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Samuca
16/7/2008 @8:33 pm  

Jeso,

O ministro Tarso Genro, com a devida vênia, parece charuto do Tapajós que entra na garrafa e não consegue mais sair, mesmo com a “porta dos fundos aberta”… Explico: esse negócio de não expor os presos, especialmente quando são dos primeiros “andares” da pirâmide social é uma tremenda hipocrisia. O ministro parece cair no “conto do vigário” midiático. Aliás é esquizofrênico: parte importante da própria mídia acusa a mesma mídia de espetaculaização. Seria risível, não fosse a manobra implícita.

Quem faz o espetáculo: a PF ou a mídia? A questão é: por que os entes públicos envolvidos na investigação (PF e Ministério Público) não tratam de forma democrática e eqüânime, pelo menos, as grandes redes de TV, emissoras de rádios e jornais com alcance nacional? Por que a preferência descarada (e antidemocrática) pela TV Globo? Que esquema ($) garante a “exclusividade” à rede de televisão da família Marinho? Lembrem que na prisão do sr. Paulo Maluf e filho, somente um repórter cobriu disfarçado de agenda da PF: César Tralli (TV Globo). Até hoje não apareceu o nome do delegado ou autoridade de primeiro escalão que autorizou o “furo” de Tralli. Ele não entrou naquele ambiente sem autorização da PF.

Quem apareceu falando essa sandice, que no fundo pode descambar para a restrição do papel da imprensa e o tipo de censura togada mais abjeta, foi o douto e impoluto ministro Gilmar Mendes (presidente do STF), que antes mesmo de receber o pedido de habeas corpus dos advogados do banqueiro, Nahas e Pitta, mas já se prestou a fonte da mesma Globo condenando a “espetacularização” da prisão, como se ele (Mendes) não fosse “ator” do mesmo espetáculo midiático.

O ministro Tarso Genro e o presidente Lula perderam ótima oportunidade de ficarem calados sobre a prisão destes operadores do crime organizado. Repito a pergunta: se os presos fossem pretos, pobres e p… haveria algum ministro de Estado ou Presidente da República preocupado com isso?

De repente, se discute mais esse aspectos superficiais e a magnitude do crime que envolve formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, crime contra o sistema financeiro, corrupção ativa e tudo mais acaba ficando em segundo plano.

Saudações mocorongas,

Samuca

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