José Edibal Cabral (*)
A reclamação é geral: calor infernal, também pudera o clima em todos os sentidos anda aumentando. Na política, a disputa é quem será capaz de governar e legislar o destino desta ainda Pérola do Tapajós, um pouco lapidada pela insensatez de pessoas que vê na política o trampolim pessoal. Não quero falar de política neste tempo quente de verão, quero o cotidiano, quero vê a vida de uma forma comum, simples.
Diversas formas são usadas por todos para diminuir o calor: a rede para embalar, é aquele pezinho na parede que fica a marca. O Celi sabe do que estou falando, pois a fama dele com os pés vão além da calçada da fama de Hollywood com as mãos. Morávamos em república em Belém e a parede do apartamento sofreu bastante, bem como também as novelas da Globo que a cada intervalo (estamos apresentando) era uma “vapada”, afinal os sete jovens que moravam na república eram: Hoiama, Celivaldo, Peri, Eduardo, João Cavalero, eu e o Antonio (Prego).
Todos tinham em comum estudar, e nosso guru era o Hoiama, terminando seu curso de Farmácia, e nós iniciando. Final de mês era uma loucura. Cada qual tinha seu esquema montado: namorada, parente pra visitar, todos à luta. Era muito divertido.
Lembro de um episódio. Eu não suportava maniçoba, pois meus pais, de origem cearense, não tinham o costume de degustar os pratos típicos da nossa região em nossa casa. Em uma dessas visitas a parentes, encontrei somente maniçoba. Pronto, hoje é uma das comidas que mais aprecio. O que tem isso com calor? Amizade, calor humano, sorriso e alegria.
Conversando recentemente com um cientista ambiental, ele me fez umas perguntas interessantes: quantos anos você acha que tem a terra? E você quantos anos tem? Você não acha que o tempo desgasta? O tempo padece, apesar das inúmeras renovações. (…)
- A terra está velha, muito velha, o homem não sabe cuidar, preservar. Como sou extremamente humanista, contei-lhe a conversa de um senhor de quem compro banana, mora no bairro do Jutaí, e que admiro muito sua sabedoria.
E aí seu Felício, tudo bom? “Graças a Deus, só este calor infernal que não deixa a gente sossegado. Ontem à noite, seu menino, não dormi direito, me embalava de uma lado e de outro, tomei três banho, e dei duas coçada que abriu ferida no saco”.
- Seu Felício, essa época do ano é assim mesmo.
- É verdade, mas me parece que a cada ano aumenta essa quentura. Olhe, seu menino, quando morava aqui anos atrás não era assim não.
- Há quantos anos o senhor mora aqui?
- Ixi, há cinqüenta anos. Quando cheguei por aqui, do Aritapera, não tinha nenhuma casa por perto. E era só mato. Matei muita cutia, paca, pesquei muito neste igarapé aqui do lado. Aagora você vê esse igarapé dá tristeza, seu menino.
- Olhe, aqui do lado, perto da casa do seu Alirio, tinha um pé de caju, uma mangueira, e uns trinta pés de açaizeiro. Era lama, agora derrubaram tudo. Pra o senhor vê como é a vida, e essa poeira maldita desta madeireira. Esse menino só vivia com tosse, parece uma guariba. Pra completar esse calor infernal, seu menino, nesta noite apareceu um grilo, que cantou a noite inteira no pé da minha rede. Procurei o maldito pra matar, e não encontrei. Pois olhe, só fui encontrar o peste de manhã no banheiro.
- Que calor em seu Felício! Até amanhã.
*** Dedicado aos amigos de sempre: Hoiama, Peri, Eduardo, João Cavalero, Celivaldo e Antonio.
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* Santareno, é advogado.













2 Comentários Recebidos
26/8/2008 @2:01 pm
Oi Jeso.
Desde o último mês de maio, por motivo de trabalho estou morando em Belém. A saudade da nossa pacata cidade e dos amigos é muito grande, principalmente por que a minha filha Thaís, por causa do estudo ainda está aí. É muito bom ficar por dentro do que está acontecendo por aí. É por isto que sempre estou acessando esta página, principalmente para ler o que meu “querido cunhado PIPA” escreve.
Um saudoso abraço aos conhecidos, principalmente à família Carneiro. Até breve.
26/8/2008 @3:26 pm
Oi oi Helô! Em enorme abraço pra vc. também!
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