por Edilberto Sena (*)
Toda paciência humana tem limite. Ainda mais quando um coletivo de seres humanos sofre humilhações constantes. Chega um momento em que estoura a paciência.
Em 1988, o bairro do Santarenzinho era uma periferia abandonada pelos órgãos públicos. Havia uma linha de ônibus que mais desservia do que servia aos pobres moradores do bairro. A associação apelou a todos as ditas autoridades da época, entre elas o prefeito, o Detran e o dono da empresa. Mas nada de positivo acontecia.
Até que um dia, a paciência coletiva esgotou e a população do bairro quase toda foi à rua e expulsou os ônibus velhos e a empresa do bairro. Só assim as autoridades resolveram o problema e até hoje, uma das melhores linhas de ônibus é a da grande área do Santarenzinho.
De lá pra cá, em Santarém o serviço de ônibus tem passado por altos e baixos. Na última subida de preços de passagens, a prefeitura impôs condições para permitir o reajuste. Uma delas era que todas as empresas renovassem sua frota em ao menos 20%. Isto queria dizer que empresa que possui 20 ônibus deveria imediatamente retirar 4 ônibus velhos e comprar 4 novos.
Será que foi feita está renovação? Pelo volume de reclamações que chegam a público, certamente que não. É verdade que algumas empresas compraram alguns ônibus novos ou renovados, mas, pelo jeito o acordo não foi cumprido. (…)
Por que a Secretaria de Transportes não exige o cumprimento das regras? Não tem poder ou não tem vontade de pressionar os empresários? Quem deve ser respeitado em primeiro lugar, as empresas, ou os usuários? Afinal, o serviço de transporte coletivo é uma concessão da prefeitura, feita mediante regras de bom serviço. Os empresários pressionaram e ganharam o aumento no preço das passagens, mas até quando os ônibus imprestáveis vão continuar rodando na cidade?
Nem mesmo as toneladas de fumaça preta, que aumentam a camada de gás carbônico prejudicando o planeta, são controladas pelas autoridades, que parece não se importar com a população que sofre, não só com a fumaça de cada arrancada dos ônibus velho, mas também com os atrasos, com os assentos desconfortáveis.
Até que um dia desses, de tanto sofrer e vier à mente da consciência coletiva, a memória da rebelião do bairro do Santarenzinho em 1988, aí haverá solução rápida.
Oxalá!
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* É padre e diretor da Rádio Rural AM. Escreve regularmente neste blog.












3 Comentários Recebidos
26/10/2008 @12:07 am
PADRE ME PERDOE,O SR NÃO ANDA DE ÔNIBUS,EM 1988 O NUMERO DE HABITANTES NA GRANDE AREA DO SANTARENZINHO ERA APENAS DE 19 MIL E HOJE SÃO 74 MIL HABITANTES,NÃO AUMENTOU E NEM MELHOROU NADA DE LÁ PARA CÁ,AS RUAS SÃO RUINS,AS EMPRESAS SÃO RUINS,OS ÔNIBUS CONTINUAM VELHOS,AQUI TEM QUE PRIMEIRO EXPULSAR OS ÕNIBUS,A PREFEITA SÓ VAI NA PRESSÃO,ELA ESTÁ ESPERANDO A JUSTIÇA MANDAR PARA QUE ELA DEMITA SEUS PARENTES NEPOTISTAS,,,
26/10/2008 @6:39 pm
Que melhorou a frota de Santarém nesses ultimos 4 anos Há melhorou e muito, mais não foi só a frota que melhorou.Quando se fala em transporte coletivo, se fala em coletivos, abrigos de passageiros, terminais, novas linhas enfim…
Esse governo fez e muito, mais precisa fazer muito mais, Santarém antes de Maria estava abandonada. No transporte, Santarém deu um salto muito grande, como exemplo podemos citar Alter do Chão onde os comunitarios tem ônibus novos, abrigos, terminais, como nunca se via naquela vila. E o povo parece que não gostou, votou no MAIA, será que vale apenas TRABALHAR.Se a gratidão é sentimento de poucos!
26/10/2008 @6:57 pm
Êpa, êpa, caro Zeca comentarista ao editorial sobre Santarenzinho e os onibus, preste atenção que escrevi. Não disse que as ruas de lá são boas, enm que os onibus de lá são novos. leia de novo. Disse apenas que aquela é ainda a melhor linha de onibus da cidade. Agora, falar de Santarenzinho em 1988 posso falar com segurança porque morava lá e lutava com o povo lá. Não vou teimar, mas não crei que houvesse na época 18.000 pessoas morando lá, mas havia um bocado. Não havia nenhuma rua, digna do nome, menos ainda asfaltada. Hoje há uma delas, já desfigurada mas é asfalto. No rsto de seu comentário concordo com você. O poder público não pode desprezar a população santarena que paga passagens mais caras e as empresas não cumrpiram o trato. A prefeita, reeleita fica com uma responsabilidade duplicada neste caso. Ela não pode deixar passar mais tempo sem exigir paralização dos onibus velhos sucateados, soltando fumaça a cada arrancada. Ela perderá o respeito dos que a reelejeram se não tomar uma atitude mais enérgica com as empresas de onibus da cidade. Quanto a seu cometário de que não ando de onibus, não creio que isso afete o sentido do editorial. Se tenho o previlégio de andar de carro, não posso ficar indiferente ao sofrimento dos meus semlehantes que precisam de andar nos coletivos, concorda? Um abraço e continuemos o diálogo. Edilberto
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