Do leitor Aldrwin Hamad, mestre em engenharia mecânica, a propósito do post Embarque inédito em Santarém:
Inédito ou não, é impressionante a capacidade da nossa região de retroceder e se manter como colônia no século XXI.
O estado deve buscar constantemente incentivar e estimular atividades que tenham maior impacto econômico e social, maximizando a qualidade de arrecadação para reverter em maiores benefícios coletivos.
Por outro lado, é também papel do estado desestimular ou “desincentivar” práticas primitivas e coloniais das quais o estado do Pará é campeão. Estimular o bom e coibir o ruim geralmente é a melhor alternativa para que as coisas mudem pra melhor.
Ao meu ver, arrecadar 24 mil reais em tributos por navio não parece ser uma grande vantagem para o estado.
Ficam as perguntas:
* Quanto arrecadaria o estado com exportação de carne congelada/processada, couro e demais subprodutos agropecuários se incentivasse a instalação de arranjos produtivos?
* Quantos empregos seriam gerados na cadeia produtiva verticalizada da carne e couro?
* Quantas empresas se beneficiariam neste processo? Quanto os pecuaristas ganhariam em escala? Quanto a sociedade ganharia?
Por falta, talvez, de outra alternativa, temos que exportar animais vivos, ocupando um grande navio para levar 1100 “unidades” que serão beneficiadas em outro país, gerando empregos e valor agregado. Será possível que nem carne temos capacidade de industrializar e exportar? Quantos Bois caberiam no mesmo navio se estivessem “transformados”em cortes de carne? (…)
Apesar de ter um dos maiores rebanhos do Brasil o Pará tem uma das piores questões sanitárias em relação ao abate e comercialização de carne.
Além de uma questão econômica, tributária e social da mais alta relevância, estamos tratando de saúde pública também.
Incentivar a implantação de empresas que verticalizem e agreguem valor às nossas vocações econômicas é muito mais relevante e interessante, sob todos os pontos de vista, do que incentivar a manutenção do nosso modelo colonial de exportar de maneira bruta minérios, madeira, boi e até gente.
Enquanto o estado não tiver uma política pública com metas para fazer com que o Pará saia da condição de colônia semi-escravagista para um estado industrializado, moderno, eficiente e justo onde mais empregos sejam criados e onde nossa economia não dependa das mesmas variáveis que nossos tataravós dependiam, jamais romperemos os laços arcaicos que nos amarram a uma condição de vida primitiva e desigual diante de tanta riquesa e oportunidades.













3 Comentários Recebidos
16/7/2008 @4:19 pm
É o que dá ter uma Classe Média oportunista ,venal e uma elite dirigente que não consegue consensualizar uma hegemonia e para ter hegemonia usa os artifícios do patrimonialismo,do mandonismo,do autoritarismo. Com isso fecam felizes quando aparece empresas transnacionais para daqui levarem as riquezas,se vendem e dizem para seus ÁULICOS e SABUJ@S,toma aqui uns trocados e vamos esquecer o que pregavamos no passado.
17/7/2008 @12:42 am
A prática é primitiva e colonial sim, aldrwin, entretanto é bom observarmos as fases que passaram pela terra santarena. E nada foi feito. Providências não foram tomadas. Nada foi verticalizado, no intuito de agregar valor para o bem explorado na região. Ou seja Santarém sempre passou por situações que momentâneamente fizeram a febre de dinheiro na mão de poucos e até muitos como a fase do ouro! E nada foi sabido aproveitar, em cada momento e a banda foi passando, como passam os navios abarrotados de bauxita pelo amazonas mundo afora sem que esbocemos, um senho franzido, para trazer de volta algum trocado pela exploração que sofremos. O que será que acontece? Ou estamos tão bem assim, que sequer vizualizamos, ou não queremos entender? É necessário estarmos atentos. A união vence muito e muda muita coisa.
Creio que o governo estadual e federal poderia fazer mudar muito. Mas a sociedade está unida? Ou está apenas esperando que algo aconteça de cima pra baixo? Agregar valor ao produto é bom, e incentivos existem, mas como avançar, se o queremos é ficar d braços cruzados esperando q os projetos aconteçam. É hora de mudar o tipo de comportamento, numa terra tão bela como o é Santarém. Empreendedorismo é para empreendedor, mãos a obra, otimismo e ação! O que cresce pra baixo é rabo de cavalo. Santarém já tem tudo para fazer acontecer. Energia, espaço, matéria-prima, gente p trabalhar e as idéias onde andam as idéias para fazer diferente?…….
17/7/2008 @4:22 pm
Caro anônimo, vez ou outra aparecem aqui no blog idéias e lampejos de esperança que possam viabilizar essas mudanças. Manifestos, protestos, ITA em Santarém, ferrovias, CEFET, UFOPA, UFRA, internet por fibra optica, Hospital regional… enfim, lendas urbanas que nos fazem sonhar com uma qualidade de vida melhor e um cenário que permita um desenvolvimento sustentável. Idéias não faltam. Faltam talvez, serem concatenadas e discutidas em um ambiente mais propositivo. Certamente há muita gente interessada em debater de maneira séria e responsável esse tipo de assunto. Falta criar o espaço… Seria o blog do Jeso este espaço?
É absolutamente natural que as pessoas encontrem alternativas econômicas. Nenhum fazendeiro quer ver seu gado envelhecer, morrer e ver seus investimentos se esvairem por falta de um frigorífico de exportação. Sempre econtrarão meios de sobreviver e tocar seus negócios. Se alguém perde emprego vira camelô, se é jovem aluga uma moto, vira mototaxista e mutilado, se tem uma loja, diversifica, e por aí vai. Parado ninguém fica, colonial ou não.
Assim como não vamos ficar só lamentando e reclamando por ver nossas riquesas minerais como a bauxita saindo sem os benefícios da verticalização, aproveitamos os momentos dos saltos econômicos pra sobreviver. Não é a melhor alternativa, certamente não é, mas é o que tem disponível como um navio cheio de bois. Somos colônia mineral? sem dúvida, não nego. Infelizmente não parece haver nenhum sinal de mudança disso nem para a próxima década e continuaremos vendo navios passando e levando nossa bauxita pra ser transformada em alumínio lá no Pará e no Maranhão. Culpa deles ou nossa?
É sobretudo pela total falta de planejamento macro, que deveria vir do estado, que não sabemos nem quais são, de fato, nossas vocações econômicas. É o velho ditado: “Pra quem não sabe onde quer chegar, qualquer caminho serve”.
Entre um desespero e outro vamos sobrevivendo, sem rumo, sem esperanças de mudanças e nos agarrando à primeira alternativa econômica que aparece sem ter nem a chance de escolher e avaliar se vale a pena. Matar ou morrer, meu pedaço primeiro. Esse desespero tem levado a esse modelo de desenvolvimento onde nem o estado, nem a sociedade sabem o que querem nem onde querem chegar, logo, tudo vale a pena e todos perdem no longo prazo.
Repito, sem uma política pública que mapeie as oportunidades de industrialização e exploração das nossas riquesas naturais com responsabilidade, contemplando todas as variáveis necessárias, teremos os eternos e efêmeros ciclos de embriaguês com ressacas de décadas… E ainda continuando como colônia.
Um abraço e obrigado pela oportunidade de complementar o raciocínio.
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