por Tiberio Alloggio (*)
A “filosofia trabalhista” do “pleno emprego” nos cargos públicos, antiga prerrogativa de alguns partidos, hoje em dia tornou-se tão forte que já contaminou o sistema político como um todo. A preocupação com o “emprego” para seus próprios correlegionários é uma da questões que mais afligem os partidos numa disputa eleitoral.
Depois de muitos anos nos governos, DEMO/TUCANOS acabaram viciando-se. Petistas e esquerdistas, depois de muitos anos na oposição, conquistaram o poder e também gostaram de ser governo. O PMDB e os demais gostam tanto que nunca saem dos governos, sejam eles de direita ou de esquerda.
Essa ânsia toda dos partidos pelo governo ocorre principalmente em função do poder, mas também pelos empregos que o governo proporciona, alguns bem remunerados, outros nem tanto. A perda ou a não conquista do governo pelos partidos coloca em risco o emprego da maioria de seus adeptos, e a situação fica dramática, quando os laços fisiológicos com os governos estadual e/ou federal se desmancham.
As ações “destemperadas” praticadas por certa oposição DEMO/TUCANA santarena na recém-disputa eleitoral, por exemplo, explica-se muito mais com a aflição com os seus ex-empregos do que com o as razões ideais de uma possível derrota política.
A forma mais viável dos caciques partidários para manter os empregos é sempre aquela de “mais um mandato” e, se possível um terceiro, quarto, quinto, etc. assegurando a estabilidade dos empregos.
Há duas supostas correntes de pensamento que disputam a lógica do preenchimento dos cargos. Os adeptos da “gestão técnica” e os teóricos da “gestão política”.
Os teóricos da “gestão política” praticam a lógica do direitos ao emprego em nome da “governabilidade”, ou seja, o velho fisiologismo na hora de preencher os cargos públicos. Os adeptos à logica do mercado, ao contrario, propõem critérios “rigorosamente técnicos”, ou seja, querem empregar (seus) técnicos e (seus) especialistas na gestão pública. Sempre o velho fisiologismo, desta vez disfarçado com critério de “eficiência”.
É contrapondo filosofias de gestão supostamente opostas que os partidos acabam por promover o “aparelhamento da máquina pública”. Obviamente, esse “ideologismo de carteirinha” ocorre apenas na teoria, pois a prática é outra, inclusive ocasionando infinitas distorções.
Uma delas é a necessidade dos técnicos de conseguir apadrinhamento político. De forma geral, são técnicos com conhecimento e experiência, mas que para subir na carreira acabam buscando o estabelecimento de relações políticas, ou seja, na procura de um bom padrinho.
A ascensão e queda dos técnicos dentro dos governos independe de suas qualidades, pois é a força e o prestígio do padrinho que “faz” o técnico. É o que mais ocorre na disputa pelos cargos técnicos em todas as esferas de governo. O secretário “X” é um técnico apadrinhado pelo cacique do partido “Y”, e poderá perder o cargo para outro técnico afilhado ao partido “Z”.
O efeito perverso desse processo é a degradação técnica das atividades do governo, principalmente quando o desânimo dos mais competentes, que não tem saco para processos políticos, acabam saindo da função pública.
O “tecnicismo” na função pública nunca resultou em nada. A principal crítica que se fez à “tecnoburocracia” é que ela administra em suas salas com ar-condicionado, compultando relatórios, planilhas e estatísticas que pouco refletem a realidade, se preocupando mais com a mídia e seus padrinhos do que com a população.
Em tese, a “gestão política” estaria bem mais voltada às demandas da sociedade, porém partidos e vereadores mostram tamanho apetite em seus pedidos que acabam passando de qualquer medida lógica, para se transformarem numa ameaça à uma boa gestão.
A politicagem acabou poluindo termos como “técnico e político” tanto que hoje é preciso resgatar o significado real dessas palavras. Técnico e político não são palavrões ou categorias opostas, inconciliáveis. A “gestão política e técnica” de organismos públicos é viável sim, e sem maiores conseqüências. Para tanto, nem precisa ser inovadora, pois o Estado tem sempre que buscar o atendimento às demandas reprimidas.
O que é preciso mesmo é de definição de prioridades de atendimento. E nessa definição de prioridades que o gestor político tem que saber usar o seu poder discricionário para que o interesse público possa prevalecer.
Se não souber usar esse poder, que o povo lhe conferiu, o gestor acabará governando por apenas uma minoria de parentes, amigos, aliados e correligionários que o ajudaram sim a ganhar, mas ainda assim insuficientes para elegê-lo, pois quem elege mesmo é a maioria, do povo.
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* É sociólogo e reside em Santarém. Escreve regularmente neste blog.













5 Comentários Recebidos
11/11/2008 @8:40 am
Eita tiberio…….é agora que a Tenória vai querer acabar com teus atributos!
11/11/2008 @1:52 pm
O PT - Partido dos Trabalhadores (no governo)
Só no Pará o PT tem quatro agencias empregadoras. Todas as tendencias principais se sustentam na base do emprego.
Primeiro durante as campanhas onde todo mundo recebe e depois com a distribuição dos cargos.
A agencia empregadora do Paulo Rocha é a maior do Pará. Emprega em Municípios, Estado e União.
A DS agora com o estado na mão, vem em segundo lugar e deve disputar a liderança com a do Paulo Rocha.
A DS emprega (cooptando) petistas das outras agencias e qualquer um disposto a obedecer em troca de emprego. O negocio do INCRA é com ela que compartilha com o grupo do emprego pra valer de Valdir Ganzer.
O PT pra Valer, já vale só pelo emprego que oferece no mercado. É um conjunto de famílias que se abriga em qualquer lugar que der.
É marido, esposa, irmão, parentes próximos, amigos e tudo mais. Depois da ascensão dos Deps. Ze Geraldo e Faleiro, madeireiros e empresários de obras, se tornaram sua base econômica.
A turma do Beto Faro (operação faroeste) funciona do mesmo jeito do grupo do “emprego pra valer”, antigamente eram uma agencia única, mas diferencias de gestão os separaram. A compra de votos e venda de favores caracterizam ambas.
Tem também grupos menores que se empregam na base das agencias maiores.
Dos Maia do Cipoal já se sabe praticamente tudo, então amanha vou falar do PMDB e suas inúmeras famílias.
12/11/2008 @3:40 am
Putz! Tibério o técnico funciona no privado na estatal é uma lástima, apesar de muitos cargos desses que tanto te incomoda serem assumidos por bons profissionais.
O importante de quem vence uma eleição é cumprir suas promeças, o plano de governo, a proposta colocada na campanha e o povo deve cobrar com rigor.
Agora se o vencedor vai realizar o que ele prometeu, sozinho,com sua família ou com seus seguidores é problema dele, o que o povo deve cobrar é o cumprimento do que foi dito na campanha.
Esse negocio de eleitor eleger o caboclo e ainda querer mandar na equipe dele aí é ralado. Cada eleito tem livre escolha para formar sua equipe e realizar aquilo que disse que ia fazer, isso sim, o resto é ciumeira de desempregado.
Na hora que é convidado para um carguinho aceita fácil, fácil, então é só papo furado tá Tibério.
O importante é a coisa funcionar, e não quem vai fazer funcionar a coisa.
12/11/2008 @9:37 am
Em um recente comentário à um outro post, exclamei a minha preocupação com o destino da estrutura política no estado, principalmente com o PT. Desprovido de interesses maiores e que sejam apenas o debate das idéias. Filiar-se ou simpatizar-se à um partido ou grupo político em troca de benesses à curto prazo, me parece uma tendência em crescimento. Trocar a dignidade e o poder de opnião por um punhado de favores e dinheiro, não ajuda em nada o crescimento pessoal e profissional.Estudar pra fazer concurso público, se profissionalizar e buscar espaço no mercado de trabalho, é bem melhor!
12/11/2008 @1:46 pm
Tiberio
Seu texto veio na hora certa. A noticia de Odair Correia ter nominado sua própria irmã e de quebra o ficha suja Isaías Batista só confirma o que escreveu. É a politica do emprego sujo.
Já pensou se Odair Correia fosse o Governador? Do Estado do Tapajós?
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