No jornal O Nortão:
O governo decidiu que não vai mais liberar licenças para o plantio de cana-de-açúcar no Amazonas e no Pará. Nos dois estados, as licenças ambientais para a construção de novas usinas sucroalcooleiras, ou mesmo para a ampliação das unidades já existentes, também não serão mais concedidas. Plantações já existentes e usinas em operação serão mantidas, desde que continuem como estão.
Anunciada pelo ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, a decisão será um dos pilares do novo zoneamento agrícola da cana, que está em fase de atualização e deveria ter sido publicado no fim de julho.
Ferramenta tradicional que também serve de guia para outras culturas - e para operações de seguro rural -, o zoneamento orienta os agricultores com informações sobre clima e solo, entre outros aspectos técnicos.
No caso da cana, a preocupação ambiental concentra as atenções sobretudo pela forte pressão internacional.
No Amazonas, há uma usina em operação e pequena área plantada com cana, cuja produção está estimada pela Conab em 370 mil toneladas em 2008.
No Pará, que abriga um número maior de usinas, o plantio deve render 804,2 mil toneladas este ano. Em todo o país, para todos os fins, a produção de cana-de-açúcar deve somar 710,3 milhões de toneladas.













2 Comentários Recebidos
24/9/2008 @12:39 am
Uma vez vi uma palestra de Vilmus Grunwuald, secretário de Produção durante o Governo Jatene: lá ele falou que mandou a USP fazer um estudo de solo no Pará, para saber se era favorável ao plantio da cana.
A USP diagnosticou o seguinte: pegando apenas as terras propícias para o cultivo de cana que fiquem dentro das áreas desmatadas no Pará, seria possível plantar cana em 9 milhões de hectares.
A universidade também constatou que o solo em questão é competitivo para produção sucroalcooleira. A exemplo, a produção de cana por hectare no Pará está em torno de 70-72 toneladas, enquanto a média nacional é de 68 - segundo ele.
Mas o dado mais interessante é que se o Pará usasse todo o seu potencial canavieiro, sua produção seria nada menos que 150% da atual produção do Brasil. Ou seja, o nosso estado produziria o equivalente a tudo e mais metade do que o maior produtor de cana produz.
Segundo Vilmus, isso poderia ser atingido sem derrubar uma árvore, mas claro, não sejamos ingénuos, isso geraria pressão por mais desmatamento. Achei muito interessante.
24/9/2008 @12:42 am
Me esqueci de comentar: segundo Grunwuald, essa estória do Governo Federal repreender o cultivo de cana na Amazônia por motivos ambientais não passaria de medo dos produtores paulistas, temendo a queda na cotação do produto.
Deixe seu comentário