por Helenilson Pontes (*)
Um dos grandes, sérios e crescentes problemas da humanidade está no adequado tratamento do lixo, sobretudo aqueles provenientes dos aglomerados urbanos, de maior ou menor dimensão, onde ganha destaque o chamado lixo tecnológico, representado pelo descarte, na esteira do lixo comum, de CDs, DVDs, telefones celulares, pilhas, baterias, televisores, rádios, lâmpadas fluorescentes e até monitores de computador.
Se, por razões de restrições orçamentárias, nas cidades brasileiras o tratamento do lixo orgânico já não é o adequado, do ponto de vista dos princípios atinentes à sustentabilidade ambiental, mais grave ainda é o descaso com o lixo eletrônico que, nos aterros sanitários comuns, constitui fonte de liberação de metais pesados (entre eles, chumbo e mercúrio), causadores de problemas de saúde graves, que vão desde o câncer e distorções no funcionamento do sistema nervoso central até a má formação de fetos.
Para se ter uma idéia de números, há atualmente no Brasil mais de 130,5 milhões de aparelhos celulares e mais de 50 milhões de computadores, sendo que são consumidos no país anualmente 1,2 bilhão (repito, bilhão) de pilhas e 400 milhões de baterias de telefone celular.
Tendo em vista o aumento da classe média brasileira, decorrente da inserção no mercado de consumo de um grande contingente de pessoas antes situadas nos escalões mais baixos da pirâmide social, o acesso a produtos tecnológicos tende a explodir no Brasil nos próximos anos, a exigir uma atenção ainda maior dos Poderes Públicos com a questão relativa ao tratamento adequado do lixo urbano.
Merece relevo neste sentido a iniciativa tomada pela Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo no sentido de promover um mutirão de coleta do lixo eletrônico, através da implantação em 372 cidades paulistas de duas mil caixas de coleta em estações do metrô, estações de ônibus, parques e prédios do governo. Parcerias também permitem que as empresas (supermercados e redes varejistas) funcionem como centros de coleta. Uma vez coletado, o lixo eletrônico será retirado por uma empresa de transporte e logística que o entregará a uma empresa especializada na sua reciclagem.
Programas como este representam, ainda, importantíssimo instrumento de conscientização ambiental, sobretudo para crianças e adolescentes que verão o empenho e compromisso da nossa geração com uma vida ambientalmente saudável para a geração deles.
Aí está uma boa idéia, com custo reduzidíssimo, para tratar um problema que está se transformando em questão de saúde pública.
Oxalá a iniciativa deixe de ser um mutirão para se transformar em uma autêntica política pública permanente, que merece ser copiada por todos os demais Estados e municípios brasileiros.
Este é um exemplo de que os grandes problemas públicos nem sempre precisam de grandes recursos, às vezes basta um pouco de imaginação e vontade de fazer.
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* Santareno, é advogado.












1 Comentário Recebidos
30/10/2008 @3:52 pm
Nenhum centavo público deveria ser gasto para limpar a sujeira eletrônica que à décadas emporcalham e agridem de forma irreversível o meio ambiente. Estas multinacionais que produzem este “lixo eletrônico” ,deveriam ser obrigadas a recolher seus produtos que ficam obsoletos, subsidiando programas de conscientização e de coleta em todo o mundo.
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