por Nelson Vinennci (*)
Eu tenho me divertido com certos internautas que denomino de “salientes virtuais”. Dentro deste rótulo tem de tudo, mas o que me encanta mesmo é a coragem da exposição da idéia deles.
Tenho acessado outras praias virtuais - salas de bate-papo, msn, entre outras - e me deparo com signos e códigos que quebram completamente a norma culta padrão da língua e desprezam a formalidade da escrita, pra dar vazão à idéia.
A velha gramática que me desculpe, mas na internet o que vale mesmo é a exposição de idéias. É muito compreensível que assim seja por se tratar de uma rede global, com muitas línguas em cena e pensamentos diversos que não podem se limitar à norma culta, padrão de um país.
O internauta constrói novos símbolos e signos de comunicação na rede. Os mais conservadores vão ter que se acostumar com essa novidade definitiva, sem volta.
Essa coisa de professor de gramática ficar corrigindo erros ortográficos, de concordância ou qualquer coisa do gênero na internet me parece paranóia de gente atrasada. É pieguice quem censura o internauta por falta de domínio da língua escrita. Isso é irrelevante para o grande momento em que vivemos hoje.
Nunca no mundo a exposição de idéias está sendo colocada de forma tão ágil, rápida e acessível para todos como agora. É a interatividade virtual das idéias. Então, esse momento deve ser respeitado, e principalmente deve ser recebido como algo extraordinário e saudável do mundo global.
Aqui, o Jeso já faz muito bem isso. Não é à toa que este blog é um fenômeno de acessos. Tudo a ver com a maneira democrática como lida com os comentários, sem se importar com erros gramaticais.
O medo de escrever errado deixa os mais conservadores fora de grandes debates, e suas idéias, que poderiam contribuir para uma boa discussão, para o avanço da sociedade, acabam se perdendo no tempo e espaço.
É o inxirimento dos “salientes virtuais” que nos desperta para outros pensamentos e outras maneiras de ver este mundo. Que leva-nos a propagar soluções para os problemas da cidade, mesmo que escritas com erros de português.
Então, “saliente virtual”, continuemos a escrever boas idéias. Não liguem pra torcida…
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* É cantor e compositor nascido em Oriximiná e residente em Santarém há décadas. Escreve regularmente neste blog.












4 Comentários Recebidos
7/8/2008 @5:20 pm
Nelson muito boa sua observação, o que importa é o entendimento da mensagem, muitos intelectuais falam errado, escrevem errado há muito tempo.
Com a linguagem do internauta a coisa se torna mais compreensiva.
7/8/2008 @6:06 pm
Ah, o senhor aprendeu rapidinho a aceitar: “Nunca no mundo a exposição de idéias está sendo colocada de forma tão ágil, rápida e acessível para todos como agora. É a interatividade virtual das idéias. Então, esse momento deve ser respeitado, e principalmente deve ser recebido como algo extraordinário e saudável do mundo global.”
Lembrei bem de um certo post cheio de moralismo que foi escrito no início do ano sobre assunto correlato, que condenava os que escrevem qualquer coisa na internet - rsrsrs - Parabéns, senhor Nelson, por ter avançado seu pensamento sobre o tema.
7/8/2008 @6:24 pm
Sem dúvida, a internet abriu ambientes vários de participação popular, deve ser o espaço mais democrático que já surgiu em toda a história da humanidade, e como espaço novo, criou-se um novo padrão de linguagem. Isso não quer dizer que tenhamos que deixar observar erros de escrita e, pior, tenhamos que concordar com esses erros. Qualquer manifestação é importante - isso não quer dizer que sempre o que se escreve é “uma boa idéia”. Importa, sim, o “entendimento da mensagem”, mas a linguagem do internauta nem sempre “torna a coisa mais compreensiva”.
Saliente é o que sobressai, dá nas vistas, é notável. Isso vale para os acertos e para os erros.
7/8/2008 @7:21 pm
Pinky, excelente.
Além de erros de portugues, e tiriricas, o blog está cheio de hipócritas e demagogos.
Essa conversa mole de acalentar bovinos de que o que importa é a mensagem é o primeiro passo pra justificar a estupidez que geralmente é dita pelos próprios.
Felizmente tudo pode piorar!
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