Do leitor Ricardo Folhes, sobre o post Governo interdita gleba Nova Olinda:
Caro Jeso,
Louvável ação do governo sob uma das últimas áreas de florestas primárias do Estado do Pará, que além de florestas possui populações tradicionais, inclusive com um movimento indígena organizado que reivindica há alguns anos a criação da Terra Indígena do Maró.
Nesta região, a grilagem de grandes áreas de terras é uma realidade presente. Embora algumas ações de fiscalização do Ibama já tenham constatado uma série de irregularidades da exploração madeireira que lá acontece, ela, até semana passada, continuava a acontecer, diante do olhar incrédulo dos comunitários da Gleba Nova Olinda.
Importante ação do governo, porém cabe fazer ao seu leitor atento algumas considerações:
O Decreto nº 1.149/08 cria uma Área de Limitação Provisória Administrativa, dispositivo previsto na nossa legislação ambiental, para que o Estado e a sociedade civil possam se organizar, e de forma mais embasada, participar do processo de ordenamento territorial.
Desta forma, o objetivo maior não é só impedir o avanço do desmatamento e da grilagem de terras, mas principalmente, envolver a sociedade civil organizada nos debates que definirão a destinação dessas áreas, ou seja, qual parte delas será destinada à preservação ambiental, e qual será destinada a projetos “sustentáveis”.
Fica claro, então, que o referido decreto cria a possibilidade de debatermos, inclusive, se do ponto de vista ambiental, econômico e social as glebas Mamuru-Arapiuns devem e podem ser destinadas à concessão de uso dos produtos florestais e serviços.
Diante dos estragos atuais que a atividade madeireira vem fazendo na Gleba Nova Olinda ganha importância essa questão.
Somente um diagnóstico integrado criterioso e isento, que sirva de embasamento posteriormente aos debates abertos a sociedade civil, poderá definir do ponto de vista técnico, social e político o destino a ser dado àquelas áreas.
Vale ressaltar que lá existem comunidades, povos que se relacionam com a floresta há dezenas de anos que precisam ser envolvidos nestas discussões.
Enfim, essa ação do governo abre a porta para um diálogo inteligente e para mobilização dos mais diversos segmentos sociais, de nenhuma maneira, deve ser entendido como o contrário, onde uma idéia pré-concebida de destinação já comece a influenciar nossas opiniões e tendências.













2 Comentários Recebidos
31/7/2008 @2:12 pm
acabemos com essa bobagem de homem que se relaciona com a floresta. Isso é discurso gringo para manter os amazônidas na mais pura miséria. Quem não puder plantar, vai comer o quê?
Palavras bonitas não enchem as barrigas famintas da nossa população rural amazônica. É fácil ficar no ar condicionado dizendo o que melhor para nossa gente, nos vendo como animais exóticos no imenso zoobotânico amazônico.
O pior é que tem gente nossa, da inteligetsia, que reproduz essas idéias hipócritas.
1/8/2008 @9:26 am
Concordo em uma coisa com o Dezinho: os gringos querem manter os amazônidas na mais pura miséria. Então vamos acabar com isso.
Se considerarmos que a miséria é o fruto da distribuição desigual de riquezas que leva um ser humano a não ter essas mesmas riquezas para lhe suprir o necessário a uma vida digna, vou sugerir o óbvio: toda riqueza da Amazônia deve ser explorada pelos amazônidas e para os amazônidas. Então deixo aqui breves sugestões de como fazer isso:
1- Vamos cancelar a licença da ALCOA (empresa gringa) para explorações minerais na Amazônia;
2- Vamos anular a privatização ilegal da Companhia Vale do Rio Doce (hoje, empresa gringa) e fazer ela voltar a ser uma empresa nacional, patrimônio do povo brasileiro;
3- Vamos expulsar a Cargill (empresa gringa) da Amazônia a fim de possibilitar que a exportação de grãos seja feita por empresa nacional.
Fica aberto a mais sugestões dos nacionalistas que estão cansados de verem a Amazônia servir de colônia de exportação de riquezas para os grigos do mundo enquanto os amazônidas ficam na mais pura miséria, tal como parece pensar nosso companheiro de luta Dezinho de Maroca.
Abraços.
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