por Tiberio Alloggio (*)
Lembram do dossiê da Dilma? E daquelas intermináveis matérias de supermercado da Globo sobre os horrores da volta da inflação, lembram? Pois bem, após o fracasso dessas últimas “crises”, inventadas pela “opinião publicada” para atingir o governo Lula, desta vez o confronto com o governo entrou diretamente pela via institucional.
Quem o deflagrou foi o ministro Gilmar Mendes (foto), o atual presidente do Supremo, o tribunal dos ricos, como é melhor conhecido. Mendes, ao quebrar o recorde mundial concedendo dois habeas-corpus em 48 horas em favor de Daniel Dantas, deu um chega pra lá nas investigações de juízes e da Policia Federal que está há anos atrás do “Orelhudo”, uma espécie de câncer político-empresarial que tomou conta da Republica Brasileira.
Deu o golpe, criou uma crise institucional que procurou aprofundar, ao levar a sério o lixo-jornalismo da revista Veja sobre um suposto “grampo” contra ele mesmo por parte da Abin, obrigando Lula a recuar com as investigações contra a corja toda poderosa.
“Grampo” é o termo usado pela mídia golpista para dar um tom conspiratório, a um fato conhecido como “escuta ambiental”, pois nos dias de hoje não é mais preciso “grampear” para interceptar telefonemas. A interceptação telefônica não depende de nenhuma interferência nos equipamentos, sejam os transmissores, os receptores ou redistribuidores (as antenas celulares). Ou seja, não há “grampos”.
É um sistema de rádio escuta. Um descendente moderno dos rádios amadores, para captação de comunicações telefônicas sem fio. O uso disseminado do telefone celular nos faz esquecer que esse é um sistema de comunicação sem fio. E que as ondas que são captadas podem ser captadas por mecanismos paralelos.
Esses equipamentos de captação paralela das comunicações telefônicas sem fio existem e cabem numa maleta, que pode ser levada a qualquer lugar para captar todas as ligações sem fio que ocorrem naquela área. Isso é atualmente possível graça ao desenvolvimento da tecnologia, com um software, denominado “Guardião”.
Esse equipamento tem sido autorizado pela Anatel como “bloqueador de celulares”. Na realidade não são bloqueadores, mas interceptadores. Usados nos presídios. A Polícia Federal dispõe desses equipamentos. A Abin também.
Mas esses equipamentos estão aí em todo que canto e a disposição de quem quer que seja e de quem queira usá-los. O falecido Antônio Carlos Magalhães adorava “escutar” seus adversários e até suas amantes. Daniel Dantas é apelidado de “Orelhudo” por chantagear seus concorrentes através dessas escutas. Até o nosso “orelhudo mocorongo” deve ter editado dessa forma o famoso “grampo do Everaldo”.
A gravidade não está na interceptação da conversa entre Gilmar Mendes e Demóstenes Torres. Que pode até ter sido uma conspiração de Daniel Dantas, que mandou interceptar, gravar, escutar e divulgar. Essa é a suspeita do General Félix, o que faz sentido.
A gravidade está no fato de que o governo está sem controle sobre a disseminação dentro do país desses equipamentos. Quantas maletas oficiais existem? Qual é a estimativa de maletas clandestinas? Como essas estão entrando no país?
O fato real é que nunca houve sigilo telefônico nos celulares. Nenhum celular está livre de ter as suas comunicações interceptadas, sem depender de autorização judicial. A sociedade ainda não está percebendo isso, e mídia a engana continuando a falar em grampo.
Estamos, portanto, diante de um fenômeno sociológico em que fatos evidentes à nossa frente são misturados, manipulados e cozinhados à moda do golpe. E o foco é o “grampo” da conversa entre Gilmar Mendes e Demóstenes Torres. E o presidente do Senado faz o seu jogo de cena, para averiguar que o “grampo” partiu do Senado. Se não há grampo, não partiu de dentro. O General Félix tem toda razão: o único mecanismo para evitar o “grampo” é não falar.
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* Sociólogo, reside em Santarém. Escreve regularmente neste blog.













2 Comentários Recebidos
8/9/2008 @5:09 pm
A cara do Mendes se explica sozinha.
Seria legal fazer uma enquete….Você acha que é cara de Que?
8/9/2008 @6:32 pm
Hummmmmmmmm Cara de P…?
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