Foto: Rozinaldo Garcia
Emanuel Silva fala aos conselheiros. Atrás, de camisa branca, na 1ª fila, o Chato
por Evaldo Viana (*)
O Conselho Municipal de Saúde realizou, na última sexta-feira, na Câmara Municipal de Santarém, uma audiência pública com o propósito de ouvir do Secretário Municipal de Saúde, sr. Emanuel Silva, explicações detalhadas de como se comportaram as receitas e as despesas administradas pela Semsa no 3º quadrimestre de 2007.
À audiência pública compareceram todos os conselheiros do CMS, duas dezenas de cidadãos interessados no assunto, nenhum vereador e o secretário de saúde, acompanhado de uma assessora.
Muito sorridente e demonstrando ares de quem estava num ambiente alegre e festivo, o secretário Emanuel Silva comunicou que a sua assessora iria fazer a exposição detalhada das contas da Semsa do último quadrimestre de 2007.
Em pouco mais de 15 minutos a assessora do secretário deu conta do recado. Desdobrou as receitas de cada programa (cada programa tem uma conta específica) em três ou quatro itens e as despesas também foram apresentadas em semelhante formato.
A prestação de contas do secretário, em linhas gerais, limitou-se a revelar o total das receitas e o total das despesas.
Após a conclusão do arremedo de prestação de contas, foi franqueada a palavra aos membros do conselho, de onde saiu apenas uma única pergunta e, na seqüência, o secretário iniciou uma exposição, esta bem mais demorada do que a prestação de contas, sobre a importância de se pintar os prédios das unidades de saúde com cores bem vivas e fortes. Mostrou um bom número de postos e centros de saúde antes de pintados (até julho ou agosto de 2008) e após receberem a pintura em tinta óleo (em setembro de 2008).
O evento caminhava muito bem e conforme imaginado pelo secretário: estava prestando contas de milhões de reais, de uma secretaria da qual ele era o titular, ao Conselho Municipal de Saúde, cuja função precípua é zelar pela correta aplicação desses recursos e fiscalizá-los, e nenhuma pergunta relevante havia sido formulada.
Mas, lá da galeria, vendo que o evento caminhava célere para se transformar numa encenação, numa representação, numa pantomima, um chato (a quem furtivamente o secretário chamou de doido) decidiu fazer umas perguntas sobre a aplicação dos recursos públicos geridos pela Semsa.
O Chato, ou doido, perguntou ao secretário, supondo que o mesmo fosse um profundo conhecedor do que se passa em sua pasta, qual a razão do programa de capacitação de recursos humanos da Semsa, com dotação inicial de R$ 50 mil, não ter sido realizado.
E eis que se operou no secretário um estranho e inexplicável fenômeno: o homem trocou o ar tranqüilo, sereno e afável, por uma repentina gagueira, que lhe seqüestrou a língua e a memória. Demonstrou desconhecimento da existência desse programa. Pediu socorro à assessora, que lhe emprestou uma falaciosa justificativa para a não realização da capacitação dos servidores da Secretaria de Saúde.
O Chato, ou Doido, perguntou ao sr. Emanuel Silva por quê o Programa Expansão, do programa Saúde da Família, com dotação inicial prevista na Lei Orçamentária Anual de R$ 410 mil, não foi executado. O ortopedista, pelo ar de surpresa que fez parecia ter saído de um sarcófago, respondeu: “Programa o quê?”.
O Chato explicou didática e pausadamente e ainda assim o secretário não entendeu. Socorreu-se novamente da assessora que desenrolou a língua da múmia, digo, do secretário, com a desculpa de que os recursos não foram repassados à prefeitura. Não disse, porém, as razões pelas quais o programa não foi expandido com recursos próprios.
O Chato perguntou ainda ao lívido secretário explicações para o fato do Programa de Atenção Básica – PAB- ter apresentado no 3º quadrimestre de 2007 saldo de R$ 1,02 milhão, o que em tese corresponderia às despesas empenhadas e não pagas; e no quadrimestre seguinte (1º de 2008) os restos a pagar de 2007 desse programa totalizarem apenas R$ 207 mil. Que rumo tomou a diferença?
Como o secretário já havia abusado da gagueira, do esquecimento e da ignorância, apelou para simulação de indignação com a pergunta. Ao final, não conseguiu explicar nada.
O Chato fez mais uma pergunta ao chefe da Semsa: por que as despesas realizadas com o Conselho Municipal de Saúde ficaram bem abaixo da dotação inicialmente prevista na Lei Orçamentária Anual? O lívido secretário, não de todo refeito da gagueira e do autismo demonstrado quando começou a ser interrogado pelo chato, disse que os recursos são repassados ao CMS conforme suas necessidades. Se mais não foi repassado é porque o Conselho não apresentou demandas, etc.
O que se seguiu foi algo raro de se ver em Conselhos marcados por extrema docilidade e completa subserviência aos secretários de saúde: Levanta uma conselheira, indignada com o cinismo e caradurismo do secretário, e põe-se a esculhambá-lo com notável eloqüência e e impressionante vigor, que não conseguiu mais apelar para o recurso da gagueira, da ignorância e do autismo. Apelou para o nanismo. Encolheu, apequenou-se e visivelmente, parecia apelar para esconder-se, mesmo que fosse num sarcófago.
É possível crer que o secretário Emanuel Silva ainda volte a comparecer a uma audiência pública para prestar contas da Semsa? Creio que não, pois é certo que lá estará presente novamente o chato e, quem sabe, outros cidadãos e contribuintes resolvam também dar uma de muito doido e questioná-lo sobre os gastos da sua pasta.
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* É servidor público federal. Escreve regularmente neste blog.














9 Comentários Recebidos
27/10/2008 @3:53 pm
Evaldo gostei do novo estilo, ainda está meio enrolado, deves complementar com uma explanação mais clara, para leitura comum dos mortais não técnicos, a final o Secretário gastou mal ou não soube explicar o que gastou? As contas bateram ou a matemática financeira de doido chato também não sabe mostrar a verdade.
Por que me pareceu que houve um questionamento: “por quê o Programa Expansão, do programa Saúde da Família, com dotação inicial prevista na Lei Orçamentária Anual de R$ 410 mil, não foi executado?”.
Na minha ignorância sei que muita previsão orçamentária é ficção, nem sempre tudo o que o orçamento contempla vira realidade, isso é assim em todo lugar do mundo capitalista, agora se o dinheiro foi pra conta para ser realizado e não se realizou é outra coisa.
Confirme isso Evaldo… aguardamos sua vigilância necessária e benéfica para Santarém.
Gerlandio Filho
27/10/2008 @4:28 pm
Evaldo, fale a verdade. A assessora desmontou todas as suas perguntas mirabolantes e voce se declarou “auditor federal”, quando questionado se eras um contador.
Agora diz que é mentira.
27/10/2008 @9:00 pm
O Evaldo diz orrores de um secretário da prefeita Maria do Carmo e um puxa como o Plantão diz apenas que o cara disse que era auditor?
27/10/2008 @11:01 pm
Armou-se o circo, a platéia a espera de explicações que pudessem convencê-las, mas se não, tudo bem, não entendiam nada de auditoria pública mesmo, serviria apenas para cumprir protocolo, para depois sair propagando que o Governo Maria e tranparente e responsável com o dinheiro público. Mas o que não contavam, é que no fundo, lá no fundinho, existia um homem que no seu amplo e irrestrito exercício de cidadão contribuinte e na sua modesta maneira de pensar e ser, questionava o Sr. Secretário sobre assuntos realmente relacionados como o objetivo da audiência pública, bem como, de suma importância no que se diz respeito a aplicação correta e eficaz dos recursos públicos destinados a saúde.
O resultado dos questinamentos, basta ler o texto, foi gagueira em cima de gagueira, sem contar com suor frio que escorria do rosto do tão nobre e até então aculturado Secretário de Saúde, vale dizer, que as centrais de ar estavam todas ligadas.
Acho que depois dessa, o mesmo abandonará sua pasta, e voltará para o seu consultório, pois lá, não passará por maus momentos como este e nem mais pelo vexame de tentar encontrar uma plausivel e convincente explicação que possa destoa os embaraços gerencias petistas.
28/10/2008 @9:02 am
Pelo amor de Deus, esse cara é um chato mesmo, não muda de assunto, fale amenidades……
28/10/2008 @2:26 pm
Realmente quem é vc mesmo auditor da RC? ou contador? Chato, mal educado e inconveniente já é. Ninguém precisa de tanto tempo para mostrar competência, 15 minutos é mais que suficiente para explicitar as contas do jeito que o povo gosta transparência e eficiência e ZERO de tapeação. A verdade é que o deixaram de boca aberta, nunca vi uma prestação de contas tão transparente, só não viu quem não estava lá. Arremedo foi o papelão que fez tal auditor da receita federal, tentou tumultuar com argumentação e não conseguir. Coitadinho ficou frustrado com seus argumentos fúteis. Quando não se tem nada a questionar o melhor mesmo é ficar calado e não fazer papel de anódino. Está enrolado com seus próprios comentários vagos e obscuros tentando nudibriar o leitor. A verdade é que o Secretário gastou e soube utilizar os recursos com competência e responsabilidade, a prova disso tudo é como a saúde melhorou em Santarém, só não vê que não quer. Logo vc se não tiver nada noticia por favor não escreve asneira, também o que se pode esperar do melhor contador de lorota e desse tal auditor furreca… Vamos dá uma moção aplausos para sarcasmos do contador? Auditor? sei lá. hhhnhhhhhhhh
28/10/2008 @4:21 pm
Tenho certeza que esse medroso que escreve com o pseudônimo “É verdade” iria receber uma boa resposta do Evaldo Viana se ele tivesse coragem de revelar o nome dele. Dá-lhe peia nessa gente Evaldo!
29/10/2008 @8:51 pm
Parabéns, trabalho no governo e apoio a atitude, se torna necessária sua chatisse para que sejam “abertos” os olhos dos que formam o conselho municipal de saúde, que é formado por pessoas que não entendem nada, alguns porque não tem o que fazer, o que o secretário falar tá falado, sendo que até secretário faz parte do conselho.
Mais uma vez, PARABÉNS, isso é democracia, espero que sempre você acompanhe todas as prestações de contas, alguém tem que “botar no 12″ para que a coisa ande ou pelo menos façam por onde andar.
31/10/2008 @10:26 am
Doido! não, Evaldo Viana é corajoso pra fazer perguntas e deix-los boquiabertos, pois eles vão com tudo decorado e quando aparece uma pessoa que faça uma pergunta eles desmoromam, pois não sabem o que dizer ficam gagos, tem gente que até faz pipi nas calça, parabens Evaldo!
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