por Edilberto Sena (*)
O calor está aumentando na região, e vai aumentar mais ainda, pois outubro e novembro são o auge do verão. Mas não é o verão o único vilão deste calor intenso. É preciso cada uma e cada um se dar conta que a violência provocada na natureza não é algo inofensivo. Ela reage não por vingança, mas como conseqüência.
Quem até hoje tem aplaudido o crescimento do PIB santareno, as grandes plantações de soja e arroz em Santarém, Belterra, Alenquer e outras áreas da Amazônia; quem vem dizendo que interessa mais ver o crescimento econômico da região, cujos saldos ficam nas mãos de poucos, esses e outros mais ingênuos precisam ligar os sinais da natureza com essas causas.
Governos subservientes aos PACs e PASs, mesmo quando fazem propaganda para inglês ver, de que está diminuindo o desmatamento e que o Estado brasileiro é soberano para cuidar da Amazônia, também são responsáveis por esse aquecimento climático na região.
Basta somar os desmatamentos dos últimos 7 anos e o retrato fica mais visível. De 2003/2004, foram 28.000 kms quadrados; no ano seguinte foram 26.000 kms quadrados; em 2006 foram 17.000 kms quadrados e no ano passado foram 12.000 kms quadrados.
O governo se regozijou porque diminuiu o desmtamento, mas quando se somam os números se chega a 83.000 kms quadrados desmatados em apenas sete anos. Como em 2008 o mercado internacional subiu o preço a pagar pela soja, o desmatamento voltou a subir. (…)
Só no mês de julho foram mais 2.300 kms quadrados de matas derrubadas, boa parte no Estado do Pará e que somando-se no final do ano pode chegar a mais 9 ou 10 mil quilômentros quadrados.
Entenda-se, então, porque o calor aumenta mais e mais na região e as riquezas saindo diariamente pelos portos do Trombetas, de Santarém, da Cargill e de outros mais. Sai a riqueza mineral, madeireira e de grãos e ficam os buracos, a destruição florestal e a pobreza. A desordem urbana da cidade de Juruti é o mais novo retrato.
O Inpe confere a desgraça pelo satélite, mas os 24 mihões de habitantes desta Amazônia conferem a desgraça no corpo, no bolso e na desordem social. Surpreende a passividade das populações da região que reclamam, xingam, mas não reagem efetivamente.
Assim foi com a imposição do novo fuso horário, assim está sendo com as concessões de florestas e outras imposições de fora contra a Amazônia. Há servidão imposta, porém é estranha a servidão voluntária, por medo, por ignorância ou por conformismo fatalista.
—————-
* Santareno, é padre diocesano. Diretor da Rádio Rural AM, escreve regularmente neste blog.













1 Comentário Recebidos
25/10/2008 @9:46 am
Se os impostos sobre a exportação aumentarem + a pressão do Ibama + pressão do Incra, eles cansarão e deixarão o ramo.
O Brasil abre muito as pernas pra exportação de madeira e fecha muito pra incentivos fiscais de indústria na Amazônia oeste do Pará
Por que só o Amazonas e o Amapá conseguem incentivos pra indústria?
Por que os madeireiros não pagam as multas das infrações decorrentes do desmatamento, da divergência de saldo de estoque de madeira real com saldo prestado no ibama?
* Nem todos os trabalhadores dos madeireiros tem carteira assinada e todos os seus direitos vigorados, além da segurança no trabalho.
* Mas suas casas são luxuosíssimas, se quiser lhe dou o endereço das mesmas.
*Se vc é tão interessado na punidade destes atos criminosos, porque não arma o flagrante?
*Os madeireiros daqui são arrogantes, presunçosos e mesmo despois de tanta queda, continuam se achando os reis da cocada.
* Cadê o flagrante em alto e bom som? Todo mundo sabe e todo mundo cala, que inferno chamado Santarém!!!!!!
Deixe seu comentário