Num dia como hoje, há 49 anos, era fundado o Sindicato dos Comerciários de Santarém. A entidade sempre se destacou como uma espécie de usina de formação de líderes sindicais, alguns dos quais com enorme visibilidade hoje no cenário santareno.
Por lá passaram, por exemplo:
- Raimunda Monteiro, à frente do Ideflor (Instituto de Desenvolvimento Florestal) do Pará;
- Pedro Peloso, ex-vereador;
- Jota Ninos, jornalista e servidor público.
- João Batista Vieira.
E é ele, o Ninos, que enumera alguns fatos ocorridos nesses 49 anos do sindicato:
1) Apesar de fundado em 1959, o sindicato deixou de atuar nos anos 70;
2) Em 1979, no rastro da vitória de Geraldo Pastana como presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santarém, foi criada a Corrente Sindical Lavradores Unidos, responsável por aquela vitória. Mas os líderes desse grupo (que mais tarde virou uma forte tendência petista, comandada por Pastana e os irmãos Ganzer e Peloso), que se vinculavam a uma corrente de esquerda influenciada pela tendência stalinista, acreditavam que qualquer transformação revolucionária e tomada do poder tinha que unir as organizações do campo com a cidade. E como a maior categoria de trabalhadores de Santarém à época (e ainda hoje) era a dos comerciários, resolveram reorganizar o sindicato;
3) Em agosto de 1979, no salão paroquial de N. S. das Graças, um grupo de comerciários que vinha discutindo as propostas levantadas pela “Corrente”, apoiou a fundação de uma Associação de Comerciários, para que em seguida o sindicato fosse reativado (naquele tempo a CLT previa que para se criar um sindicato primeiro precisava ser organizada uma associação profissional). O comerciário Pedro Peloso foi eleito presidente da nova entidade. À época ele trabalhava no grupo empresarial do ramo de tecidos e confecções Ponte & Irmãos;
4) Um das primeiras atividades da diretoria empossada, sob a liderança de Peloso, foi denunciar o regime de “escravidão” dos comerciários, que eram obrigados a trabalhar além da hora, sem ganhar extra. Para divulgar essa denúncia, foi criado o boletim “O Talonário”, muito bem produzido e que foi espalhado pelas ruas do comércio. A reação foi virulenta: Pedro Peloso e todos os membros da diretoria foram sumariamente demitidos!; (…)
5) A demissão dos líderes acabou reforçando a nova proposta. Muitos comerciários começaram a participar das reuniões, que eram feitas quase de forma clandestina para evitar novas retaliações. E “O Talonário” era aguardado avidamente. Foi quando comecei a participar do movimento, ajudando na produção do boletim. Todo mês novas denúncias eram publicadas e o comércio “pegou fogo”!;
6) A reação dos empresários foi se reunir para debater uma estratégia de combate àquele movimento. Os maiores empresários de Santarém, à época, fizeram um encontro e definiram que era preciso fazer contatos políticos com Brasília, reaver a Carta Sindical e colocar pessoas “de confiança” para dirigi-lo. O ministro do Trabalho, à época, era o paraense Jarbas Passarinho, que prontamente viabilizou a restauração da Carta Sindical. Alguns gerentes de loja, de confiança dos empresários à época, foram convocados para assumir essa tarefa;
7) Nesse momento (início dos anos 80), o movimento da associação começou a entrar em baixa. Após o período das denúncias, muitos comerciários deixaram de participar das reuniões, ou por medo de represálias ou por não acreditar que o movimento progrediria mais. Numa tentativa desesperada dos seis integrantes do chamado “núcleo duro” da Associação, tentou-se uma grande reunião em Emaús, para que após o encontro se deliberasse por uma greve na categoria. A intenção era reunir pelo menos 50 comerciários, que seria multiplicadores do movimento, mas só compareceram 10, os 6 da coordenação e mais quatro abnegados militantes… a greve acabou ali;
O que os empresários não sabiam é que entre alguns dos “gerentes de confiança” escalados para assumir o novo sindicato estavam alguns membros da associação. Assim, quando o grupo que coordenava a associação sentiu que o movimento não iria mais à frente, resolveram se “infiltrar” na nova entidade e tomar o poder, por dentro! Além de Pedro Peloso, o “grupo dos seis” era integrado por sua esposa à época, a também comerciária Raimunda Nonata Monteiro (hoje, diretora do Ideflor), Orlando Gamboa (hoje chefe da Divisão de Educação do Planalto, da Semed), Izabel Corrêa (que trabalhava na antiga Souza Aranaud e continua sendo comerciária, só que em Manaus), o já falecido Apolônio Moreira (era funcionário do Posto Progresso) e eu, que trabalhava na lanchonete do meu pai ( um comerciário “burgês”…rsrsr).
9) Eu, Apolônio, Izabel e Orlando, que éramos menos conhecidos, nos “infiltramos” na estrutura do novo sindicato, juntamente com outros comerciários que participavam da associação, mas que ninguém sabia, como Pedro Nogueira (à época funcionário da Automic, do Grupo Ivair Chaves), Nilce Batista (que trabalhava numa empresa de venda de tratores e hoje creio que esteja trabalhnaod numa empresa de mineração), Antonia Gamboa (funcionária do grupo Modêlo, hoje morando em Manaus), Pedro Ferreira (funcionário da Canté, hoje professor) e Cleonice Santos (também da Souza Arnaud, hoje contabilista). Houve a eleição de uma direoria provisória e logo em seguida, realizou-se uma eleição em que Pedro Nogueira foi eleito. Tínhamos chegado ao comando do Sindicato. Cometemos a proeza de aprovar na diretoria a necessidade de enviarmos delegados ao congresso que fundou a CUT - Central Única dos Trabalhadores! Eu, Apolônio e outros, fomos escolhidos delegados e participamos da fundação da CUT em São Bernardo em agosto de 1983!
10) no início de 1984, como um dos membros mais atuantes, cheguei a ser indicado para substituir Pedro Nogueira na direção, mas foi quando fiz um teste na Rádio Rural e abandonei a vida de comerciário virando jornalista. Em meu lugar, foi indicado o Apolônio, que infelizmente morreu de acidente no início do mandato. A vice e a secretária, que eram ligados aos empresários, renunciaram e o tesoureiro que era do nosso grupo, Pedro Ferreira, acabou sendo guindado ao posto. Como se pode ver, a luta dos comerciários em Santarém nesse período, teve a presença marcante de três Pedros: o Peloso, o Nogueira e o Ferreira!
11) Outro detalhe interessante é que um comerciários que participava das reuniões desde o início, levado por mim, já que trabalhava comigo e morou na mesma república de jovens que eu, revelou-se a maior liderança da fase mais madura do sindicato. Trata-se de João Batista Vieira, presidente em dois mandatos já na década de 90. Recentemente ele atuava como chefe da Divisão de Tributação da prefeitura, mas não sei inda está lá.












1 Comentário Recebidos
25/9/2008 @1:53 pm
Jota só gostaria de saber se vc tem diploma de jornalismo, se não tem parabéns, vc não precisa.
abraços
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