por Tiberio Alloggio (*)
Encerrados os Jogos Olímpicos, algumas observações se tornam obrigatória para entender os movimentos esportivos planetários. A primeira é que a China confirmou no esporte o que já havia acontecido com sua economia: tornou-se uma potência planetária em grau de competir com qualquer outra potência mundial.
Com mais de 50 medalhas de ouro e 100 medalhas no total, a China deixou para trás os Estados Unidos, tradicionais dominadores dos Jogos Olímpicos. A segunda foi o aparecer do jamaicano Usain Bolt, um “fenômeno físico” que no atletismo pareceu projetar a humanidade numa nova fase de sua evolução.
A terceira é com os resultados da participação brasileira aos Jogos de Pequim que, apesar de o Brasil ter concorrido com uma delegação bem maior, acabou sendo pior do que em Atenas. Deixando a dúvida se foi o Brasil que regrediu, ou se foram os outros que progrediram.
A mídia em geral, e a Globo em particular, exploram exaustivamente a sub-cultura “Galvão Bueno” de ufanismo, do “pensamento positivo”, que faz a “opinião publicada” acreditar que o Brasil vai sempre para “arrebentar a boca do balão”.
É no rastro dessa sub-cultura que nossas autoridades resolveram enviar para Pequim uma delegação maior, fazendo nos acreditar que o Brasil alcançaria um grande desempenho.
Para esse tipo de sub-cultura, a conquista da maioria das medalhas de prata e de bronze não representou uma vitória, mas sim uma derrota. Principalmente no futebol, cuja desculpa continua a mesma de sempre, ou seja: é o Brasil que foi pior, e não os outros que foram melhores.
No futebol feminino, a reação foi até pior, e a grande façanha de ter chegado à medalha de prata acabou completamente “minimizada” pela sub-cultura “Galvão Bueno”. Mas que foi uma vitória e não uma derrota foi. Para elas, só faltou a sorte e no final as pernas.
Futebol feminino não existe no Brasil. A Rede Globo que não oferece nenhum apoio ao futebol feminino. Na hora das grandes competições, incensa a equipe brasileira com seu nacionalismo burro, como se fosse imbatível. Depois chora. (…)
Mas é só se livrar do espírito “Galvão Burro” para perceber que nos esportes onde o Brasil havia chegado ao topo, os adversários foram melhores, ou seja, progrediram mais. No vôlei de quadra masculino, os EUA fizeram uma campanha superior. Nesta modalidade ficou claro o esgotamento do modelo “Bernardinho”, que obriga o Brasil a recomeçar com um novo estilo. Também no vólei de praia, americanos e americanas acabaram superando as duplas brasileiras, anteriormente imbatíveis.
O vôlei feminino conseguiu se dar bem, mas por uma razão simples: a da decadência cubana, cujo ciclo no vôlei parece ter se esgotado, favorecendo as outras seleções.
A grande frustração foi a ginástica, na qual o Brasil vem fazendo pesados investimentos, adotando o modelo de buscar técnicos estrangeiros para o treinamento de meninas e meninos habilidosos e forjados por intensos treinamentos.
Mais uma vez o que prejudicou os atletas brasileiros(as) foi a sub-cultura “Galvão Bueno”. que exigia o ouro ou nada, transformando Jade Barbosa na maior das choronas com o prazer da mídia em fazê-la chorar.
Diego Hypolito, que não precisa pedir desculpas para ninguém, chegou ao cúmulo de pedir desculpas à nação brasileira. Na realidade, desculpas ao “Galvão Bueno” e à Rede Globo.
Maureen Maggi foi, sem dúvida, um ponto fora da curva. É uma mulher comum com um físico comum, aperfeiçoado por intensos treinamentos. Dedicou-se inteiramente à sua carreira esportiva, sofreu um grande baque e se recuperou. Como ela mesmo disse, não estudou, não desenvolveu outras capacidades e por isso teve que voltar e se dedicar ao esporte.
Na natação, que já não é mais esporte para “seres normais”, o Brasil conseguiu forjar (por acaso) um desses fenômenos, pois César Cielo (empresariado por Fernando Scherer, o Xuxa) conta mais com o folclore nacional que com os patrocínios que precisaria para sustentar seu talento.
Em resumo, o Brasil, além de não conseguir melhorar na mesma velocidade que os seus concorrentes, continua estruturalmente fora da tradição olímpica. Há muito trabalho pela frente, e o maior deles será superar a síndrome “Galvão Burro”.
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* Socióloo, mora em Santarém. Escreve regularmente neste blog.













1 Comentário Recebidos
2/9/2008 @4:13 pm
Tibério, acho q finalmente encontrou sua vocação. COMENTARISTA ESPORTIVO!!! gostaria muito de ouvir seus comentários sobre o próximo RAI x FRAN. Creio que ninguém poderá traduzir ou até mesmo reinventar na alma e espírito do nosso povo o significado e rivalidade desse clássico Tapajoara.
Quando criança, nunca entendi muito bem, porque os clubes tinham nome de santo, e apesar de torcer para o São Francisco por influência de minha mãe, gostava do São Raimundo. Fui morar ao lado da sede, jogava minha bolinha no clube, ia aos treinos e até viajava com o Pantera quando ia jogar em Parintins, Monte Alegre e Alenquer.
Mas o que me intrigava mesmo era o porquê de não termos um clube com o nome da cidade para enfrentar os clubes de Belém e outros visitantes como Flamengo, Vasco, América, Madureira, São Cristovão e Botafogo do Rio de Janeiro, Seleção brasileira de novos, Bahia, Sport Recife, Fortaleza, que na época vinham jogar em nossa cidade.
O estádio chamava-se Aderbal Correa, ficava na São Sebastião, estava sempre lotado fosse futebol ou espetáculo artístico. Tinha refresco do Bráulio, crocrete de macaxeira, tacacá, tapioquinha, rabuçado de cupuaçu e murucí. Goleiro era Surdão, atacante Cabecinha, zagueiro era Darinta, meio de campo era Dão. Torcida do São Raimundo era buchada, do São Francisco não lembro o nome feio não, América era um grande time, Norte, Fluminense, Flamengo e Náutico faziam figuração.
Eu, menino de 10 anos, tinha um tio chamado Elinaldo que não me deixava na mão, não perdia jogo importante e Cine Olímpia era minha paixão.
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