por Edilberto Sena (*)
Fala-se tanto hoje em sustentabilidade sem que na prática se respeite o significado da palavra. Aliás, a palavra foi adotada durante a Eco 92, pela comunidade internacional para tentar manter a exploração dos bens da natureza, pensando em preservar o futuro. Fala-se em desenvolvimento sustentável, em PAS - Plano Amazônia Sustentável. Esse aí é até uma invenção do governo federal.
Aí, o próprio governo federal financia a construção de um centro comercial de peixe em Santarém. Tudo indica que será uma obra para o futuro, pois vai custar mais de 1 milhão de reais e está sendo feita em alvenaria. Uma obra do presente, mas feita para durar dezenas de anos.
É uma vantagem para os pescadores e sua organização e uma necessidade para a população santarena. O que não cabe na sustentabilidade é o local onde está sendo construído o centro comercial de pescado.
Já houve um conflito de interesses com os donos de barcos de turismo, que tinham licença de atracar no local. A Capitania dos Portos tirou uma de Pilatos (lavou as mãos do problema) e os barqueiros perderam seu direito adquirido.
Mas é a população santarena que não foi consultada se ali é o local mais adequado. O centro comercial é também importante para a população, mas não de qualquer jeito, em qualquer local. E o Plano Diretor prevê uma obra ali empatando a visão para os rios? E o respeito à orla da cidade que vai sendo desfigurada? Como pode a prefeitura admitir tal descaso com a cidade? (…)
Sustentabilidade quer dizer usar os bens hoje sem prejudicar o futuro das gerações que virão. Ora, se o poder público permite a construção de uma obra tapando a frente da cidade hoje, abre precedente para logo, logo, outra obra de um, dois ou mais andares ser construída, noutro perímetro da orla, e noutro, até fechar toda a frente da cidade. Se permite para um, outro alegará o mesmo direito.
E então a maioria até agora silenciosa da sociedade se cala? Não tem nada a dizer hoje? Fica no “deixa como está para ver como vai ficar”? Assim foi com os portos (Docas e Cargill), assim é com o centro comercial de peixe e de assim em assim a sustentabilidade vai para o brejo e as futuras gerações amaldiçoarão a atual geração desta cidade linda pela natureza e embrutecida por sua população.
“Aí de ti Corosaim, aí de ti Betsaida…” disse alguém certa vez. E é verdade.
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* Santareno, é padre diocesano e diretor da Rádio Rural AM. Escreve regularmente neste blog.












5 Comentários Recebidos
28/9/2008 @4:21 pm
Padre qual seria a sugestão para a prefeita? o senhor como gestor municipal construiria onde o centro comercial de peixe, vou da minha opinião, eu como prefeito construiria ali perto da apae na santarem-cuiabá, em frente o sindicato dos estivadores. Desapropriava os predios existente e reaproveitava com nova estrutura. É bom salientar que mercado de peixe não é necessariamente obrigado a ser construido em cima dágua.
28/9/2008 @6:32 pm
Jeso,
Aquele projeto da Vila Arigó que te enviei acho que está num dos pontos desse artigo. Porém, a proposta é de se fazer uma tensoestrutura: algo totalmente desmontável.
P.S.: A maquete está quase pronta. Entrego-a na quarta.
29/9/2008 @9:15 am
O melhor local para esse mercado é para os lados da prainha, afinal temos a obrigação de salvar o Rio Tapajós. Esses mercados vivem para enfeiar e destruir nossa orla e poluir nosso rio. Santarém pede SOCORRO!!!
29/9/2008 @9:28 am
Padre não é necessário fazer um Eia/rima para construção daquele porto no DER?
29/9/2008 @2:46 pm
PADRE VAMOS LUTAR PELA MUDANÇA DE LOCAL.
Já se vende peixe em um mercado informal lá pelas bandas do uruará, fui por diversas vezes comprar, tavam pulando na canoa. Penso ser um ótimo local .
A Prefeitura poderia fixar o mercado ali nas margens onde o Tapajós se despede para seguir com o Amazonas e fazer um projeto de urbanização e Paisagismo nas adjacências. isso revitalizaria a região. Essa é a minha sugestão. com certeza faria um bem imenso aquele local que está entregue as moscas. Só não precisa levar os ratos para tocarem a obra.
Padre Edilberto um trabalho bem feito, voltado para o futuro, vamos imaginar, para quando tiversos uns 300 mil habitantes na sede do Município, custa caro e será pelo menos 4 vezes mais q esse 1 milhão que lhe causou espanto. O asfalto terá que chegar até a margem do Rio.
Jeso fiquei sabendo que vc secretamente anda torcendo pela volta do Lira Maia. se liga, Candirú te ferra rapá.
forte abraço,
Paulo Cidmil
fã do blog
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