar atenção nas aulas do colegial, aprende. Ou aprende agora, basta buscar na internet.
Então eu sei fazer coquetel molotov desde os 14 anos. Mas eu já fiz? Não. Basicamente porque não sou criminosa. Já sabia que é crime explodir carros desde essa idade. Quando eu era adolescente meu cérebro nunca foi manipulado por jogos de videogame. Nem quando eu era criança - não comi cogumelos para crescer nem bati a cabeça em blocos esperando que pulassem moedas deles.
Justificar imbecilidade adolescente em games é fácil: todo moleque e 15 anos joga videogame. Todo moleque de 15 anos gosta de jogos sangrentos. Agora, não é todo moleque de 15 anos que joga bomba caseira em carros. Isso é coisa de menino burro.
Para um menino desses, qualquer coisa justifica um ato violento. A desculpa tá na ponta da lÃngua: foi o videogame, a culpa é da escola, a culpa é do meu pai, a culpa é do meu cachorro que comeu o dever de casa. Não podemos ver meninos de 15 anos como vasos ocos prontos para serem repletos com qualquer coisa que se enfie neles, principalmente quando isso é violento e criminoso.
Eles sabem muito bem que não se deve incendiar carros. Querem amenizar a pena jogando a culpa em algo externo. Como um assassino que diz ter ‘uma doença mental’ para receber pena menor. (…)
Em defesa do GTA e de qualquer jogo de videogame (mesmo os mais ruins), aviso aos juÃzes, pais e aos jornalistas sensacionalistas: videogame não ensina você a matar, queimar, trucidar e lançar raios pelos olhos. Videogame é diversão e pessoas normais sabem que ele não é nada mais do que isso. Se vocês temem que indivÃduos façam coisas erradas por exposição à violência deviam dar um passeio na terra do algodão doce, onde pôneis alados brincam com borboletas. Opa! Que pena… O pônei acabou de ser devorado por um leão faminto. As tripas do pequeno pônei voaram em cima das borboletas! Que horror!
Violência existe desde sempre. O que existe também é discernimento do que é certo e errado. Algo inerente ao ser humano. Agora dá licença que eu vou matar um traficante jamaicano no GTA - preciso ganhar dinheiro para comprar um lança-mÃsseis.
Depois vou fumar um cigarro e brincar com meu cachorro. Na vida real.
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* Santarena, é universitária.













5 Comentários Recebidos
15/10/2008 @8:03 am
Quanta satisfação por ver a talentosa Paula Hoyos de volta ao Blog! Adorei! . Parabéns, Jeso.
15/10/2008 @1:02 pm
ótimo texto. chega dessas bobagens de culpar jogos por problemas causados pela falta de uma educação de qualidade.
seguem mais informações que vão contra esse clichê que diz que o videogame é o vilão:
http://finalboss.uol.com.br/fb3/ctu.asp?cid=47392
http://www.gamereporter.org/2008/04/03/os-games-nao-sao-culpados-diz-doutora/
http://meiobit.pop.com.br/games/cultura-gamer/falso-moralismo
http://www.gamecultura.com.br/content/view/301/9/lang,pr-BR/
http://finalboss.uol.com.br/fb3/ctu.asp?cid=50775
http://olhardigital.uol.com.br/digital_news/noticia.php?id_conteudo=6370
http://finalboss.uol.com.br/fb3/ctu.asp?cid=50665
15/10/2008 @2:39 pm
Toda ação tem sua reação, o que gera uma desculpa.
O que justifica na roma antiga o povo que se divertia ao ver os gladiadores lutarem até a morte? Falta de opção em entretenimento?
O que justifica o maniaco do parque matar varias mulheres? Insaniedade mental? Dá uma nota de cinquenta reais pra ver se ele rasga..
O que justifica em São Paulo, um infeliz entrar em uma sala de cinema e sair dando tiro em todo mundo? CocaÃna? Naquela ocasião o jogo era o Doom2, que por coincidencia eu era viciado nesse jogo, nem por isso peguei uma arma, fui ao antigo cinerama de santarém e disparei em meia duzia de pessoas que assistiam algum filme batido.
Como diz o ditado: “Cabeça vazia oficina do diabo”
Estamos no caminho do caos. Onde todo mal vai ter sua explicação e todo bem sua manifestação.
17/10/2008 @1:41 am
Égua, Super Nintendo, tia?
GTA não roda em Super Nintendo, nem jogando coquetel motolov. GTA roda em PlayStation (PS) e em computador. Super Nintendo é jurássico, de antes do Nintendo 64, que já é histórico.
Super Nintendo poderia “justificar” os crimes de uns 10 anos atrás… mas de hoje.. não.
20/10/2008 @7:21 pm
Aiiii Paulaa..
ADOREEII³ o poost! Gosto do jeiito que escreves e concordo plenameento com esse teu texto..
Hoje em dia a culpa nunca é de ninguém, é da doença, é do papagaio, do cachorro, do macaco, da internet, do videogame, do diabo, do periquito, do gato, do palhaço.. enfim mais uma porrada de coisas aii…
Ninguém carrega mais suas responsabilidades, ninguém nunca fez nada…
Desde criança meus pais me ensinaram a responder pelos meus atos e não sei se todo mundo cresce com isso na cabeça..
Não é porque eu jogava Bomber Man que eu ia ficar explodindo ‘bombinhas’ pra achar coisinhas por ai… ou então jogando Mario Kart eu iria pensar em jogar cascos de tartaruga nos carros nas ruas e assim por diante..
Mas enfim, que as pessoas aprendam a se responsabilizar por seus atos.
Beeeijo Paula :*
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