por Edilberto Sena (*)
A conversa dos empresários e do pessoal do governo federal é de que construir hidrelétricas na Amazônia é para trazer grandes benefícios às populações. E mais: dizem que não basta a usina de Tucuruí. Agora, além das usinas do rio Madeira e de Belo Monte, no Xingu, há planos de mais 5 hidrelétricas na bacia do Tapajós. Essa é uma das mentiras que está sendo divulgada.
Para atender às famílias do Pará, Amapá e Amazonas, os técnicos mais honestos garantem que a usina de Tucuruí tem capacidade de fornecer energia. Se Monte Alegre, Alenquer, Óbidos e Juruti, no Pará, e Parintins, Manaus e Itacoatiara , no Amazonas, não têm energia de Tucuruí é porque não atravessaram o rio Amazonas com os cabos de eletricidade. Existe o projeto, mas não há interesse nem da Rede Celpa, nem dos governos do Pará e Federal.
Por que então o governo federal insiste em construir 6 imensas hidrelétricas tão vizinhas - uma em Belo Monte, no Xingu, e 5 no rio Tapajós? Para atender a quem?
Quando um diretor do Departamento Nacional de Infra-Estrutura e Transportes, Denit, esteve há poucos dias em Santarém e declarou que o rio Tapajós era essencial para o governo federal construir hidrelétricas, isso causou revolta em moradores do alto Tapajós. Lá existem mais de mil famílias, e mais adiante, acima das primeiras cachoeiras, existem 5 mil indígenas Mundurukus, Kaiabis e Apiacás que também sofrerão um desastre caso essas faladas hidrelétricas venham a ser construídas.
O pessoal do governo, submisso às grandes empresas mineradoras, trata o povo da Amazônia como gado. Basta mudar a fazenda e está resolvido.
Até agora, os milhões de toneladas de minérios extraídos do Pará e da Amazônia só deixam estragos no meio ambiente e nas populações, sem nada de desenvolvimento humano. Ouro do Tapajós, cassiterita e diamantes em Rondônia, bauxita no rio Trombetas e logo, logo, mais bauxita de Juruti, deixam a devastação, alguns empreguinhos temporários e os lucros vão para o estrangeiro.
Muita gente sabe disso, mas… É um absurdo de ignorância quando empresários e políticos estão aplaudindo os planos feitos para prejudicar os povos da Amazônia. Ou será oportunismo simplório?
Cinco hidroelétricas serão a morte do belo rio Tapajós, a morte de tantos moradores que vivem às margens do ainda belo rio e desgraça para o meio ambiente da Amazônia. Por que deixar acontecer tanta desgraça?
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* É padre e diretor da Rádio Rural AM. Escreve regularmente neste blog.












14 Comentários Recebidos
31/10/2008 @9:33 am
Essa música de Gilberto Gil me parece oportuna para esta pensata do Santo Padre. Só que em 77 ainda não havia TV nas tribos, então pra que energia elétrica? Hoje não sei se os índios sobrevivem sem a novela, os DVs de sacanagem, água gelada e outras coisitas mais que a eletricidade nos proporciona.
De uma coisa eu sei, e falo por mim, é rápido que me acostumo com coisa boa… não sei o Santo Padre, mas mora dentro do Nelsinho um caboclo que adora um conforto, ar-condicionado, TV, DVD, ventilador, sorvete, celular, computador e tudo que liga na tomada. Se vai sobrar energia, que sobre, agora faltar aí eu entro na briga.
Nelson Vinencci
UM SONHO (Gilberto Gil 1977)
Eu tive um sonho
Que eu estava certo dia
Num congresso mundial
Discutindo economia
Argumentava
Em favor de mais trabalho
Mais emprego, mais esforço
Mais controle, mais-valia
Falei de pólos
Industriais, de energia
Demonstrei de mil maneiras
Como que um país crescia
E me bati
Pela pujança econômica
Baseada na tônica
Da tecnologia
Apresentei
Estatísticas e gráficos
Demonstrando os maléficos
Efeitos da teoria
Principalmente
A do lazer, do descanso
Da ampliação do espaço
Cultural da poesia
Disse por fim
Para todos os presentes
Que um país só vai pra frente
Se trabalhar todo dia
Estava certo
De que tudo o que eu dizia
Representava a verdade
Pra todo mundo que ouvia
Foi quando um velho
Levantou-se da cadeira
E saiu assoviando
Uma triste melodia
Que parecia
Um prelúdio bachiano
Um frevo pernambucano
Um choro do Pixinguinha
E no salão
Todas as bocas sorriram
Todos os olhos me olharam
Todos os homens saíram
Um por um
Um por um
Um por um
Um por um
Fiquei ali
Naquele salão vazio
De repente senti frio
Reparei: estava nu
Me despertei
Assustado e ainda tonto
Me levantei e fui de pronto
Pra calçada ver o céu azul
Os estudantes
E operários que passavam
Davam risada e gritavam:
“Viva o índio do Xingu!
“Viva o índio do Xingu!
Viva o índio do Xingu!
Viva o índio do Xingu!
Viva o índio do Xingu!”
31/10/2008 @10:22 am
Hoje estou realmente feliz por saber que tem um homem com o padre edilberto aqui em santarem,concordo,concordo,concordo,1bilhão de vezes.
padre edilberto pode contar comigo para defender um dos nossos maiores patrimônios que é o rio tapajós,podemos comerçar logo uma mobilização em defesa,vamos divulgar informações para população mostrando a verdade.
um dia desses fiz um võo para juruti,na volta veio dois passageiros que são tecnicos de uma empreiteira,quando me aproximei em um võo rasante no rio tapajós os dois tecnicos comentaram: que rio lindo! que praias vindas!um disse para o outro olha que areia branquinha! e o outro respondeu; que pena depois da construção das hidreletricas isso tudo vai acabar!
parabéns padre! o senhor tem um aliado! obrigado!
MEIO-AMBIENTA E DESENVOLVIMENTO NUNCA ESTARÃO LADO A LADO!
31/10/2008 @11:10 am
Os governos anteriores só já não haviam construído tais hidrelétricas por causa da resistência das organizações populares aos governos neo-liberais, autóritários ou “democratas” de então e por causa dos sócio-ambientalistas ligados, sobretudo, ao Partido dos Trabalhadores.
Hoje, o PT está no poder e, até agora, só tem mostrado seu lado desenvolvimentista, sindicalista, produtivista. De acordo com tal lógica dominante no governo, os recursos naturais estão aí para serem explorados mesmo, para gerar divisas, impostos, contínuos e crescentes saldos na balança comercial. O discurso da presenvação ambiental era só fachada! O sistema financeiro continua mandando na economia nacional e o PT está muito bem satisfeito com isso. È o novo gerente garantidor da continuidade da exploração milenar do trabalho dos pobres. Tudo indica que, desta vez, com o apoio do PT, o povo da região vai ter de “engolir” estas hidrelétricas. A governadora já falou que elas são “essenciais” para a economia do Pará. Adeus praia de Alter do Chão! Adeus para todas as praias lindas do Tapajós e do Xingu! Vamos ter de tomar banho no canal que fica do meio do rio, há mais de 1 quilômetro do início do areal (ou do lameiro!) que o banhista terá de atravessar! Para quem mora em Belém, tudo bem, a água e a energia continuarão chegando lá, mas para nós aqui da região, as consequências negativas são tão diversas que não podemos prever com exatidão sua gravidade. Com esse sol forte da Amazõnia em todo o norte do Brasil, dava muito bem para investir macissamente na energia solar, na energia dos ventos, e em pequenas unidades hidrelétricas que aproveitassem o movimento natural das correntezas dos rios sem necessariamente ter de represá-lós.
Mas os poderosos continuam no poder e comandam os destinos da economia nacional. Seus interesses são megalomaníacos e sua demanda por energia é gigantesca. Os índios do Tapajós e do Xingu terão de aceitar que seus mortos, além de enterrados, fiquem afogados junto com todo o seu habitat no imenso lago de ambição que comanda o Brasil
31/10/2008 @11:20 am
Jeso, favor inserir ao final do comentário enviado anteriormente: “Teremos tempo para celebrarmos, junto com nosso inesquecível e querido padre Edilberto Sena, a missa de CORPO PRESENTE do rio Tapajós e, ao final, passarmos o resto da vida chorando na beira do velho e morto rio tentanto eanimá-lo com nossas lágrimas. Ou então, antes que tudo isso aconteça, vamos juntos resistir com garra aos anseios megalomaníacos dos ambiciosos e, com toda a “energia” das nossas passageiras vidas, defender a vida eterna do nosso rio. Sou daqueles que prefere morrer lutando que passar o resto da vida chorando!”
31/10/2008 @12:49 pm
Falei de pólos
Industriais, de energia
Demonstrei de mil maneiras
Como que um país crescia
Os estudantes
E operários que passavam
Davam risada e gritavam:
“Viva o índio do Xingu!
“Viva o índio do Xingu!
Viva o índio do Xingu!
Viva o índio do Xingu!
Viva o índio do Xingu!”
Índio quer luz na oca
31/10/2008 @1:54 pm
EVERALDO PORTELA,FAÇO MINHA TUAS PALAVRAS OBRIGADO MEU AMIGO,VAMOS TER CORAGEM DE LUTAR, EU TAMBEM PREFIRO MORREE LUTANDO,PARABENS, ENQUANTO EU TIVER VIDA VOU LUTAR.
JESO,ABRA UM ESPAÇO MAIOR SOBRE ESTE TEMA,VAMOS FAZER UMA ENQUETE COM A POPULAÇÃO,VAMOS LOGO ALERTA A TODOS ENQUANTO É TEMPO, VAMOS INFORMAR,VAMOS LOGO MOSTRA QUE AQUI EM SANTAREM NÃO TEM OTARIO,NÃO É SÓ INDIO QUE MORA AQUI.VAMOS LUTAR COMO VERDADEIROS GUERREIROS.
31/10/2008 @4:22 pm
Vocês teriam coragem de voar com esse Joaquim Hamad? será que ele faz coisa com coisa? pq dizer, ele não diz.
Será que ele entendeu que o padre escreveu?
31/10/2008 @6:35 pm
Ora indignado,as eleições para prefeito de santarem já passou,eu continuo sendo um simplis santareno,tu não precisa me atacar mais,estou defendendo o santuario TAPAJÓS.
É claro que eu entendir perfeitamente o padre,nós sabemos que a construção das hidroeletricas vão acabar com a nossa unica fonte sustentavel de ganhar dinheiro que são nossas belezas naturais,assim que nós tivermos governantes que tenha coragem como nosso inesquecivel JK,santarem vai viver do turismo,e assim viveremos de ser bonito,esse é o verdadeiro equilibrio entre DESENVOLVIMENTO X MEIO-AMBIENTE.
¨INFELIZMENTE EXISTE ELEITORES INDIGNADO,SOMBRIOS DA VERDADE E OPONENTES DO EMPIRISMO¨
31/10/2008 @7:57 pm
Joaquim Hamad,
Eu não ataco nem você, nem niguem, as minhas restrições nao é ao cidadão santareno que você diz ser, até pq eu nao te conheço como cidadão, profissional etc. eu restrinjo ao homem publico que você se tornou quando foi candidato e nessa condição você ha de convir, você escorrega pra caramba..mas nada de pessoal.
1/11/2008 @10:54 am
LEITOR INDIGNADO,gostei, voce mostra indignação mas mostra humildade,não sejas indignado comigo mas sim com que querem fazer com santarem e nossa gente,posso até escorrega,mais tenho coragem de lutar,não gosto do PT,mas tenho varios amigos que são filiados,não faço oposição a pessoas,não quero me aparecer,sonho com um cidade PEROLO DO TAPAJÓS.
TENHO CERTEZA,QUANDO TU ME CONHECER VAI MUDAR TUA OPNIÃO!
1/11/2008 @1:12 pm
Caro Padre Edilberto,
ainda no domingo passado conversei aqui em Belém com a Judith e a sua irmã, Eunice, acerca desse grotesco projeto.
A construção dessas hidrelétricas podem ameaçar não somente o meio-embiente, ameaça também a identidade de nossa gente, a forte e bela relação que temos com a natureza, na qual gostamos de mergulhar constantemente para nos purificar. Esse seria um golpe de misericódia na tribo dos Tapajós.
Eu, pelo menos, não consigo me ver no futuro falando aos meus filhos e amigos acerca de um paraíso onde nós habitávamos e que foi destruído. Moro em Belém, mas todas as vezes que penso em descansar, que desejo sentir a natureza me carregar no seu colo, ver coisas lindas, gente bonita, sorridente e com aquela amazonicidade original é em Santarém que me vejo.
Quem diria que os nossos “colegas” com quem compartilhamos tantos sonhos, com quem pensamos um projeto diferente de sociedade, de história, de humanidade e de ser humanos iriam se sentir tão à vontade cometendo os mesmos crimes de lesa pátria e lesa humanidade que as oligarquias que ajudams a combater juntos sempre cometeram.
Os governos Federal e Estadual já assumiram posição: vão mandar às favas o belo Tapajós se depender deles. Eu pergunto, e o governo petista aí de Santarém, irá nos decepcionar a este ponto também?
Já começarei a tratar em minhas aulas acerca desse crime que os nossos lastimáveis colegas governantes do PT pretendem cometer.
Mas estou preparado para encampar essa luta com todos aqueles que se propuserem. Vamos fazer um amplo movimento para tentar barrar essa insanidade capitalista, essa loucura desenvolvimentista e essa degeneração petista. No limite, vamos radicalizar, e não podemos esperar que eles iniciem a instalação do canteiro-de-obras.
Tenho uma idéia, desde já, vamos montar uma frente contra este absurdo.
1/11/2008 @5:54 pm
A propósito do projeto megalomaníaco do governo em construir hidrelétricas no Tapajós… Posso dizer que…
Um povo unido e organizado jamais deixará que os poderosos e poderosas do governo possam acabar com as riquezas naturais, sinais visíveis da criação divina… Precisamos sim, estar alertas,bem conscientes e muito mais organizados para impedir que “o poder” possa destruir a nossa vida. Não nos deixemos enganar pela força do capital que segue caminhos de progresso sem pensar na sustentabilidade do desenvolvimento humano. Existem outras formas autênticas de gerar energia… Isso bem sabemos! Levantemos nossas “armas”, nas escolas, nas igrejas e na sociedade civil organizada para defender nosso chão, nossa terra, nosso rio, nossos povos.
Preocupar-se com a preservação do meio ambiente é preocupar-se com o homem e a mulher que neste ambiente vivem.
Que viva sempre o Tapajós e o Xingú. Que viva o povo “amazônida-tapajoara-xinguara”… Expulsemos os exploradores de nosso chão. Lutemos juntos pela dignidade e a vida plena para todos. Pe. Edilberto, façamos juntos as nossas fileiras da defesa de nossas águas, na defesa da VIDA.
Pe. Auricélio Paulino.
8/11/2008 @8:31 pm
Poxa… “infelizmente existe ELEITORES INDIGNADO, sombrios da verdade e oponentes do empirismo”. Da próxima vez o Hamad pode chamar o Antonio Rocha pra vice e então fazem um pacote com uma professora de português.
5/12/2008 @2:54 pm
Não entendi. De que forma, exatamente, as prais e o rio Tapajós em si estão ameaçados? O que liga as hidrelétricas do alto rio Tapajós com o ambiente do baixo Tapajós, qual o mecanismo?
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