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2 Comentários Recebidos

Jota Ninos
31/10/2008 @11:53 pm  

Como todo bom canceriano, sou um eterno arqueólogo da mente. Gosto de cultivar o passado, não para menosprezar o presente e sim, pavimentar o futuro.

Como estou vivendo estes dias, junto com outros radialistas, de rememorização dos 60 anos de história do rádio através de nossa I Jornada de Comunicação Social do Oeste do Pará, esta nota me acendeu uma velha reminiscência de minha carreira de radialista.

Ao ler aqui no blog que a Corrida do Círio da Rádio Rural completou 25 anos, lembrei que esta foi uma de minhas primeiras experiências de cobertura jornalística pela emissora, em que pude mostrar um pouco da criatividade que trouxe de experiências teatrais anteriores ao Rádio.

Em maio de 1984, estreei naquela emissora de forma atabalhoada como já relatei em meu blog recentemente (leia acessando aqui: http://jotaninos.blogspot.com/2007/08/uma-estria-digna-de-um-reprter.html). Mas depois de alguns meses fui adquirindo experiência nas reportagens. Até que o Jota Parente, nosso querido diretor de programação e de esportes, resolveu ter a brilhante idéia de realizar a I Corrida do Círio, se não me falha a memória, no dia 1º de dezembro de 1984.

Montada toda a estrutura do evento cada funcionário da emissora assumia uma função e a Rádio Rural, logicamente, faria a cobertura da corrida desde o início, com flashes ao vivo. Era um final de tarde de um sábado e eu fui escalado para ficar na kombi da Rural, acompanhando os corredores que vinham na frente. Enquanto um motorista guiava, eu entrava no ar pelo sistema de transmissão BTP, informando quem estava na frente. Os irmãos Silva (Isaac e Ezequiel, se bem me lembro), eram feras em qualquer competição de pedestrianismo, mas tinham como rival o jovem soldado da PM de nome Samuel Santana (acho que esse era seu nome). Acabava sendo um embate bíblico pelas ruas da cidade em reverência à Santa (rsrs).

O trajeto, se não me engano, começava na praça São Sebastião, seguia pela Tapajós, pela Cuiabá, pegava a Mendonça Furtado e descia pela rua dos Artistas de volta à praça. Lá, uma multidão aguardava o vencedor. Na praça, potentes caixas de som retransmitiam a programação da Rural e olhos atentos aguardavam a chegada do vencedor.

Quando entramos na Rua dos Artistas, o artista que havia dentro de mim saltou com meio corpo para fora da kombi e resolveu cobrir ao vivo os últimos metros numa narração frenética imitando aquelas que eu já tinha visto na televisão das corridas de cavalo, onde vírgula era proibido: “LÁ VAI ISAAC NA FRENTE COM EZEQUIEL LOGO ATRÁS DESCENDO A RUA DOS ARTISTAS FALTANDO MENOS DE 500 METROS PARA CRUZAREM A LINHA DE CHEGADA OS DOIS IRMÃOS DISPUTAM CABEÇA COM CABEÇA NA RETA FINAL CORRENDO POR FORA SE APROXIMA SAMUEL QUE ENCOSTA EM EZEQUIEL E COMEÇA A DAR PASSADAS MAIS LARGAS SAMUEL ULTRAPASSA EZEQUIEL MAS ESTE REAGE E VOLTA A ENCOSTAR EM SAMUEL E ISAAC APROVEITA PARA SE DISTANCIAR UM POUCO DOS DOIS EZEQUIEL FORÇA MAS NÃO CONSEGUE PASSAR DE SAMUEL MAS SAMUEL AUMENTA O PASSO E ENCOSTA AGORA EM ISAAC JÁ ESTOU VENDO DAQUI A PRAÇA SÃO SEBASTIÃO ISAAC ACELERA PARA VENCER SAMUEL QUE PERDE O RITMO EZEQUIEL APERTA O PASSO E ISAAC FORÇA TUDO SAMUEL E EZEQUIEL CABEÇA COM CABEÇA ISAAC ESTÁ CHEGANDO! ISAAC ESTÁ CHEGANDO! VENCE ISAAC SILVA!!!! E EZEQUIEL CHEGA EM SEGUNDO, UM CORPO À FRENTE DE SAMUEL!!!”

Não sei se foi memso assim e nem se foi mesmo esse o resultado (quem souber ou se lembrar me corrija), mas foi a primeira cobertura marcante que fiz como radialista. Ao chegar recebi muitos abraços dos colegas da emissora, principalmente da equipe de esportes, afinal nada disso tinha sido planejado e de repente consegui narrar a chegada dos três corredores que foi acompanhada com entusiasmo por uma multidão, na praça!

Com seis meses de profissão, naquele dia eu tinha provado que estava pronto para ser um profissional da comunicação. Pouca gente deve lembrar desse fato (fiquei mais conhecido pelas polêmicas políticas), mas eu não poderia deixar de lembrar dessa experiência marcante de narrador de corrida do Círio…

P.S.1 - nunca mais repeti a performance. Dois anos mais tarde fui parar na Tropical AM, e Parente, agora gerente da nova emissora, criara a Corrida Independência (em setembro) na qual também tive a honra de trabalhar, mas sem narrativa maluca…

P.S.2 - Jeso, tô mandando pelo seu e-mail uma foto da equipe da Tropical durante aquela 1ª Corrida da Independência, que descobri nos arquivos sublimes do ICBS de Cristóvão Sena, para montar um painel dos 60 anos de Rádio e acabei lembrando ainda mais dos fatos acima narrado. Se quiseres usa a foto no blog. Vai junto a legenda para identificares os então “magrinhos”, hoje mais “buchudinhos”…

Adilson
1/11/2008 @11:27 am  

Putz, Ninos! Que emoção, companheiro…
Grande Jota,
Bela coincidência, eu também sou canceriano e, naturalmente, saudosista.
Poxa, rever essas figuras na fotografia publicada me reporta a um dos melhores tempos do rádio em Santarém
Infelizmente estou transferido da Amazônia para o Sertão e não estarei aí para participar desse momento que entendo como o reconhecimento e investimento na qualidade dos profissionais dessa atividade fundamental para uma sociedade bem informada.
Ver imagens dessa época com pessoas tão importantes do rádio, me proporcionam uma viagem fantástica a um passado não tão distante, mas de alegria. Vejo na expressão dos companheiros da foto a energia e dedicação com que nos empenhavamos para dar aos nossos ouvintes as melhores informações com os detalhes, até hilários, como a sua narração. Os detalhes do repórter “rec rec”, “a belíssima voz do Sebastião Tapajós”, enfim, muitas passagens engraçadas que também marcaram aquele momento do rádio Santareno.
Apesar da saudade, estou muito feliz em acompanhar o desempenho do nosso sindicato. Trabalhamos para cria-lo, e hoje ve-lo atuante e muito estimulante.

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