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4 Comentários Recebidos

Aldrwin
11/7/2008 @2:16 pm  

Tive a oportunidade de assistir a defesa do doutorado do Dr. Samuel que tratou do uso de redes neurais para identificação de padrões “suspeitos” de transações financeiras. Fiquei abismado com dois fatos:

1) A enorme “informalidade” com que o dinheiro mundial flui livremente por países e instituições “formalíssimas”.

2) A luta de gato e rato entre as instituições públicas para tentar acompanhar o refinamento das quadrilhas internacionais que se utilizam da mais alta tecnologia e amparo jurídico para “tentar” rastrear e filtrar um pouco dos rios de dinheiro que navegam entre paraísos e bolsos suspeitos.

O que impressiona nesses casos, como este recente do onipresente Dantas é a promiscuidade entre aqueles fluxos internacionais suspeitos e aqueles que deveriam zelar pela ordem pública.
É no mínimo engraçado assistir a reação de ministros, deputados e senadores, nitidamente apavorados com a possibilidade de se jogar no ventilador o que se sabe sobre os envolvidos nas jogadas “dantescas”.

Samuca, parece que teu pós-doc vai ter que ser em redes intestinais pois assim vai ficar mais fácil rastrear essa m…

Um abraço.

Aldrwin

J A Guimarães
11/7/2008 @4:05 pm  

Esclareça-se que Walter Maierowitch não é magistrado. Foi magistrado!! Atualmente é apenas um furibundo crítico das decisões das cortes superiores, com algum recalque a ser compensado com sua varborragia.

Quanto a ilação, acerca da linha que o STF vai adotar, apenas com base no comentário do presidente do Instituto Giovanni Falconni, tenha santa paciência!! Não sou jornalista mas se tivesse que sê-lo à custa de barrigadas como esta, rasgaria meu diploma.

No mais, concordo que a persecussão criminal deve alcançar todos indistintamente, mas a cobertura da ação da polícia não deve privilegiar “A Rede”(o resto é tucum).

Samuca
11/7/2008 @7:58 pm  

Caro J A Guimarães,

Uma correção: o Dr. Walter Maierovitch é juiz aposentado. O tratei como magistrado porque assim me refiro a ele, desde minha pesquisa de doutoramento, como lembrou o meu amigo Aldrwin. Trata-se de alguém respeitado mundialmente e que, no mínimo pelo que fez na vida, mereceria de você um comentário respeitoso. Larga mão desse negócio de querer desqualificar todo mundo que não pensa como você.

Não é uma simples “ilação”, meu caro: é posição histórica do STF, lamentavelmente, nestes casos. É só pegar as decisões, desde Salvatore Cacciola (que foi solto pelo então presidente Marco Aurélio Mello e escafedeu-se do País) a todos os outros corruptos de “alto coturno”.

Mas, eu escrevi um comentário, não um texto jornalístico. É uma opinião, portanto, sujeita a qualquer ordem de refutação. Não precisa rosnar, nem babar, caro J A Guimarães. Basta debater o assunto, sem ranço, e observar que, quando se trata de crimes contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro e corrupção nas teias e redes dos paraísos fiscais, ao redor do mundo, a mais alta corte da Justiça tem adotado este comportamento, infelizmente.

Até o começo de 2005, quando concluí meu trabalho, havia apenas um caso de prisão por lavagem de dinheiro no país. A lei que trata do assunto é de 1998. Portanto, tire suas conclusões… Ah, detalhe: o caso foi no estado do Paraná e o réu foi condenado à revelia.

Mais uma informação importante, publicada há pouco, na “Folha On-line”: “Aumenta a temperatura no Judiciário brasileiro: mais de uma centena de juízes assinaram, até agora, um manifesto contra o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. O manifesto é de apoio ao juiz federal Fausto Martin De Sanctis, que determinou a prisão preventiva do dono do banco Opportunity, Daniel Dantas, na tarde de ontem, contrariando decisão anterior de Mendes, que concedeu habeas corpus ao banqueiro” (texto assinado pela jornalista Mônica Bergamo publica uma relação de 120 juízes protestando contra a decisão, em dose dupla, de soltar o banqueiro).

Este é o ponto, meu caro J A Guimarães.

Saudações mocorongas,

Samuca

Samuca
13/7/2008 @12:20 pm  

Jeso,

Os acontecimentos que se sucederam à contestada decisão do ministro Gilmar Mendes (presidente do STF) jogam luzes sobre o mais obscuro Poder da “res-pública”: o Judiciário, especialmente nas suas mais altas esferas. A novidade é a reação da magistratura, tanto através da Associação nacional quanto diretamente, como relata o jornalista Bob Fernandes: “Em nota divulgada na tarde desta sexta-feira (11/07), 111 juízes federais da Terceira Região demonstraram indignação com a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, de voltar a pôr em liberdade o banqueiro Daniel Dantas.” (Fonte: http://terramagazine.terra.com.br).

O primeiro parágrafo da nota assinada pelos magistrados explicita: “Nós, juízes federais da Terceira Região abaixo assinados, vimos mostrar, por meio deste manifesto, indignação com a atitude de Sua Excelência o Ministro Gilmar Mendes, Presidente do Supremo Tribunal Federal, que determinou o encaminhamento de cópias da decisão juiz federal Fausto de Sanctis, tacada no Habeas Corpus n. 95.009/SP, para o Conselho Nacional de Justiça, ao Conselho da Justiça Federal e à Corregedoria Geral da Justiça Federal da Terceira Região”. Ou seja, o ministro Mendes não apenas mandou soltar o banqueiro duas vezes, mas tentou abrir um processo contra o juiz Fausto de Sanctis.

Recomendo a leitura completa da cobertura deste portal (Terra Magazine). Fernandes também entrevista o juiz aposentado Wálter Maierovitch que, entre outras coisas lúcidas diz que “o novo habeas corpus concedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, ao banqueiro Daniel Dantas mostra que o presidente do STF está extrapolando suas funções. E arremata: “Ele (Gilmar Mendes) está atuando com abuso de direito. (…) O Supremo virou ele”.

Estranho mesmo é o silêncio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Não li manifestação da OAB em nenhum espaço da imprensa. Alguém tem uma explicação para nós, mano velho?

Saudações tapajoaras,

Samuca

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