Da Agência Pará:
O Estado do Pará, o Movimento República de Emaús e a Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH) ajuizaram ação civil pública contra os jornais Diário do Pará, O Liberal e Amazônia Jornal.
A ação, ajuizada na quarta-feira, 12, pede que os jornais cessem imediatamente a publicação, nas notícias policiais, de imagens de cadáveres, pessoas desfiguradas, principalmente de vítimas de acidentes de trânsito, esfaqueamento, mortas por linchamento em vias públicas, que realizam verdadeira espetaculização da violência em desrespeito à dignidadde humana e consideradas sem nenhum valor jornalístico.
Na ação, também há o pedido de obrigar as rés a divulgarem, nos jornais por elas publicados, textos e informações educativas sobre direitos humanos e cidadania e indenização por danos morais coletivos, em virtude da exploração das imagens de seres humanos vítimas de morte violenta e retratados em situações violentas, desumanas e degradantes.
Os autores da Ação Civil Pública alegam que a veiculação destas imagens ferem os direitos constitucionais da pessoa humana e os valores éticos e sociais da família, banalizando o ser humano a ponto de tratá-lo como mero instrumento de espetáculo da mídia, visando o aumento de vendagens de jornais.
Os autos da ação já estão conclusos com o juiz Marco Antônio Castelo Branco, da 2ª Vara da Fazenda da Capital, para o pedido de apreciação da liminar.













11 Comentários Recebidos
14/11/2008 @3:15 pm
Deveríamos nos espelhar e também tomar a iniciativa de combater por aqui os ‘jornais’ impressos e televisivos (por exemplo, O Impacto, Estado do Tapajós, Rota etc) que abusam de manchetes e imagens que agridem quem as vê. Rara a edição em que não aparece na capa destes jornais um cadáver, um corpo desfigurado, “homens-peixe” e por aí vai…
14/11/2008 @3:23 pm
Taí um tema que vai dar o que falar, depois de muito ser discutido aqui pelos blogs. E aí Jeso, senti falta de uma opinião tua no post… diz aí! Abs,
Daniel
14/11/2008 @3:36 pm
Será que aqui em Santarém o Ministério Público e outras organizações da sociedade não tomam também uma atitude a exemplo dessa em Belém. Rota 5, impacto, O estado do Tapajós, Patrulhão devem ter alinhamento de conduta.
14/11/2008 @3:57 pm
Estes jornais citados no post, deveriam ser impedidos de circularem, não só pelas barbáries publicadas em seus cadernos policiais, como também pelos crimes que eles mesmos cometem ao brigarem entre sí(Maioranas/Barbalhos) pelo poder (político/financeiro)no Estado. Não respeitam a nossa inteligência quando publicam matérias pagas e totalmente tendenciosas, na busca de seus interesses particulares. O coletivo que se dane, afinal,são eles que formam opinião neste estado.
14/11/2008 @4:04 pm
Salve Jeso,
Eu ia escrever um texto sobre isso. Em Belém, no Diário do Pará da quarta-feira passada, tinha a foto de um menino, de uns 20 anos, idade do meu filho, com uma faca enfiada no peito. A imagem confirma a banalização e a transformação da morte e da violência num espetáculo midiático mórbido.
Em várias partes do país já superamos esse momento ruim da imprensa, que “forma” negativamente a capacidade crítica do espectador. Santarém, em alguns jornais e programas de televisão, segue, digamos, essa tradição ruim de jornalismo policial. Conheci experiências de negociação e conscientização com os proprietários e diretores de programas, mas também conheci experiências em que organizações da sociedade como civil, como o Intervozes e a Campanha Ética na TV - Quem financia a baixaria, que, com ações no Ministério Público, tiraram programas no ar como o do João Kleber. A conscientização é sempre a melhor opção e a reflexão é mais que oportuna.
Paulo Lima
14/11/2008 @4:17 pm
Nardim, sou contra essa prática. Especialmente porque expõe, de modo mais rotineiro, as pessoas mais simples e indefesas da sociedade. Gente que já vive as agruras da vida, e que tem a sua vida exposta publicamente por esse tipo de jornalismo manco. Quando é “figurão”, “colarinho branco” que protagoniza os desvios sociais nada (ou muito pouco) é escancarado. Dois pesos, duas medidas.
14/11/2008 @6:03 pm
Grande Jeso,
Assino embaixo, mano velho! E digo mais: os jornais impressos deverão achar um caminho de sobrevivência pautado pela qualidade editorial e a estrita observância do interesse público, para além do negócio em si.
Só essa mobilização da sociedade e a consciência de figuras do meio jornalístico (profissionais e empresários) pode garantir uma profunda mudança de rumos, que se faz urgente e necessária.
A estética do grotesco (exposição mórdiba de gente morta) e o sensacionalismo são péssimos “valores-notícia”, uma espécie de tiro-no-pé contra os próprios interesses das empresas, além de um flagrante atentado contra a cidadania.
Saudações tapajoaras,
Samuca
15/11/2008 @3:10 pm
And the “Troféu Imprensa” goes to “O Impacto” e “Rota 5″ na categoria Jornalismo Marrom…
15/11/2008 @6:49 pm
BRENO ELES ESTÃO MAIS PARA TROFEU HEMOPA SÓ SANGUE CADE A COMISSÃO DOS DIREITOS HUMANOS DA COBRADEIRA OAB ADVOGADA ANA CALDERARO COM A PALAVRA A SENHORA QUE É TÃO RELIGIOSA FAÇA ALGUMA COISA POR ESSES MENOS CONHECEDORES DOS SEUS DIREITOS
17/11/2008 @9:40 am
A muito tempo trabalho no meio e sempre combatí esse tipo de imagem que agride o leitor e o telespectador.è no mínimo estranho um editor de imagens deixar passar cenas estúpidas com closes em cadáveres, acidentados e por aí vai. Abaixo tudo isso.
17/11/2008 @2:17 pm
Troféu Hemopa… rsrs… pois, concordo. Tem coisa que pode sre evitada e não precisa avacalhar. Agora, que essa inicativa dê fato ande. E que tenha uma discussão. Nessa hora que sinto falta da academia e do sindicato, que poderia ajudar nesse sentido, com debates, etc e com isso (in) formar melhor. Até mesmo na formação de saber debater esse tipo de cobertura com quem manda no jornal.
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