por Tibério Alloggio (*)
Lendo os noticiários midiáticos e os comentários no Blog do Jeso, após uma eleição, acabo sempre ficando com a impressão de que o regime politico-institucional brasileiro não seja presidencialista, mas sim parlamentarista.
Após o processo eleitoral, os partidos da coalizão vencedora discutem e negociam freneticamente a formação do “gabinete”, equipes e cargos, ou seja, a composição de governo, “oferecendo ao primeiro-ministro as condições de governabilidade”.
Nossos políticos são engraçados, na hora de disputar a eleição são presidencialistas ferrenhos, pois o candidato a presidente/governador/prefeito precisa ter carisma, ter uma condição própria para capturar corações e mentes e ser eleito diretamente pelo povo.
Sabem que o candidato ao executivo tem que ser bom de votos mesmo, que não é qualquer um que consegue conquistar o “imaginário popular” e sair vitorioso das urnas. Mas na hora de formar o governo, eis que a tropa politica vira parlamentarista. Mesmo o presidente/governador/prefeito já esteja eleito, agem como se o regime fosse parlamentarista, esquecendo que ao final, é quem foi eleito diretamente pelo povo, que faz valer a sua autoridade independente.
Maria do Carmo não é apenas quem destronou o “imperador” e se elegeu com grande votação, pela segunda vez. Ela é a prefeita e, portanto, constitucionalmente, pode decidir sozinha, e a seu gosto, escolher os seus auxiliares. Assumindo todos os riscos, inclusive de ressentimentos, eventuais vinganças e defecções.
A maioria no Legislativo não é e nem significa maioria de votos populares. O PT por exemplo (assim como o PMDB) teve o maior volume de votos, em quantidade, mas como no Brasil o voto para a Câmara é qualitativo, elegeu menos.
Portanto, a “influencia” na composição do governo e o conseqüente maior ou menor “loteamento” dos cargos públicos pode até ser explicada, mas não necessariamente justificada, pela “governabilidade”.
Na hora de montar o governo, os que perderam e ficaram fora de sua composição irão mentir e afirmar invejosamente que está se tratando da repartição do bolo, do “loteamento de cargos”. Os que ganharam e entraram na parada dirão (também mentindo) que trata-se da ocorrência mais natural do processo político.
É nessa hora (da vitória) que todos os políticos e seus partidos explicam a ocupação dos cargos públicos como necessária para atender aos seus eleitores e pavimentar a sua carreira política. Como, de forma menos explícita, admitem que a distribuição dos cargos ocorre pela necessidade de abrigar os seus afilhados, que igualmente são importantes nas campanhas eleitorais e, claro, para “ficar próximos de empresários e financiadores de campanhas”, o que (sem reforma politica) é “o essencial” para qualquer político.
Em todas as composições de governo, haverá sempre quem se declarará satisfeito, quem sairá menos satisfeito, e os que ficarão insatisfeitos. Os insatisfeitos serão aqueles que não querem perder as suas posições, mas acabarão aceitando. Essa é a turma que só haverá de se rebelar, se houver efetiva possibilidade de queda do presidente/governador/prefeito.
Nesse jogo todo, quem está por fora poderá até não perceber, mas quem está dentro sente e nem sempre pode reclamar. A “opinião publicada”, como de costume, dá cobertura a esse jogo todo, que na maioria das vezes é mais um jogo de cena do que efetivo. A mídia faz isso por sua própria conveniência e pela conveniência de “suas fontes”, apesar de saber que “fontes palacianas” ou não, nunca são fontes decisoras. Apenas fontes de boatos e, principalmente, de balões de ensaio.
Enfim, um bom presidente/governador/prefeito, na hora de compor o seu governo, tem que saber se equilibrar nesse jogo todo. Saber conciliar o lado político com o lado técnico, pois para governar, e bem governar, precisará de ambos os lados.
Toda organização pública, precisa ter uma cúpula responsável pela direção e pela gestão, com poderes para definir rumos e prioridades, além de equipes técnicas com entendimento das atividades para propor e implantar suas politicas.
O bom gestor não precisa ser um especialista técnico e não requer, necessariamente, que seja um especialista do setor. Mas requer que ele tenha visão, sensibilidade e articulação politica, e saiba escolher bem a sua equipe, principalmente os quadros técnicos, sem os quais não terá como implementar as suas decisões.
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* É sociólogo e reside em Santarém. Escreve regularmente neste blog.













5 Comentários Recebidos
27/10/2008 @9:35 am
Senhor Tibério,
Como sempre tentando manusear suas palavras em metáforas para engrandecer sua prefeita, mas não sei se por ingenuidade ou por constangimento, não deixa claro que quem escolherá os cargos e dará a palavra final é o Senhor Everaldo. não é isso senhor Jeso ????
27/10/2008 @10:40 am
Sabe-lá se esse seu artigo ajude a prefeita eleita a entender que foi ela que se elegeu. Não o seu Irmão e nem ninguém.
É ela que manda!
Manda Maria!
27/10/2008 @4:37 pm
Na nossa Santarém provinciana e familiar, árduo, muito árduo será o trabalho de maria do carmo para alojar (allogiar) todo mundo.
Só o PT dá mais de quatro sub-partidos (Pra valer, Unidade, DS, Peloso), mais todos os Martins e seus derivados.
O PMDB dá duas famílias (grandes)Rocha, Correia, mais os infiltrados (Helenilson e cia) em busca de espaço, mais uma lista de famílias menores.
Aguiar, sua família e seus afiliados.
PSB afiliados do reginaldo e do odair.
PDT Osmando e cia.
Nélio na cota HP e seus espalhados
O clã de Luiz Alberto
O PTB dos Coimbra e Frazão
Outras famílias socialmente menos nobres.
Todos os apadrinhados das Famílias
As Igrejas Evangélicas e Católica
Os derrotados ilustres
A lista é infinita….
Sr. Tibério, admiro seu esforço, mas a realidade politica santarena é essa.
Fica a pergunta: como conciliar tudo isso?
27/10/2008 @9:29 pm
O termo provinciano usado em um comentário, pra variar anônimo, foi usado de forma pejorativa pelo seu autor, com o intuito de mitigar a vitória de uma coalizão de partidos, todos legalizados,que deram a vitória a uma mulher, e que por direito haverão de reivindicar sua participação na gestão, isto é lógico, não provinciano.
28/10/2008 @8:03 am
Na lista do anonimo só falta o Maia e família. E o Von. Politica em santarena é isso aí.
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