A Rádio Rural AM completa hoje 44 anos.
A emissora é engenho & arte de um padre norte-americano que escreveu seu nome na história recente de Santarém: dom Tiago Ryan, já falecido.
Você tem alguma história, presenciou um fato, lembra de uma pessoa, enfim, guarda na memória uma lembrança ligada à Rural?
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6 Comentários Recebidos
5/7/2008 @11:42 am
Aos amigos da Rádio Rural,
Gostaria de parabenizá-los pelos 44 anos de existencia, dessa que é, a maior rádio da Amazônia.
Criada por um homem idealizador, a Rádio Rural é referencia no que diz respeito â comunicação na região. Os funcionário que trabalham lá são antenados e sempre buscam o aperfeiçoamento.
Dirigida pelo padre Edilberto Senna a rádio Rural é um ícone da cultura santarena e faz parte da vida de milhões de amazonidas que sintonizam ela diariamente para saber das informações.
Educação é o sobrenome desse veículo que se torna a cada dia presente em nossos lares.
Parabéns Rádio Rural.
5/7/2008 @11:52 am
-Ô velho Raimundo desliga esse rádio.
É a primeira coisa que lembro quando sua instigada a pensar a respeito da Rádio Rural.
Ainda criança fui acostumada a passar as férias escolares com meus avós paternos em uma fazenda as margens da BR-163. No ‘cem’, como chamamos até hoje aquele pedaço de chão. Presepadas e mimos a parte o que mais me chamava a atenção era aquele velho radinho de pilha que mais parecia uma extensão do corpo do meu avô, Raimundo Carmo. Pra que lado fosse estava lá o radinho velho. Eram notícias, músicas e um cara da voz engraçada ( nunca quis saber o nome dele – preferi optar pelo anonimato) que não paravam de conversar com o velho ‘vô’. Isso mesmo, conversar. Raimundo Carmo respondia a tudo e a todos. O quê deixava a minha avó intrigada.
Depois do dia de lida ele encostava os trecos usados na caça ou na produção de farinha de mandioca em um canto da casa de madeira e chão de terra batida. Sentava-se na rede. Nesse momento o rádio deixava de ser parte do corpo do meu avô e era pendurado na casa com um fio ‘preparado só pra isso’ e que lhe garantia um embalo leve quando batia o vento.
E lá ia o velho ‘vô’ chamar a meninada pra deitar na rede com ele. Enquanto nos embalava ele ouvia o cara de voz engraçada falar sobre Santarém e o que estava acontecendo ‘pro lado da cidade’.
Quando ouvia algo que não gostava xingava o radialista e culpava o velho rádio pela notícia. Concluía o diálogo entre emissor e receptor com um engraçado pedido de atenção:
-Olha Maria, dizia espantado e com a voz roca.
A ‘vó’ na beira da pia ou varrendo o chão insistia.
-Ô velho Raimundo desliga esse rádio.
‘Salve, salve lembranças de duas pessoas que não voltam mais.
Abraços Jeso e valeu por oportunizar a lembrança de momentos que são tão importantes pra mim.
Juliane Oliveira
5/7/2008 @12:45 pm
Meu primeiro contato com a Rádio foi por volta de 1997.
Eu era ainda criança e quando vinha passar as férias na casa dos meus avós lá no Santissimo a Rádio Rural era obrigatória todos os dias. Era ouvida em uma eletrola, a voz mais imponente das manhãs era a do Sinval Ferreira e seu programa. Podiamos ouvir a voz dos de pessoas da cidade e do interior que ligavam para dar recados ou reclamar de alguma coisa.
Nos últimos anos que passei em Santarém, as palavras do padre Edilberto Senna, eram um motivo para acordar mais cedo. Ele e seu editorial traziam palavras de revolta e ao mesmo tempo cidadania aos santarenos que ouviam e ouvem a emissora.
Recentemente participei do Programa “Educação-Ação”, aos sábados, ao lado da professora Rosinha e do amigo Ormano Souza. Também acompanhei o crescimento no repórter Genildo Junior, meu amigo que, hoje faz parte da equipe efetiva de jornalismo da Rádio.
Rádio Rural é história. E histórias precisam ser contadas… jamais quando representam uma região como a nossa.
6/7/2008 @11:52 am
Adelson Sousa
Tive o privilégio de compor a equipe da rural atendendo convite do jornalista Manuel Dutra e tenho a convicção de que correspondi a tamanha responsabilidade.
A credibilidade da emissora de sempre sair a frente na divulgação das notícias com responsabilidade e isenção, mantendo uma postura cítica e ética. As fontes eram fartas, confiança mesmo de que a informação chegava ao público sem ser deturpada.
Sempre foi muito forte aquela vinheta de noticia extraordinária, quando aquilo tocava parece que fazia eco na cidade. Assim como fazia eco o sinal da Rural nos dias de Rai x Fran lotado no Barbalhão.
Mudanças aconteceram com a saída de Manuel Dutra que fixou residência em Belém e a influência política do ex deputado Benedito Guimarães (com a compra de vários horários da programação) foi a tônica de um período em que a emissora esteve sob o comando do Padre Valdir Serra.
Por tentarmos manter a linha jornalistica orientada por Manuel Dutra, passamos maus momentos juntamente com o companheiro Ormano Sousa, chegando a ser impedidos de apresentar os noticiosos. Produziamos os jornais que iam ao ar após uma “revisão”, numa censura velada, e não podiamos apresentar.
Chegamos a voltar a aprsentação, mas, o rigor da “revisão” foi mais intenso.
Eu apresentava o Jornal do Meio Dia em parceria com o Coordenador de Jornalismo, que prefiro não mencionar o nome, ainda hoje mantenho amizade.
Os cortes a determinadas notícias se sucediam e eu solicitava ao Coordenador de jornalismo para não fazer aquilo. Pedia que ele me determinasse a reformulação das matérias, para corrigir possíveis erros ou mesmo a necessidade de aprofundamento das informações. Mas os cortes continuavam. A paciência que nunca foi meu forte estava no limite.
Conversei com o coordenador de jornalismo e pedi para que ele me tirasse da apresentação que faziamos em dupla, pois caso eu continuasse apresentando e os cortes permanecessem, eu iria dizer no ar que o Jornal estava sofrendo censura.
No mesmo dia houve corte de matéria e ao final do jornal em que cada um diz uma frase e os nomes dos apresentadores eu disse: ESTA FOI MAIS UMA EDIÇÃO CENSURADA DO JORNAL DO MEIO DIA. Foi a última vez que apresentei um noticioso da emissora retornando a “geladeira” por algum tempo para depois ser demitido.
Outro fato marcante ocorreu depois de ter saído. No estágio supervisionado do curso de Pedagogia da UFPa a equipe que eu estava foi para uma comunidade do interior para ministrar aula para professores. Durante a aula, quando me apresentei, uma professora da escola reconheceu meu nome e declarou que muitas vezes tinha ministrado aula tendo como tema notícias que tinhamos divulgado no jornalismo da rural.
Por lá ainda mantenho amigos e da Rádio Rural ainda guardo boas recordações como o reconhecimento e o respeito dos ouvintes.
A Rádio Rural por não ter um cunho estritamente comercial, exerceu papel fundamental no desenvolvimento de Santarém e da região. A programação com entretenimento, esportes, religiosa e educativa voltada para uma formação crítica marcou época.
Adelson Sousa
6/7/2008 @1:24 pm
Meus amigos,
Eu não poderia ficar de fora do grupo de pessoas que está comemorando mais um ano de criação da Rádio Rural. O ano de 2007 foi marcante para a Segurança Pública de meu Estado e especialmente para o 3º BPM (Batalhão de Polícia Militar), pois foi o ano em que estreiamos o primeiro programa produzido pela Polícia Militar do Pará em uma emissora de rádio: o PROGRAMA ESTAÇÃO SEGURANÇA.
Aliás, após o primeiro programa, veio o primeiro desafio: uma senhora que desempenha alto cargo na política santarena fez uma pergunta a um amigo, que depois chegou ao meu conhecimento: como é que um programa de rádio vai diminuir a criminalidade em Santarém?
E o resultado de todas as nossas ações se complementavam também com a participação na mídia. Por quê? Porque uma polícia que se diz comunitária e promotora dos direitos humanos tem que mostrar a sua cara, as suas falhas e - sobretudo - abrir espaços para o cidadão se manifestar.
E foi assim que fizemos. Abrimos o microfone para a comunidade e ela passou a contar com mais um acesso ao comandante da PM de sua localidade.
E eu estava ali para responder às reclamações e muitas das vezes - ao contrário do que se possa imaginar - para ouvir as manifestações de elogios e o carinho da população que participou efetivamente de meu comando.
E aí, eu respondi ao meu amigo, para que ele levasse a minha mensagem àquela cética autoridade: quando a gente tem o apoio da população, a gente ganha a confiança das pessoas. E por isso, nunca mais tivemos denúncias anônimas em nossas atividades. Passamos a ter denúncias da COMUNIDADE, isto é, das pessoas que passaram a confiar em nosso trabalho e aí passaram a nos dar informações que, posteriormente, processávamos no setor de inteligência.
Isso, sim, é fazer polícia.
Parabéns a todas as lideranças comunitárias de Santarém.
Parabéns ao padre Edilberto Sena e a todos os que fazem a Rádio Rural. Muito obrigado aos jovens Genildo Jr. e João Paulo, e aos policiais cabo Nery, sargento Lima Jr. e ao capitão Marcelo Ribeiro, pioneiros do programa.
7/7/2008 @12:33 pm
Quando ainda criança e não tínhamos televisão eu e meus 8 irmãos crescemos ouvindo a Rádio Rural graças a Senhora chamada Ruth Rodrigues Nobre, que com carinho cuidou a todos nós e não largava de jeito nenhum o seu radinho, sintonizado na Rádio Rural.
São inesquecíveis as tarde em que ia ao ar o Programa Parada Social e Correspondente Rural que se destinava à interlocução entre os familiares que se encontravam nas comunidades do interior e até o mais distantes garimpos. Nos domingos o Programa Correspondente Rural era a grande atração.
Neste Programa chamado Correspondente Rural era marcado pela linguagem utilizada nas mensagens e os códigos utilizados para pedir dinheiro e para dizer que alguém da família estava doente e que a esposa se encontrava em dificuldades eram bastantes criativas e engraçadas, muitas chegavam a dizer que se o marido demorasse a mandar dinheiro ela teria que dar a “criança”, sem falar com o término das mensagens que dizia: Quem ouvir essa mensagem, favor retransmitir ao destinatário.
Outro ponto de destaque era a cobertura da Rádio Rural nas eleições e quando se ouvia a vinheta RÁDIO RURAL NA MARCHA DA APURAÇÃO às pessoas corriam para perto do rádio para acompanhar as notícias e os comentários. Minha mãe e eu fazíamos o mapa de apuração através de anotações em folhas de papel almaço com informações da rádio e as duas eleições do meu pai a vereador já sabíamos e graças às notícias obtidas pela Rádio Rural.
A Rádio Rural ao longo de seus 44 anos construiu uma história de pioneirismo nas notícias e na credibilidade que ela passava, chegando ao ponto das pessoas dizerem: “É verdade sim, saiu na Rural!!!
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