De Evaldo Viana, sobre o post Morre senador do Amazonas:
Em maio de 1988, o professor Jeferson Peres, que escrevia regularmente no jornal A Crítica, anunciou que submeteria seu nome às eleições municipais daquele ano. Escreveu, para justificar a sua decisão, um artigo no qual enumerava dez razões que o compeliam a entrar no cinzento e pantanoso mundo da política.
Creio que foi o meu irmão José Aldrin quem me apresentou a notícia alvissareira e, ato contínuo, decidimos procurar aquele homem a quem admirávamos pelas suas posições de coragem e correção que defendia nos seus artigos.
Fomos à casa do professor Jefferson Peres e declaramos a ele nosso apoio incondicional. No mesmo dia, começamos a divulgar o seu nome e angariar votos para a sua candidatura. Lembro que numa das várias reuniões que promovemos com a sua presença no bairro no qual morávamos, um dos presentes perguntou porque só agora, aos 56 anos de idade, ele decidira ingressar na política. A resposta, nunca esqueci:
“… é que sempre temi os respingos de lama que poderiam me atingir, mas agora cheguei á conclusão que se os homens de bem não participarem ativamente do processo político a canalha toma conta, os bandidos estarão mais à vontade para roubar o dinheiro do povo. Por isso decidi sair candidato, porque sou um homem de bem, tenho muito a contribuir e sou profunda e verdadeiramente preocupado com as mazelas sociais que afetam o nosso povo”.
Na época, o meu irmão era presidente da Associação dos Alenquerenses em Manaus - ASSAMA - e eu era estudante de medicina. Pois foi junto aos alenquerenses residentes em Manaus, no bairro Santo Antônio e na faculdade de Medicina, que conseguimos pelo menos sete dezenas dos 976 votos que deram ao professor Jeferson uma das 21 vagas da Câmara Municipal de Manaus.
Na eleição municipal seguinte, já todos conheciam o seu trabalho, honestidade e retidão de caráter. Foi reeleito com expressiva votação. Em 1994, decidiu concorrer ao Senado Federal. O povo amazonense o elegeu e Jefferson Péres se tornou um dos mais respeitados e admirados políticos do Brasil.
De pensamento cartesiano, idealista e rigorosamente honesto, Jefferson Péres será lembrado não apenas pela sua monumental obra como brilhante parlamentar, mas também como o sonhador pragmático que não se deixou levar pelo pensamento dos fracos e omissos que defendem tolamente a idéia de que os probos não devem entrar na política.












1 Comentário Recebidos
24/5/2008 @5:40 pm
Infelizmente vai um político intégro e honesto, e permanecem aqui milhares de políticos que só querem os benéficios que os cargos oferecem. Ou Deus, quanta injustiça! leva o Dep. Lira Maia que esse sim não vai fazer falta alguma.
Deixe seu comentário