por Paula Hoyos (*)
Existem pessoas que tem, dentre tantas fantasias sexuais, a de transar um dia na praia. É, bem no estilo daquele filme “Lagoa Azul”: a pessoa, o carinha, o luar e a praia paradisíaca. Parece sonho, né? Pois agora, na praia de Jacaraípe (ES), só em sonho mesmo e ainda assim correndo o risco de acordar ao som de “Sorria, você está sendo filmado”.
Quando ouvi essa notícia na TV quase tive um surto. O que é isso já, Iemanjá? Instalaram câmeras no perímetro urbano que compreende também a orla da praia e ainda ALTO FALANTES. Isso, no plural. DOIS ALTO FALANTES que advertem os pedestres e motoristas de suas “barberagens” no trânsito.
Imaginei-me andando a caminho da praia e distraidamente, atravessando a rua fora da faixa e escutando: “Senhora pedestre, por favor, para sua segurança, atravesse na faixa”. Eu ia surtar na hora. Ia sair correndo dali gritando que eu já sabia que a Teoria da Conspiração existe e que “eles” (?) estão vindo me pegar. Minha família ia ter que internar, eu ficaria viciada em remédios controlados e só teria direito a visitas monitoradas no sanatório. Todo esse caos porque eu decidi ir à praia.
No meio da reportagem, aparecia o carinha que toma conta do sistema de monitoramento, numa sala climatizada e cheio de telas em sua frente dando um super zoom na câmera supersônica e flagrando um surfista na praia. Aí, já calculei (na minha mente doentia, claro) outra situação: no more top less, no more “fio dental” para as garotas. Quer dizer, nada de um bronzeado mais abrangente e uniforme para as mais pudicas, porém tem gente que vai ficar fazendo pose de fatal mesmo sem ninguém para paquerar na praia. Os voyeurs…
Imaginei todos os cidadãos da cidade vivendo no mundo daquele filme com Tom Cruise, o Minority Repórter. Como, Iemanjá, uma praia muda da sessão de romance para ficção científica? E ainda com locutor. Não, não absorvo isso.
Acho que a tecnologia atingiu seu ápice de absurdo dessa vez. Como se não bastasse os reality shows televisionados em horário nobre, qualquer cidadão agora também pode virar personagem de reality show e pior: para um bando de marmanjo do departamento de segurança do Estado, sem nem direito a cachê, chuva de prata ao final do programa, convite para posar na “Playboy” ou participação especial no “Domingão do Faustão.
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* Santarena, é universitária. Escreve regularrmente neste blog.













3 Comentários Recebidos
19/5/2008 @5:50 pm
Ler seus textos faz-nos ficar de almas lavadas . Inexplicável, surpreendente. Parabéns por mais belo texto.
19/5/2008 @8:43 pm
“Sorri. Tu estás sendo filmado.” - Em bom português paraense, um dos melhores do Brasil, e até de Portugal e África.
20/5/2008 @5:13 am
Paula, a praia de Jacaraípe não é assim tão paradisíaca quanto pode parecer. Fica localizada no município da Serra, que é um dos mais violentos (3º lugar em homícidios segundo a OEI) do Brasil. No verão a praia fica lotada de turistas mineiros (que precisam voltar todos os anos para o bem do município, né?). Então, eu vejo claramente que as câmeras “tagarelas” não estão ali para perturbar a vida dos que querem descansar, mas sim ajuda-los a curtir com um pouco mais de tranqüilidade. E quanto ao Big Brother da vida diária, percebo que estamos sujeitos a mente “doentia” ou “travessa” de qualquer um que tenha um celular com câmera, concorda? Com isso, fazer topless até mesmo numa praia quase-deserta, pode ser arriscado. Cuidado, viu? o Youtube está aí mesmo..rs.
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