No site Projeto Brasil:
“O primeiro passo é as pessoas entenderem que existem campos naturais abertos espalhados pela Amazônia, embutidos no meio da floresta”. A frase é do pesquisador do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) Mario Cohn-Haft. Há 20 anos ele estuda áreas de vegetação natural aberta – as quais chama, em termos gerais, de “campos amazônicos” – que, segundo ele, mesmo a comunidade científica, em grande parte, desconhece.
As descobertas acerca dessas áreas incluem novas espécies de fauna e flora e a compreensão de que, embora possam ser classificados da mesma maneira, cada campo amazônico é único. São muito variados em tamanho, espécies habitantes e, provavelmente, solos também.
O ponto em comum é que todos sofrem alagamento ou encharcamento do solo pelo menos durante parte do ano, motivo pelo qual apresentam vegetação aberta. Porém, cada um possui fauna e flora próprias. Estão localizados longe dos grandes rios, sujeitos ao acúmulo de chuvas e diferem dos outros ecossistemas úmidos já conhecidos, como a várzea e o igapó, associados às cheias dos rios.
“Esses campos têm espécies próprias ao sistema como um todo. Mas mais importante ainda: têm uma variação enorme entre si. A cada campo que exploramos biologicamente, descobrimos características singulares, únicas. Seria um grande erro dizer que uma área dessas protegida representaria e conservaria o sistema. Cada caso é um caso”, explicou Cohn-Haft.
O reconhecimento dessas áreas como “wetlands” (o que, em partes, equivale a “áreas úmidas”, em português) é necessário para que possam ser devidamente preservadas.
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