O verso de pé quebrado
O mundo é mestre que ensina
Que nada é o que nos parece
Muito embora seja uma prece
Mesmo assim não é entendida
Assim como nem toda poesia
Tem um verso e seu reverso
Quem reza tem a mão no terço
A mãe tem o filho no berço
E para o Deus pede a graça
Que o filho cresça sem jaça
Sendo forte e bem disposto
Pois fraco e bem maculado
É um verso de pé quebrado
O verso de um Pé-inchado
Que muita cachaça bebeu
Que muita cabocla mordeu
Com puba o peixe comeu
Para lhe dar tesão e virtude
Na espera que o mundo mude
Antes que a morte lhe grude
No fundo de feio caixão
Antes do fim deste mundo
Bem antes do fim de tudo
Muitas antes de ficar mudo
No fim do antes, depois…
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De Éfrem Galvão, escritor e poeta santareno. Incluída no livro Velho caduco e a onça corrupta, lançado no ano passado.













1 Comentário Recebidos
2/4/2008 @7:23 pm
A grande poesia santarena, de “pé quebrado” ou não, resiste ao tempo e se eterniza nos belíssimos versos de Éfrem Galvão. Congratulações, poeta!
Samuca
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