por Tibério Alloggio (*)
Está praticamente no ponto de partida a corrida eleitoral para a conquista de uma vaga na câmara municipal. Em Santarém (bem que alguém poderia ajudar a lembrar), foram raríssimos os casos de vereadores que conseguiram atuar no interesse geral, contribuindo ao desenvolvimento do município e, por causa disso, conseguir respeito e projeção política estadual e federal.
Mais uma vez, a campanha municipal nos apresentará uma legião de aspirantes a vereador que deverão aparecer na propaganda gratuita metralhando ou disparando (dependendo do tempo à disposição) uma mensagem qualquer aos potenciais eleitores.
Estamos falando de centenas de candidatos que estarão disputando algumas poucas vagas na câmara municipal, e cuja maioria desconhece a prerrogativa do cargo que estão pleiteando: legislar e fiscalizar. Uma massa, em sua maioria, desprovida de tradição política aléia à fidelidade ideológica e/ou partidária, que simplesmente irá aparecer, vencer, e/ou angariar alguns votos para eleger “outros” em suas coligações.
De todos eles, somente “alguns” pré-ungidos pelo poder partidário e econômico, poderão gozar de um apoio realmente concreto para se eleger. O “resto” terá que se virar como pode, cientes da derrota quase certa, porém inconscientes que seu sacrifício contribuirá para a eleição desses “alguns”.
A maioria dos candidatos geralmente é formada por profissionais das mais diversas áreas. O grosso dessa legião é composto por professores, funcionários públicos, profissionais da comunicação (Radialistas, DJ, Jornalistas, etc.), empresários e comerciantes. Na vanguarda de todos estão médicos e advogados, beneficiados pela possibilidade de oferecer favores profissionais em larga escala. (…)
O “creme de lá creme” (uma minoria) contará como sempre com a participação da patrulha representada por caçulas ou parentes de algumas das famílias tradicionais, que querem perpetuar a tradição política e o próprio poder familiar empresarial. Nessa categoria há também quem (mesmo não sendo oriundo da nata social) virá exclusivamente para representar algum lobby econômico empresarial.
O movimento social, no sentido mais amplo do termo, independentemente da renda ou profissão, também não deixará de ter seus representantes na corrida para a câmara de vereadores.
Há sempre um grande componente reivindicativo (bairro, sindical, gênero, raça, etc.) que caracteriza as campanhas da maioria dos candidatos. Alguns levantam algumas bandeiras, enquanto outros agitam de forma obsessiva algumas fixaduras que tem na cabeça. Todos (independentemente de partidos e coligações) acabam fazendo os mesmos discursos em nome da ética, da mudança, e do povo, prometendo o que nunca poderão cumprir.
Os que conseguem se eleger acabam descobrindo logo que a função de Vereador não tem nada a ver com a idéia que venderam durante a campanha. eleitos legisladores calouros, se limitarão em aprovar ou desaprovar o que o executivo encaminhar ao legislativo, e quando, por ventura, apresentarem alguma proposta será sempre em cima de picuinhas irrelevantes.
A função fiscalizadora se resumirá em lobbies, ou seja, na renuncia ao papel mais fiscalizador do executivo em troca de vantagens para si e o próprio grupo.
Os mais despreparados acabarão cooptados pelo fisiologismo da oposição, e/ou da situação, exercendo um papel insignificante que no final do mandato resultará na não reeleição.
Os mais expertos conseguirão criar uma base fisiológica própria que os projetará de eleição em eleição, mas que os obrigará a mudar de casaca todas as vezes que o vento e os governos mudarem de direção.
Enfim, o filme será o mesmo ao que já assistimos em eleições passadas, retrasadas, etc. Haverá como sempre uma mudança significativa na composição física da câmara, mas a renovação não mudará o rumo da carruagem, pois os novatos (caçadores de votos e vendedores de promessas), já entraram com a velha perspectiva de se garantir e se acomodar.
Sempre haverá uma ou duas exceções, mas serão exceções que confirmam a regra. Obviamente seria injusto jogar toda a culpa da atuação pífia dos legislativos em cima dos objetivos equivocados dos eleitos. É o mecanismo político que é infernal. Um mecanismo que gera o candidato equivocado e favorece sua eleição. É o mesmo mecanismo que alimenta as esferas legislativas superiores e que está gerando um possível aumento do numero de vereadores.
Sem uma reforma política de verdade, que vincule os partidos ao papel institucional que lhes compete, e que selecione e discipline os candidatos em suas fileiras, dificilmente veremos novidades nos horizontes legislativos.
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* Sociólogo, reside em Santarém. Escreve regularmente neste blog.













3 Comentários Recebidos
2/6/2008 @9:02 am
Os riquinhos são os da familia Rocha? ou será Maurício Correia?
Tem mais alguém da sociedade santarena? Maçonaria, Aces…………
2/6/2008 @10:29 am
O melhor perdeu o mandato
Carlos Martins nem terminou o mandato e está na assembléia.
Rui Correia foi ruim como prefeito e pior como vereador. Um político para esquecer.
Zé Maria Tapajós é o Antonio Rocha dos vereadores, vive na base da compra de votos.
Waldir e Erasmo pastam no Cipoal.
Reginaldo pasta nos evangélicos.
Rivelino pesca no Lago Grande
E os outros? Quem são?
2/6/2008 @11:59 am
1, 14, 24, 45 Vereadores não muda nada. As câmaras municipais só servem para os vereadores empregar seus apadrinhados na prefeitura.
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