por Erik L. Jennings Simões (*)
Aceitei o convite do secretário Estadual de Saúde para trabalhar no HR. O secretário não falou quando o hospital começa a funcionar com internações e outras atividades de complexidade, para as quais foi destinado, mas assumiu um compromisso de fazê-lo “o melhor hospital do Estado do Pará”, segundo suas próprias palavras.
Seguindo os princípios da ética na medicina e da coerência, aceitei. Como médico não posso recusar um convite para cuidar das pessoas, pois para isso fui treinado e este sempre foi o objetivo de todas as lutas. Mais ainda: faço parte de um grupo de cidadãos e cidadãs que cresce, a cada dia, unido pelo sentimento de indignação pelo desprezo histórico do governo do Estado para com a região oeste do Pará e que deseja mudar este panorama, não só com discursos, mas também com atitudes e trabalho.
Não fui pedir emprego. Fui procurado pelo diretor do hospital e o trabalho me foi oferecido. O convite foi aceito, com o apoio da Sociedade Paraense de Neurocirurgia e também com o compromisso de fazermos dele o melhor hospital do Estado, como, convicto, falou-me o secretário.
Dentro deste compromisso, não importando a agremiação partidária, o hospital é do Estado e para o Estado posso também fazer o meu melhor. E temos tudo para sermos o melhor hospital do Pará. Mas para isso, seus diretores, e mesmo o Governo, têm que reconhecer que o movimento social teve participação fundamental para as coisas, mesmo que lentamente, acontecerem.
Não fosse pela mobilização popular, teríamos avançado até aqui? A importância regional deste hospital torna necessário um controle popular e transparência administrativa, por isso sempre tenho sugerido a formação de um conselho gestor, formado por representantes da população, sendo este o natural destino da mobilização criada para pedir o funcionamento do hospital.
Quando o hospital vier a funcionar, não devemos parar com a mobilização. Muito pelo contrário, é justamente nesse momento que começa o grande desafio do Estado em proporcionar o que realmente é de sua responsabilidade, como também da população cobrar o que lhe é de direito, com autonomia e sem interesses político-partidários.
Como médico neurocirurgião estou mobilizado e disponível para exercer minha função, mas como cidadão continuo vigilante e desprendido de qualquer remuneração ou cargo. Para fazer o gigante adormecido acordar e ser o melhor hospital de nosso Estado precisamos permanecer mobilizados e, se preciso, irmos às ruas, nem que seja para dizer “até que em fim!”; “Acordou!”.
Nem que seja para cantarmos os tristes parabéns de um ano de sono, mas com a esperança que o movimento popular e a justiça nos proporcionem um ano novo mais de festas que de luto.
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* Santareno, é médico neurocirurgião.













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