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3 Comentários Recebidos

Eleitor indignado
11/7/2008 @8:30 am  

A caixa preta a qual se referia o presidente Lula ainda em seu primeiro mandato, começou efetivamente se abrir. Com mais um esforço do Ministério publico, das partes boas da policia federal e da justiça vamos descobrir o que tem dentro dela.

Samuca
11/7/2008 @11:15 am  

Jeso,

Recentemente, o país perdeu uma extraordinária oportunidade de punir o crime organizado, especialmente os de tipo “colarinho branco”. Falo da CPI do Banestado, em 2004, que acabou “sem pizza”, ou seja, sequer teve até agora o relatório final votado (o processo foi pras calendas do judiciário federal). O vergonhoso “acordão” foi patrocinado por todos os grandes partidos brasileiros - sem exceção -, deixando apenas o ex-governador de S. Paulo, Paulo Maluf, na berlinda. Trata-se do único político brasileiro preso por lavagem de dinheiro, até então.

As figuras apanhadas pela ação da Polícia Federal e Ministério Público são operadores de esquemas de lavagem de dinheiro que remontam às privatizações patrocinadas pelo governo Fernando Henrique Cardoso. A expectativa é saber agora até onde irão as forças da polícia judiciária federal, a PF, o Ministério Público, o COAF e demais orgãos de repressão e combate ao crime organizado.

O Supremo Tribunal Federal, a julgar pela crítica precisa do Dr. Maierovitch, um magistrado que dedica sua vida a combater esses criminosos, já sinalizou como vai agir. Nem bem o “banqueiro orelhudo” tinha sido colocado no xilindró, Gilmar Mendes já ocupava as telas do Jornal Nacional para criticar a ação da Polícia Federal, jogando com manobra diversionista do “espetáculo”. Então vale o “espetáculo midiático” quando os bandidos presos são pretos, pobres e p…?

A lógica da senzala se mantém, na expressão do presidente da Suprema Corte do Brasil.

Samuca

Válber Almeida
12/7/2008 @12:39 pm  

Desculpe-me Jeso, mas aproveito para postar minha indignação em forma de um verdadeiro artigo.

O Brasil refém do crime organizado: chegou a hora de um Fora Mendes!
Amanheci com uma espécie de ressaca moral semelhante àquela que se sente após um golpe de estado: um misto de tristeza, medo, desesperança, insegurança e humilhação. O Brasil está refém do crime organizado. O Supremo Tribunal Federal, a instituição jurídica mais importante deste país, dá fortes indícios de que está controlado pelo crime organizado. O segundo hábeas corpus, injustificado e injustificável, concedido por Gilmar Mendes para a soltura de Daniel Dantas destruiu protocolo, jurisprudência, feriu as leis e a constituição deste país. A atitude de Gilmar Mendes, contrária à avaliação de centenas de renomados e experientes juristas, advogados, juízes e promotores, equivaleu a dizer: de agora em diante, não existem mais leis neste país; de agora em diante, só existe Gilmar Mendes e as Leis do Crime Organizado no Brasil; de agora em diante, são essas as leis que regem o Brasil, que devem ser obedecidas; de agora em diante, a Lei sou Eu!
Jamais presenciei um golpe de estado, mas imagino que assim seja o sentimento que se apossa das pessoas todas as vezes que leio o relato dos que vivenciaram esse tipo de experiência. Jamais vivenciei um golpe de estado, mas um golpe de estado é também uma metáfora dos inúmeros golpes que diariamente são desferidos pelos homens de poder neste país contra os direitos das pessoas, a dignidade humana, as esperanças, os valores, os recursos da sociedade, entre outros. Golpes que ficam impunes; golpes que oprimem e destroem a humanidade dentro de nós; golpes que, de golpe em golpe -e são inúmeros os golpes desse tipo que diariamente são desferidos no Brasil-, ajudam a solidificar a imagem e o sentimento de continuarmos vivendo sob uma ditadura ou, mais adequadamente, sob um regime despótico.
Gilmar Mendes concedeu hábeas corpus ao banqueiro Daniel Dantas, por duas vezes, e por duas vezes em tempo record, e isso depois de gravações da Polícia Federal revelarem que o banqueiro não teme os tribunais superiores ou supremos do Brasil, somente os inferiores. No supremo, o banqueiro tinha certeza de que não tem para ninguém, só dá ele: e ele estava certo, provou isso. Por duas vezes Gilmar Mendes concedeu hábeas corpus a Daniel Dantas e, por duas vezes, para falar como os promotores de justiça que apóiam o juiz Fausto de Sanctis, utilizando-se do pífio argumento de que não havia elementos suficientes para justificar a prisão, mesmo diante da montanha de milhares de páginas de provas contrárias colhidas minuciosamente pelas investigações detalhadas e pacientes da Polícia Federal. Por duas vezes o GM –não confundir com General Motors, General Mendes nem Gilmar Motors-, contrariou a jurisprudência do próprio tribunal que preside, que rege que um pedido de hábeas corpus para prisão provisória ou preventiva deve ser julgado, inicialmente, pelo tribunal que concedeu a ordem de prisão e, somente depois, pelos tribunais que estão acima na escala jurídica e hierárquica. Por duas vezes, GM desrespeitou a jurisprudência e os tribunais inferiores, melhor, humilhou, desprezou e esvaziou a autoridade dos tribunais inferiores. Por duas vezes, GM deixou claro o seguinte: tribunal de primeira instância não tem autoridade para julgar grã-fino, bandido ou ladrão da alta sociedade, somente pé de chinelo, ladrão de galinha, pé rapado. Bandido de paletó e gravata tem tribunal especial –o STF-, foro especial –mesmo sem ser autoridade legitimamente constituída-, é especial –não é qualquer um.
GM –não confundir com General Motors, General Mendes nem Gilmar Motors; a General Motors estava envolvida no Golpe de 1964, outro golpe portanto; o General Mendes deve ser um milico golpista qualquer que perambula por aí sedento de golpe de estado; o Gilmar Motors eu não sei quem é-, destruiu a ordem e a estrutura jurídica do país. Mais que nunca o Brasil é hoje um país dividido, com dois tipos de judiciários bem definidos: um para pé rapado, outro para grã-fino. Contraditoriamente, nos tribunais para pé rapado vigoram as leis da barbárie, as mesmas sob as quais jogam e das quais tiram os dividendos que mantém suas colossais fortunas os grã-finos dos tribunais superiores; estes, por sua vez, regozijam-se, em seus iates de luxo, no mar de civilização que vigora nos tribunais superiores construídos para eles próprios, onde servem banquete de caviar antes de serem condenados e abençoados a continuar realizando as suas atividades ilícitas, sem parâmetros éticos, legais e morais.
O Brasil é hoje, mais do que nunca, apenas um país do faz de conta. O sentimento que tomou conta da alma da nação é de um golpe de estado desfechado pelo crime organizado contra as instituições sociais do país. É necessário que algo seja feito para conter esse absurdo estado criminal que, nesta semana, tornou-se ainda mais sólido no país. A sociedade brasileira precisa reagir à altura. Precisa e deve iniciar um sólido e forte movimento de Fora Mendes e o Crime Organizado para que ela possa preservar a si mesma, às suas instituições, aos seus valores e continuar acreditando na possibilidade de um futuro melhor. E, para isso, não podemos temer em abrir o verbo, a boca, expor nossos pensamentos, sentimentos e as podres entranhas dos podres poderes constituídos.

Válber Almeida – valber_almeida@yahoo.com.br
Sociólogo

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