por Cristovam Sena (*)
Jeso, em fevereiro de 1956 eu tinha oito anos incompletos e minha lembrança desse tempo não passa de fiapos que a memória conseguiu segurar. O que aconteceu fora do meu mundo nada ficou registrado, e o meu mundo era o Grupo Escolar Frei Ambrósio (morava na Fortaleza em frente ao Grupo) e o Rio Tapajós com suas praias e peladas ao lado do Trapiche, onde hoje está localizado o Mascotinho.
Os personagens que identifico dessa época se chamavam Gorila, Acari, Ratinho, Tubarão, Baldino, Mucurinha, Xabregas, Tamancão, Toneca, dentre outros. Todos peladeiros que não tinham nada a ver com a revolução particular tramada pelo Veloso, Paulo Victor e Lameirão e que deixou o mocorongo Cazuza como único mártir. Os três mosqueteiros não conseguiram sensibilizar os moradores da região para aderirem à causa que defendiam e a revolução acabou como começou. Os três solitários revolucionários foram presos na Amazônia por tentativa de golpe ao governo JK, estabelecido no Rio de Janeiro.
Detalhes sobre a Revolta de Jacareacanga fiquei sabendo anos depois, quando passei a me interessar pelo assunto, conseguindo reunir um bom material histórico, inclusive depoimento de personagens que, segundo eles, participaram ativamente desse fato.
Tenho inveja de quem possui memória de elefante. Conheço e conheci várias pessoas com essa capacidade quase infinita de armazenar lembranças da infância. Quando preciso, manejam com facilidade os escaninhos da memória.
Sou um típico computador português da piada, no lugar da memória uma vaga lembrança. Por isso adquiri o hábito de escrever sobre o que vejo e o que sinto no dia-a-dia, única forma encontrada para não ser traído pela memória.
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* Santareno, é engenheiro florestal e coordenador do ICBS (Instituto Cultural Boanerges Sena).













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