por Evaldo Viana (*)
O município de Santarém enfrenta antigos, graves e profundos problemas na área de saúde. O Hospital municipal, Centros e Postos de Saúde vivem em permanente crise resultante de uma gestão administrativa burocrática e defeituosa. Quando o problema não está na ausência ou precariedade da estrutura física, está ou na falta de equipamentos e remédios ou reside, o que é mais comum, no reduzido número de profissionais habilitados.
No tocante ao problema associado a esses profissionais o reduzido número de médicos é o que mais preocupa e o que decididamente contribui para a prestação de um serviço insuficiente, precário e defeituoso.
Há, trabalhando no município de Santarém, em torno de 120 médicos. E é consenso entre os profissionais da área que seriam necessários pelo menos 300 para atender regularmente a população santarena, frise-se, apenas a população santarena.
Que seria possível ao poder público municipal fazer para suprir essa grave deficiência e trazer ao município os 180 médicos que faltam para completar o quadro necessário ao atendimento da população do nosso município?
É certo que um enorme contingente de médicos brasileiros costuma se fixar nos grandes centros econômicos, principalmente nas capitais e grandes e médias cidades do sul e sudeste do país.
Trazê-los de lá somente seria possível mediante a oferta de um vultoso salário que o poder público municipal teria enorme dificuldade em pagar, principalmente quando é notório que a atual administração tornou-se uma inveterada esbanjadora dos recursos públicos, priorizando, não raro, torra-los com o supérfluo e o desnecessário.
Levando em conta que o salário de um médico trazido de fora não ficaria por menos de R$ 180 mil reais anuais (para trabalhar em tempo integral), não inclusos os encargos sociais, a contratação de apenas 30 desses profissionais para remediar a deficiência de atendimento no Hospital Municipal, postos e centros de saúde demandaria algo em torno de R$ 5,4 milhões.
Esses recursos, para um governo austero, poderiam ser facilmente obtidos se o atual governo municipal decidisse, por exemplo, cortar os R$ 2,4 milhões que gasta em propaganda e optasse pela execução direta do serviço de coleta de lixo, o que reduziria, não há dúvida, essas despesas dos atuais R$ 7,4 milhões para R$ 3,7 milhões. (…)
Apenas essas duas medidas já garantiriam os recursos necessários para bancar o salário de 30 médicos para trabalhar em tempo integral, isto é, oito horas semanais ou 40 mensais.
Mas esta solução não resolveria de todo o problema e a carência de médicos permaneceria indefinidamente.
Então, sacudindo a criatividade, o município não tem outra alternativa a não ser contribuir diretamente para a formação de médicos que residam, preferencialmente no município ou nos municípios circunvizinhos.
A prefeitura teria que criar uma faculdade de medicina? Evidente que não, pois já temos em Santarém uma, a faculdade da UEPA, que oferece anêmicas 20 vagas, a maioria delas ocupadas por estudantes de Belém ou de outras regiões do país, cujo retorno às cidades de destino é dado como certo.
A solução seria, não há outra, a UEPA aumentar para 70 ou 80 o número de vagas anualmente e criar mecanismo de reserva de vagas aos estudantes de Santarém e do oeste do pará. Perguntarão, como? Investindo na infra-estrutura necessária para acolher e atender às demais vagas criadas e, no tocante à proteção de vagas, editar uma resolução que autorize a faculdade de medicina a priorizar e privilegiar o ingresso de estudantes da nossa região.
Tendo em vista que o custo anual de um estudante de medicina órbita entre R$ 11.000,00, a suplementação de 60 vagas demandaria por ano aproximadamente R$ 660.000,00.
A UEPA poderia alegar que não tem recursos para tanto, muito menos para construir a estrutura necessária para alojar esse contingente de estudantes.
A solução para esse problema está na colaboração do município de Santarém e nos demais da região, que poderiam, tranqüilamente, celebrar convênio com a UEPA, responsabilizando-se tanto pela construção da estrutura física necessária, quanto pelo repasse das despesas adicionais geradas pela manutenção dos 60 estudantes de medicina.
Dirão ainda que a idéia é inexeqüível porque faltariam os professores, auxiliares e cadáveres para as aulas de anatomia.
Para o problema de professores-médicos não se ignora que temos excelentes médicos que poderiam atuar como bons e dedicados professores, além do que a UEPA poderia suprir uma eventualidade com o deslocamento dos profissionais de Belém.
O problema maior seria a falta de cadáveres. Mas será que eles ainda são indispensáveis para as aulas de anatomia?
Os adeptos da teoria segundo a qual há problemas para os quais não há solução dirão que isso é um absurdo porque levaria pelo menos seis anos para a formação do primeiro contingente e que o município não tem condições de arcar com as despesas de tal projeto.
Para os que assim pensam, digo que estão certos. Para os que pensam o contrário, que é possível, sim, investir em soluções inovadoras, criativas e ousadas para resolver um grave e antigo problema que afeta diretamente a saúde do povo, digo que estão igualmente certos e realmente preocupados em dar solução a um preocupante problema social.
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* É servidor público federal, bacharel em direito pela UFPA e candidato a vereador pelo PMN. Email: evaldoviana33@gmail.com













11 Comentários Recebidos
29/7/2008 @8:19 am
Belo artigo! Acredito que é assim que os ocupantes de cargos públicos deveriam defender suas idéias. Apresentando problemas e prováveis soluções que possam ser mensuradas.
Tudo bem que não entendi alguns dos seus cálculos, mas acho que esse é um caminho.
29/7/2008 @8:29 am
Sabe porquê sr. Evaldo Viana, a prefeitura nunca vai se interessar em resolver esse problema da falta de médicos? Porquê quando a prefeita Maria do Carmo, o Evaraldo Martins, o Inácio Corrêa, a Alba Valéria, o dr. Emanuel da semsa, os filhos e filhas desses senhores e demais familiares precisam de médicos, eles nunca, nunquinha mesmo, procuram um posto de saúde. Pois no dia emq que els passassem a depender dos médicos do município eles rapidinhos buscariam uma solução.
O que acho na minha ignorância é que o pobre e coitado povo santareno nunca vai ter médicos suficientes. Não enquanto tver no poder essa gente falsa do PT que agora que tá ganhando bem já pode pagar médicos particulares. Nada contra, pois acho que todo mundo tem direito a melhorar de vida. Só acho que os petistas esqueceram muito rápido que antes eles defendiam o povo.
Vamos defender a revolução socialista, pedir pro raul castro mandar médicos cubanos pra cá. Vamos denunciar os burgueses e esses petistas elitistas e boçais.
29/7/2008 @11:04 am
Cumpre destacar, que esse, é somente um problema a ser resolvido pela atual gestáo da Prefeita Maria do Carmo, temos outros de igual ou maior dimensão, cita-se a questão da educação em nosso município, onde escolas tanto na várzea quanto no planalto não têm as minímas condições de operacionalidade, não possuem merenda escolar que atenda os alunos em sua integralidade, nem muito menos professores capacitados que possam efetivamente transferir conhecimentos aos jovens estudantes.
No tocante ao saneamento básico, ainda encontramos em Santarém esgotos ao céu aberto, ruas absurdamente esburacadas, lixos e matos nas encostas das avenidas em pleno centro da cidade, isso sem descrevermos a inexistência de um plano de cargos e salários efetivo e condizente para os servidores públicos municipais, enfim, o que percebemos nesta atual gestão é muita propaganda e pouca ação. Só temos a lamentar como cidadão santareno.
29/7/2008 @11:40 am
Sabe qual é o problema mano, é que nós temos um governo xefiado por uma prefeita que não liga a mínima para os problemas da população. Pra ajuda-la nessa pouca vergonha tem aí 14 vereadores que não valem o que o gatop enterra e até ajudam a prefeitinha a maltratrar os mesmos eleitores que vão acabar por votar nela e neles.
29/7/2008 @2:20 pm
Abellinha Lisboa
Só acho que os petistas esqueceram muito rápido que antes eles defendiam o povo….Ôpa, ôpa… vamos analisar esta frase do Sr. Arielson. O PT que eu conheci, que eu militei nos primordios, de 79 a 82, nada tem a ver com esta cambada que está no poder, estes senhores q estão no poder são farinha do mesmo saco,que pegaram o bonde andando, mudaram a ideologia e os sonhos q os petistas fundadores tinham por uma Santarém melhor, o propósito não era este. Concordo com o Duque de Arapixuna, esse governo atual nunca saberá o que é precisar usar um SUS, numa noite de sufoco familiar, pelo menos agora enquanto estão usando e abusando do dinheiro ganho sei lá de que forma …….
um grande abraço para o J.Ninos
29/7/2008 @5:18 pm
Mais uma vez Evaldo vem com numeros. Nada contra isso, mais se pensarmos bem a Saúde melhorou, pode não ter melhorado o que o Evaldo queria.
Caro Evaldo contra os seus numeros existem ações. A SEMSA absorve quase que 65% dos pacientes do municipios ao redor de Santarém e olha que a SEMSA não recebe um centavo por isso.
No inicio de 2005 a população para ser atendida tinha que ficar esperando no lado de fora do hospital no relento mesmo, os postos de saúde não tinham médicos e nem ao menos um tecnico, remédio nos postos eram coisas do outro mundo isso sem falar no atendimento.
A falta de médico e um problema de todas as cidades do interior do Pará, pois os médicos formados aqui migram pra capital onde a procura e maior e o salário bem melhor.
Evaldo esta cumprindo desição quem vem do comite do Lira Maia, onde a ordem e bater nos pontos que Maria esta fraca, e o unico como todos sabem e a saúde.
Portanto Sr. Evaldo faça sua campanha e não venha utilizar este espaço pra fazer campanha, pois se bem entendo a Lei Eleitoral não permite isso. Portanto tome cuidado pois certamente a Coligação “A MUDANÇA VAI AVANÇAR” ira representar contra o senhor.
29/7/2008 @8:04 pm
De uma forma ou de outra sempre vem a verdade… e quem dita a essa VERDADE é o povo… não adianta esconder… debates…. falar mal… eu quero ver é nas urnas quem o povo vai escolher… e eles ja sabem a muito tempo quem é… sem contar com a grande bagagem de experiências anteriores, e alocação de uma boa equipe para administrar a nossa queria Santarém, literalmente jogada durantes esses 4 anos de governo…, onde o povo se contenta com poucas coisas q foram feitas que na verdade muita coisa devia ser feita, tem muita gente se iludindo por ae!!!! Acorda povo de Santarém, esse é o verdadeiro lula Santareno… e todos desejam anciosos por sua volta!!!
29/7/2008 @11:30 pm
Quando o chefe manda, lá do cipoal, o Evaldo, que sonha um ser Ev(er)aldo, escreve um amontoado de besteiras e as viuvas cantam no coral.
Deixem de ser secadores, isto não ajuda em nada.
O ódio que voces vociferam contra a Prefeita se tranformará em votos.
Se lessem a conjuntura que reelegeu o SUPER-PRESIDENTE - LUIS INÁCIO L U L A DA SILVA, veriam que em massa boa quanto mais se bate mais ela tufa.
Continuem, por favor, a falar em Maria, um dia o PT vos agradecerá.
Agora aconselho aos pecadores a procurarem um padre, talvez o Edilberto, para confessarem e pedirem perdão, pois ódio e inveja são pecados capitais de dificil pedão!
Paz e bem.
30/7/2008 @1:20 am
Causa falta de ar a ira de um marido desesperado ao ver que aquela pessoa que lhe é tão preciosa é tratada com a mesma indiferença dirigida aos anônimos que pode ver deitados em macas sujas da sala de emergência do hospital municipal. São “ais” e “uis” que desmancham os músculos do acompanhante. Mas a ira fica amarrada num sussurro mal educado; pela formação repressiva da cultura religiosa, xinga baixinho e ameaça tomar uma atitude de um cidadão indignado. Ali um(a) enfermeiro(a) graosseiro(a) (possivelmente endurecido pelo cotidiano no caos) se equipara a um oficial do exercito, e não pode ser contestado (o que se dirá, então, sobre a autoridade do médico?). O homem, assim, sente-se covarde, pois não chutará da cadeira vermelha, não se liberta para ameaçar socar alguém se sua cara não for atendida. Já quando ele jura que vai agir, alguém vem, então, aplica uma dipirona. Já sem dor, vai esperar mais uma lua para o médico do plantão mandar procurar um médico no posto do bairro (sempre ineficientes, por falta do próprio médico). Passado o sufoco, o homem sai daquele lugar jurando que vai ganhar dinheiro suficiente para nunca mais ter que submeter os seus queridos a condições tão indiganas, ter que mendigar atenção (acha que isso é condenável, mas no fundo acreditou que tá tudo justificado porque não tem solução para a saúde pública). Afinal, numa clínica particular a coisa é diferente, o enfermeiro é mais humano, ele faz um comentário que irá fazer o acompanhante entender que a situação não é grave, vai puxar assunto enquanto aplica a injeção. O próprio médico particular não é tão frio e apreçado quanto aquele do HMS (embora tenha ele um contrato no Muncipal onde costuma ser mau humorado e austero). O homem exclama: isso não é tratamento para gente. Não tenho que não que passar por isso.
Eu sou esse marido. Tive que voltar mais outras vezes ao HMS e em todas espraguejei ao Lira Maia e depois à Maria. Hoje, minha família já pode ter atendimento de um pleno de saúde básico, mas não me deixou de inquietar aquele atendimento e aquele caos. Porém, hoje, após minha formação acadêmica, vejo que o mal da saúde do Município não está somente no político que governa de costas para o povo na cidade (regra sem exceção até agora), nem nas fórmulas de economia da pouca verba da saúde, mas é fruto de covardia de um país (políticos federais) que se abaixam para uma lógica que condena a todos os pequenos a encarar esse sistema falido de saúde. A representação dessa desgraça é apresentada no Jornal da Globo com o impressionante nome de “superavit primário”. Que por mais que o pobre não saiba exatamente o que é, já entendeu, pelo tom de voz e expressão facial do apresentador, que é bom quando se bate recorde de avit, quando é super então … (não sabe ele que para crescer o tal, corta-se nos gastos com coisas públicas como saúde).
Qualquer discussão de medida emergencial que não aponte para a desconstrução dessa lógica não vai longe e vai se esgotar noutra medida emergencial em breve.
No fim, pergunto-me: será que, em algum momento, também se sente covarde o político que desvia dinheiro de ambulância? E aquele que desvia dinheiro do Fundef para asfaltar uma rua, sente o peso de condenar mais uma geração a ignorância? …………. Enfim, para resolver problemas, somente com o radicalismo. Somente indo até a raiz (até lá, vamos chutar as cadeiras da Câmara de Vereadores descartando esses que já tem atestado de incompetência e com compromisso com contas bancárias resultantes de adesão a bases aliada$).
30/7/2008 @8:20 am
A turma vermelha da pipoca, do camarão, do caviar, da lagosta, dos sofisticados bifês, dos restaurantes enfeitados, dos coma bens, das limusines oficiais, dos que aprenderam em menos de um lustroa a amra as coisas que o poder proporciona aos adoradores do poder com a mesma intensidade com que ignoram as necessidades do povo, esses, para esses, não adianta nada dizer o ques está errado no governo e o que se deve fazer. Agora, o que importa é usar todas as forças para não perder o poder para não tirar do paladar já sofisiticado a pipoca, o camarão, o caviar, a lagosta, os bifês, sabor de comer bem, as limusines os salões sossaites e as gostosas sensações que o poder, mesmo degenerado, sabe proporcionar. Hospital? Centro de saúde? médicos? Quanta bobagem. Os vermelhos não tem tempo para pensar nessas coisas para o povo. O que interessa, a prioridade é manter-se no poder.
30/7/2008 @9:44 am
Eu, olhando rápido os números chutados pelo Evaldo diria que não se trata de falta de cadáveres, mas sim de falta de vergonha da corporação médica.
Quando chuta-se um “salario” de R$ 18 mil para médico, sem dar um pio como Evaldo faz, propondo cortar outros gastos para garantir o “atendimento” (de quem? da casta médica?), significa que o Evaldo pode até entender de números, mas que não entende nada de saúde pública.
Ao invés de brincar com números para promover a “corporação médica” e seus perfumados honorários, Evaldo deveria ser mais humilde, se aprofundar melhor sobre como ampliar o sistema de prevenção, de atenção básica, para diminuir (com mais saúde e menos doentes) a demanda de profissionais cujo único interesse é se dar bem na vida e na politica.
Se seguir até o fim o raciocínio do Evaldo (300 médicos) a administração pública deveria cortar todos seus gastos, inclusive de saneamento e prevenção, promovendo uma sociedade de doentes, só para garantir salários nababescos de médicos.
Enfim, Evaldo faria bem melhor se parasse com a demagogia sobre a saúde e agisse para moralizar uma corporação que no Rio de Janeiro (durante a epidemia de Dengue) deu um show de imoralidade.
Isso sim ajudaria a melhorar a Saúde Pública.
Tiberio Alloggio
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