No site do jornalista Cláudio Humberto:
O senador Jeferson Péres faleceu às 6h30 da manhã desta sexta-feira em Manauis. Ele tinha 76 anos de idade e foi vítima de um ataque cardíaco ocorrido três horas antes. Ele se cuidava.
Muito magro, ele tinha uma rotina saudável: caminhava diariamente na quadra em que residia, a SQS 309 Sul, e só se alimentva de peixe.
Ultimamente Jeffeson Péres estava dedicado à campanha de reeleição do prefeito de Manaus, Serafim Correia. Seu suplente é Jefferson Praia, (PDT) secretário municipal do Trabaho, na capital amazonense.













7 Comentários Recebidos
23/5/2008 @9:23 am
Tive a oportunidade de conviver com o Senador, através de amigos comuns. Impressionava a sua simplicidade e a clareza de raciocínio, assim como a sua postura firme na defesa dos seus pontos de vista. Não era de fazer firulas ou de tergiversar. Ia direto ao ponto. Assim foi, quando, em comitiva, fomos pedir seu apoio para a aprovação do PL que institui o plebiscito para criação do Estado do Tapajós. “Eu não posso fazer nada, pois trata-se de um assunto que diz respeito a outro Estado. Mas se vocês conseguirem que o PL vá a plenário, eu prometo conversar com a nossa bancada, para sua aprovação”, disse-nos o senador. Apenas para lembrar, o Senador Jeferson Péres foi o Relator do projeto de criação do Estado do Tapajós.
23/5/2008 @11:29 am
Em maio de 1988 o professor Jeferson Peres, que escrevia regularmente no jornal A Crítica, anunciou que submeteria seu nome às eleições municipais daquele ano. Escreveu, para justificar a sua decisão, um artigo no qual enumerava dez razões que o compeliam a entrar no cinzento e pantanoso mundo da política.
Creio que foi o meu irmão José Aldrin quem me apresentou a notícia alvissareira e, ato contínuo, decidimos procurar aquele homem a quem admirávamos pelas suas posições de coragem e correção que defendia nos seus artigos.
Fomos à casa do professor Jefferson Peres e declaramos a ele nosso apoio incondicional. No mesmo dia começamos a divulgar o seu nome e angariar votos para a sua candidatura.
Lembro que numa das várias reuniões que promovemos com a sua presença no bairro no qual morávamos, um dos presentes perguntou porque só agora, aos 56 anos de idade, ele decidira ingressar na política. A resposta, nunca esqueci:
“…é que sempre temi os respingos de lama que poderiam me atingir, mas agora cheguei á conclusão que se os homens de bem não participarem ativamente do processo político a canalha toma conta, os bandidos estarão mais á vontade para roubar o dinheiro do povo. Por isso decidi sair candidato, porque sou um homem de bem, tenho muito a contribuir e sou profunda e verdadeiramente preocupado com as mazelas sociais que afetam o nosso povo”.
Na época o meu irmão era presidente da Associação dos Alenquerenses em Manaus - ASSAMA- e eu era estudante de medicina. Pois foi junto aos alenquerenses residentes em Manaus, no bairro Santo Antônio e na faculdade de medicina que conseguimos pelo menos sete dezenas dos 976 votos que deram ao professor Jéferson uma das 21 vagas da Câmara municipal de Manaus.
Na eleição municipal seguinte, já todos conheciam o seu trabalho, honestidade e retidão de caráter. Foi reeleito com expressiva votação. Em 1994 decidiu concorrer ao Senado Federal. O povo amazonense o elegeu e Jéfferson Peres se tornou um dos mais respeitados e admirados políticos do Brasil.
De pensamento cartesiano, idealista e rigorosamente honesto, Jéfferson Peres será lembrado não apenas pela sua monumental obra como brilhante parlamentar, mas também como o sonhador pragmático que não se deixou levar pelo pensamento dos fracos e omissos que defendem tolamente a idéia de que os probos não devem entrar na política.
23/5/2008 @2:12 pm
Perdemos um dos únicos políticos de verdade que o Brasil já teve. Homem sério, defensor da honestidade e da moralidade. Uma imensa perda para o Amazonas e para o Brasil nesses tempos em que a corrupção impera. Que bom se todas as pessoas que almejam ingressar na política buscasse primeiramente saber sobre a história política desse homem. Como brasileiro que sonha com um Brasil limpo estou muito triste.
23/5/2008 @5:16 pm
Veajam quem perdemos:
“Por J.Roberto Militão
COTAS SOCIAIS, talvez; RACIAIS, NÃO!
JEFFERSON PÉRES (O Globo,2003)
“Tive a felicidade de não me contaminar pelo vírus do preconceito racial, graças talvez ao fato de haver convivido, na infância e na juventude, com colegas e companheiros negros e mulatos, alguns dos quais se tornaram meus diletos amigos na idade adulta. Faço o registro para que ninguém suspeite de haver em mim qualquer laivo de racismo, ao manifestar como faço agora, minha discordância em relação à criação de cotas raciais nas universidades e no serviço público em geral.
… Se os legisladores brasileiros entenderem que a discriminação positiva é mesmo necessária para a redução das desigualdades, então que estabeleçam cotas sociais, e não raciais, em função da renda e não da cor. Por esse critério, seriam beneficiados os mais pobres, não importa se brancos, pardos ou negros.
… Por todos esses motivos, sou contra o regime de cotas raciais, por considerá-lo um equívoco, com o qual não posso concordar. Se esta minha posição for incompreendida ou mal interpretada, paciência. Homem público que se respeita não toma posições fazendo cálculo de ganhos e perdas eleitorais.” (O Globo, 2003).”
Definitivamente, o parlamento brasileiro ficou menor. DEUS dê o descanso merecido ALMA do Senador JEFFERSON PERES. DEUS salve o Brasil.
23/5/2008 @5:22 pm
Nós brasileiros temos muitos motivos para dizer a todo momento que “o Brasil não tem jeito”, os “políticos são todos iguais”, a “política é um mar de lama” e outros epítetos. E eis que desse mar emerge uma onda límpida e, como onda, logo submerge. Jefferson Peres. Este foi um homem admirável, merecedor de todas as homenagens possíveis. Não consigo nem imaginar que sequer entre os seus inimigos (todos os corruptos e canalhas) tenha alguém que não o reconheça como a encarnação da probidade.
23/5/2008 @6:14 pm
O Brasil está de luto, a política perde um dos ícones da ética, o senador Jeferson Peres, que ao longo de sua vida política priorizou o interesse público.Grande combatente da corrupção, do nepotismo e dos interesses mesquinhos que infestam a classe politiqueira deste país. Infelizmente, são poucos os parlamentares, que vivem a política como ciência em seu verdadeiro significado enfatizado pelo grande filósofo Aristoteles.
23/5/2008 @7:08 pm
O povo brasileiro perde um homem probo, ético é que muito contribuiu na disseminação da justiça em todos os seus sentidos. O Senado está órfão.
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